Episódio #16 · 2 de março de 2026 · 1h56

O gênio por trás das letras das grandes marcas: a história de Fabio Haag

Com Fabio Haag · apresentação de Gian Franco Rocchiccioli, Gisela Schulzinger, Gabriel Lopes

Sobre o episódio

Fabio Haag passou quase nove anos na Dalton Maag, em Londres, a maior empresa independente de tipografia corporativa do mundo. Chegou a diretor, trabalhou para cinco das marcas mais valiosas do planeta e para a fonte dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Em 2016 deixou o que chama de emprego dos sonhos para voltar a desenhar letras e fundou a Fabio Haag Type, que hoje atende metade das marcas mais valiosas do Brasil no ranking da Interbrand.

A conversa parte de uma tese: a tipografia é uma das decisões mais profundas da identidade de uma marca, porque veste cada palavra que a empresa diz. Fabio apresenta a pesquisa de Mark Ritson em que a fonte gera mais reconhecimento de marca do que a cor, explica quando uma fonte proprietária compensa e quando uma fonte gratuita resolve, e detalha as etapas de um projeto de tipografia corporativa, do workshop com o cliente à engenharia que faz a fonte funcionar em qualquer sistema.

No último terço, o tema se amplia para gestão e tecnologia: o modelo de empresa calma, com cinco horas de foco por dia, autonomia e participação nos lucros, e o lugar da inteligência artificial num ofício que recompensa o rigor. Para Fabio, a execução tende a se banalizar e o diferencial passa a ser o olhar de curador.

Trechos em destaque

“Toda letra que a gente desenha tem como intuito aumentar o valor de marca.”
Fabio Haag · 11:56
“A tipografia é inclusive mais importante para criar fluência do que a cor.”
Fabio Haag · 40:04
“Se o teu modelo de negócio depende da fonte para dar certo, ele não dá certo.”
Fabio Haag · 42:53
“Eu sempre acho que, se eu que sei não conseguir convencer quem não sabe, a culpa sou eu.”
Gian Franco Rocchiccioli · 57:53
“Todo o design era o mesmo, mas o processo faz a diferença.”
Fabio Haag · 1:19:32
“A execução vai se banalizar. O grande diferencial vai ser um olhar mais de curador.”
Fabio Haag · 1:48:15

Capítulos

  1. 0:00Abertura e apresentação de Fabio Haag
  2. 4:04Da Dalton Maag, em Londres, ao estúdio próprio
  3. 11:56Fontes para marcas: distinção e consistência
  4. 14:59O limite do conhecimento e a busca pela imperfeição
  5. 21:07O craft brasileiro e a reação à inteligência artificial
  6. 23:35O cliente da Índia e o valor de ser você mesmo
  7. 36:51O que é desenhar uma fonte para uma marca
  8. 38:10A pesquisa de Mark Ritson: tipografia gera mais reconhecimento que a cor
  9. 41:46Quando vale ter uma fonte proprietária
  10. 50:25Como convencer quem ainda não vê valor na tipografia
  11. 1:10:41As etapas de um projeto de tipografia corporativa
  12. 1:18:31O erro mais comum: decisores fora do processo
  13. 1:24:49A fonte envelhece? O caso Zé Delivery
  14. 1:30:48Gestão calma: cinco horas de foco por dia
  15. 1:44:12Inteligência artificial no desenho de fontes
  16. 1:52:50A identidade mais longeva do mundo: as maiúsculas romanas
Transcrição completagerada a partir da legenda automática do YouTube, com revisão de nomes
0:01

Olá, olá, olá. Bem-vindos ao Trocando a Lente, um podcast onde é responsabilidade do convidado transferir pra nossa audiência a sua lente, a lente com a qual ele observa o mundo. Bem-vindos ao à temporada 2026, né? Primeiro, primeiro episódio dessa temporada. Eu tô, meu nome é Gian Franco como todo mundo já sabe, e eu tô aqui com os meus cohosts do podcast. Por favor, Gaps.Ah, hoje é uma honra aqui, ó, com a Gi e com o Fábio. Muito obrigado, pessoal. E eu trocando a lente seguiu uma regra antiga do Brasil. Só começou depois do carnaval. É isso. Isso. Perfeito, perfeito. Bora lá. Você deEu enfim, Gisela, tô aqui.

0:58

Gisela, presidente da 2026. Aconteceu.Queria dizer queGab, você tá aqui para não me deixar mentir. Este este podcast deu furo desta desta notícia no meio do ano passado. Próxima presidente seria Gisela. Super espontâneo. Espontâneo.Não, prazer tá aqui começando, né, esse ano e prazer enorme, honra enorme est aqui podendo ter essa conversa com o Fábio, que é uma referência pra gente nesse universo tão incrível que é o universo da tipografia.Bom, para qu para quem eu não tome bronca do meu amigo Gab, por favor,se inscreva no canal, dá um like, ativa o sininho da notificação, curta, comenta e compartilha. E por favor, assista até o final, senão você vai perder coisas maravilhosas.

1:47

E se gostou, manda pros amigos.E se gostou, manda pros amigos. Exatamente.Tem mais.Bora lá. Vou fazer uma uma apresentação do nosso convidado aqui. E eu escrevi um texto só para não me esquecer de falar nada importante. Existe algo curioso no mundo dos negócios. As empresas discutem estratégia, debatem sobre inovação, falam sobre futuro, mas nunca falam sobre as letras que escrevem esse futuro. Tipografia costuma ser tratada como escolha estética, como acabamento e como detalhe. E na verdade tipografia de marca é uma das decisões mais profundas quando a gente fala de identidade de marca. O Fábio vai poder nos explicar porquê, né? E o que a gente precisa se perguntar é se as letras forem silenciosamente uma mensagem muito relevante sobre aquilo que a gente pretende falar sobre a gente, sobre os nossos componente principal de diferenciação, que é a nossa identidade numa identidade num num conceito bem mais profundo do que as pessoas costumam tratar. Fábio foi eleito aí no ano de 2025 no prêmio brasileiro de design promovido pela ABEDesign o BDA, profissional do ano de design, né, categoria destaques do ano, foi diretor de criação dos maiores estúdios globais de Londres, vai falar um pouco sobre isso também.

3:09

Trabalhou para cinco das marcas mais valiosas do mundo e participou dos de um dos maiores dos projetos mais simbólicos da história recente do Brasil, junto com o meu amigo Fred Gelli, que é a tipografia dos Jogos Olímpicos da Rio de 2016. Há 9 anos fundou o Fabio Haag Type, um estúdio que acredita que tipografia não é ornamento, é infraestrutura pras marcas. Hoje ao lado de oito pessoas, certo, Fábio? oito pessoas constrói sistemas tipográficos para grandes marcas como Globo, Itaú, Natura e muitas outras que tem marcas essas, empresas essas que entendem que a diferenciação começa em detalhes às vezes as invisíveis, né? Então, Fábio, seja bem-vindo, se apresenta aí pra galera. Muito obrigado mesmo. Obrigado, Gian, né, Gavis e Gisela, por estarem aqui conversando com nós. Uma ótima surpresa.

4:04

E eu me sinto muito privilegiado, cara. Absurdamente privilegiado, tanto pela forma que a minha carreira foi sendo tomada, né, quando eu começo a olhar e pensar, poxa, trabalhou por realmente eu trabalhei numa das maiores empresas de tipografia do mundo e aprendi muito lá, né, com sede em Londres, que foi a Dalton Maag. Conta um pouco da história do Dalton Maag, porque foiem todo mundo a grande escola, né? Na realidade, a Dalton Maag para mim até hoje ela é uma é a maior empresa de tipografia corporativa independente do mundo, né? Eu tive a sorte de quando o Bruno Mag veio pro Brasil aqui, eu não vou me lembrar, acho que era 2002, era numa Bienal da ADG em que veio o David Carson tambémna uma vez que ele veio de verdade,muitas vezes ele viria e não veio.e teve um workshop com o Bruno Mag, que foi o primeiro workshop de tipografia assim profissional que foram no Senac, eu lembro que foram quatro dias e ali estavam as pessoas que depois iam trabalhar com tipografia muito. O Henrique Nard tava lá, a Priscila Farias, o Billy Bacon do Rio, Fábio Lopes, o Cristian Cruz, era uma galera que assim a gente ficou vidrado, a gente não queria sair pro almoço, a gente não queria sair do computador no final do dia. E depois do workshop, o Bruno voltou para Londres e eu segui desenvolvendo a fonte que eu tinha começado ali. E foi aquele bichinho que mordeu a gente.

5:29

. e que eu passava finais de semana e à noite desenhando fonte, finalizando projetos. E aí eu mandava pro Bruno por e-mail enquanto eu ia desenvolvendo e de tempos em tempos ele respondia até que ele chegou o momento e disse assim: "Esse cara aí no Brasil super pilhado, né, empolgado, que que ele ia achar, talvez de vir para cá para Londres, passar alguns meses com nós, depois voltar pro Brasil e fundar ali um escritório nosso na América Latina? Que que será que ele ia achar? Que que será que ele ia achar? Aí fez cara de blazeria falou: "Vou pensar no".Chegou, chegou um e-mail para mim, né? Isso era 2008,né? Final 2007, na realidade. E aí eu cheguei lá como designer júior, caiu no meu colo um projeto pra Toyota, outro pro McDonald's. E eu cheguei,é que você tava no lugar,duas mesas atrás de mim, tava o criador da Comicans, o Vincent Coner,nossa,que é um excelente engenheiro de fonte.

6:30

Também daria para conversa, a conversa dá paraabrir, né? Mas assim, éramos sete pessoas, quando eu entrei na Dalton Maag, eu fui crescendo, desenvolvendo e no fim, quase 9 anos depois, bom tempo lá, né? quase 9 anos. É, nós éramos 45. Aí eu já tinha virado diretor, tava viajando um monte, tava num ritmo de trabalho bem assim exaustivo, sendo bem sincero. Tava com uma criança pequena em casa, o Vittor tinha nascido e eu lembro que eu viajava bastante, né? E aliado a isso, eu não desenhava mais fonte. Ao mesmo tempo, eu tinha um trabalho dos sonhos. Eu viajava para Londres de três em três meses, com tudo pago. Eu eu fazia parte do board de diretores da Deltomaga. Eu fuientão, mas não desenhava mais, né?

7:17

Não desenhava mais. E aí teve um momento que eu pedi para sair, eu tipo assim, galera, eu não aguento mais. Não vai funcionar mais. Eu era diretor de novos negócios global, né?E aí, porque aí era realmente eu não trabalhava mais, né? Eu fazia só vendas e pensava estratégias de marketing comerciais, dava palestras. E aí eles falaram: "Não, não, não, Fábio, espera, espera aí". E aí eles criaram um cargo para mim que era de deputy creative director, então era tipo braço direito do diretor de criação executivo. E aí eu fiquei mais um ano e pouco ali até sair.Eles criaram uma sobrevida pra sua permanência.Exato. Exato. Mas ao mesmo tempo, eu lembro que eu tinha essas conversas com o meu pai que era contador e ele olhava para mim e dizia: "Mas Fábio, como que tu vai sair? Você não faz o melhor?

8:05

Espera mais uns 5 anos. Faz um pé de meia,né? Espera mais uns 5 anos. Como o pai, eu até entendo ele. Ele tava olhando, filho, você quer sair? Vai, como assim, né? Mas é algo que eu lembro que eu seria, eu tive um projeto que eu, infelizmente, tive que interromper que era no meio, que era do Itaú. Depois, acabou ficando tudo certo, porque até hoje a gente trabalha com o Itaú,mas tava entrando um projeto pro Airbnb. E eu ia ser um diretor de criação designado para ir pra Califórnia, ah, trabalhar lá nisso. Eu falei: "Cara, não, não aguento mais. Nunca vai ter o momento ideal,só para facilitar a decisão, né?Vai ser agora". E aí, às vezes eu penso, poxa, mas o Airbnb, cara, o Brian Chess,era só ter esperado mais um aninho, né?Ele era o único CEO dessas empresas que é formado em design. Eu poderia ter ficado, mas enfim, a vida tem dessas, né? E uma coisa que eu sempre acreditei é muito no nosso emocional, no nosso good feeling, sabe?

9:05

.Tava me dizendo já há tempo que eu era para sair. E aí o que que aconteceu? Então, saí em 2016 e com o sonho de trabalhar sozinho, né? Agora eu vou poder fazer as fontes que eu sempre quis fazer, né? E aí comecei a fazer. A primeira foi a lembra, que era falar tinha a ver com essa coisa do lembrar de como se faz. É muito bom. Mas logo depois eu vi que eu tive também muito privilégio de que eu já trabalhava com todas as grandes empresas de design. Eu já tinha um nome, é um um cartão de visitas enorme, né, da da Automá,foi só trocar.Então o mercado aqui no Brasil ficou muito feliz com a notícia de que eu tava voando solo, porque o valor não ia mais 100 em libra esterlina, ia R$ 100. É,né? Então eu logo tive muitos projetos,o que era bom pro mercado e ruim para você, né? Não, mas era continuava sendo maravilhoso para mim. Continuava sendo maravilhoso porquee embora não foi fácil no início, não, viu? Eu tenho eu também fiz fotografia, nossa, mas enfim, não vamos entrar nessa por enquanto. Talvez um lado B no futuro.

10:14

É bom.E aí quando eu vi, eu tava trabalhando de noite, tava trabalhando final de semana, eu pensei, não faz sentido. E aí eu comecei a contratar pessoas. trouxe primeiro o Henrique, depois a Ana, depois o Du e todos eles tinham já também as suas foundaries, né, as suas empresas de tipografia. E eu também não tinha o certo quanto trabalho que a gente ia ter. E eu desde o início estruturei a empresa para ser, basicamente a gente é bemQue ano foi isso?É egoísta. 2016.16.Esse ano a gente vai fazer 10 anos. Foi quando você foi fazer uma uma palestra lá pra gente lá noAh, eu não lembro quando que foi isso, mas foi antes.Chamou ele para fazer uma umaFoi antes. Foi na época da Dalomag, porque eu lembro que a gente até escreveu um artigo pra revista.Ah, é verdade.na Bedes?

11:02

Não,não, na Pand.Na Pand,não tava mais.Acho que tava. Você sabe 2018,enfim. e quando eu vi eu logo quis estruturar a empresa como sendo um lugar em que as pessoas apaixonadas por Type possam viver disso de forma calma. E isso nos norteia até hoje. Eu fico tão feliz que a gente cresceu, cresceu, cresceu. Teve um ano que a gente deu prejuízo, foi muito curioso assim, depois de crescer vários, tipo 60%, 40%, aí deu um prejuízo e eu pensei: "Opa, que coisa complicada". E aí, então, a gente contratou uma consultoria de gestão para nos ajudar, porque um dos meus maiores medos ia ser que esse modelo mais humano não desse certo e me render a um mercado assim, cara, a gente tem querealmente se matar, eu realmente não acreditaria nisso.

11:56

Então, no fim deu tudo certo. Teve aquele ano a gente e aí isso também é uma outra conversa, né? a gente profissionalizou a gestão, porque a gente como designer não é treinado para isso e e felizmente estamos crescendo bastante de forma estável e conseguindo viver de forma calma, fazendo tipografia no Brasil, trabalhando para as maiores empresas. Se vocês pegarem o ranking da Interbrand, as marcas mais valiosas do Brasil, metade são clientes nossos..E a gente trabalha muito com essa ideia de fontes para marcas. Toda letra que a gente desenha, ela tem como intuito aumentar o valor de marca. a gente realmente vê isso como um ativo e isso deu um match no mercado, inclusive a gente vê no mundo, né? E me corrijam e por favor colaborem, mas eu vejo que cada vez mais a gente tá voltando de uma de uma época em que a gente tinha muita eficiência, né? Sistemas de de entidade visual muito feitos quase que por melhores práticas, né? É assim, asséptico, sem graça. E agora a gente vê serifas voltando, expressividade, cor, animação,ritmo de letras,ritmo, coisas assim muito ousadasque tem a ver com a distinção, né? Se a gente for pegar qualquer metodologia de mensuração de marca, eles vão dizer: "Cara, precisa ser distinto, precisa ser diferente, precisa ter algo ali que vá realmente chamar atenção". E a tipografia, como ela tá ali vestindo cada palavra que aé maravilhosoque a não só a marca, mas toda a comunicação tem. A tipografia também tem um outro elemento que tá nesses relatórios de mensuração de marca, que é a consistência.

13:30

.Tem que ter distinção, mas tem que ter consistência. Não importa onde a pessoa morinção que tem que criar uma certa identidade, né? Exato. Exato. E a tipografia, se for distinta, se for expressiva e for sempre usada de forma correta, idenade,ela carrega às vezes uma identidade inteira,né? Entãoeu queria pegar um gancho nisso que você falou. Eu tava assistindo hoje, como eu te disse hoje de manhã, os os vídeos do teu Instagram, que eu acho que quem não segue, por favor, siga Fábio Rag no Instagram, porque ele tem lá algumas reflexões, às vezes até profundas, né? Mais profundas do que a tipografia. É,e que vale a pena, né, seguir, é um conteúdo que vale a pena. E você tava falando lá sobre os fios de cabelo branco, né? que traz, né, não é sobre cabelo, a reflexão, traz a reflexão do desafio do limite do conhecimento, né? Quando você tá há muito tempo numa profissão, quando o conhecimento ele é potência e quando o conhecimento se torna limite, ou seja, ele te incapacita de perceber o que de fato constrói valor. E aí eu lembrei disso na tua fala, porque quando tudo tá muito asséptico, aquilo que é diferente se sobressai e aquilo que se sobressai tem mais potência para criar identidade. já quando tá tudo desse jeito, aquilo que é asséptico talvez traga um componente diferencial, etc.

14:59

Então, eu queria que você falasse sobre as duas coisas, né? Primeiro sobre esse desafio do limite do conhecimento, que você fala muito bem ali. e depois também transfere isso para esses desafios de identidade, tipografia. Como é que você lidar com essa diferença de cenários? Nossa, perfeito. E a gente pode falar muito sobre isso, porque eu acho que tem dois aspectos muito grandes, assim, um deles é tendo aprendido Type Design na escola quase suíça, né, que é o Bruno Magara suíço.E eu lembro que tinha um, era um gentleman, o Ron Carpenter, que era um senhorzinho que cuidava de toda a parte de educação. E o Ron era um uma pessoa assim sensacional, mas ele tinha um olho, ele via assim, ó, a distância, se tivesse uma unidade fora do do lugar, ele percebia.

15:48

E o Ron, ele, eu, eu cresci com essa tendência de refinamento quase que extremo, de se debruçar sobre uma letra e imprimir ela e virar ela de ponta cabeça e e fazer um a cada curva ter um um refinamento máximo que no fim vai ser isso que você chamou de asséptico, né? Então eu cresci muito com isso, aprendi muito com isso e eu percebi que no mercado a gente hoje vive uma época que eu vivia na minha juventude, que era a época do David Carson..Que era o Grunge, que era a distinção, né? que era com a o início do desktop publishing, todas as possibilidades que a tecnologia permitiu a gente bagunçar com o layout, sujar com o layout, distorcer fotos, distorcer e deu toda uma coisa que me que me deu me deu inclusive um diferencial. Eu lembro até fazendo um parêntese, um dos motivos pelo qual o Bruno me contratou, ele falou assim: "Eu lembro que eu trabalhava na Verde com o Mário Verde conversou antes. Um abraço pro Mário saudoso antigo chefe."Eu fiz um logotipo que a base da letra tinha serifas e o topo, a altura de X não tinha serifas e o Bruno olhou meio a meio,o Bruno híbrido e o Bruno e o Bruno me respondeu lá da da Inglaterra. Ele falou: "Cara, vocês têm uma habilidade de quebrar as regras que a gente não tem.

17:10

E na minha cabeça, as regras, eu nem sabia diria que isso era uma regra", entendeu?Mas na escola suíça lá do Bruno, do Ron, aquilo era impensável. Então, a nossa habilidade às vezes de a nossa ignorânciaacabou se tornando uma vantagem competitiva, né? Então, o que que acontece mais recentemente? Eu tenho visto que a gente tá vivendo esse momento, esse vídeo que você trouxe, eu lembro que eu tava lendo a série de livros do do Edward Louis..Eu não lembro qual é a fonte que tem, mas eu olhava a capa da a fonte de títulos e ela tem todos os defeitosque um iniciante em type design iria cometer e que o Ron iria, toda a escola de treinamento do Ron iria endereçar cada um daqueles erros. Então eu entrava naquele conflito, mas isso aqui está errado. Ao mesmo tempo, isso aqui tá lindo. Isso aqui está materializado na minha frente.

18:06

Não. E ao mesmo tempo o título, o título do livro é mudar, né? Provoca.Exatamente. Exatamente. É mudar, né? E e aí eu tinha, eu poderia falar várias outras coisas que a gente fazia na época do Ron, que hoje não se faz mais de refinamento. Por exemplo, quando a gente faz fontes em outros sistemas de escrita, que a gente faz com a habitual frequência grego e cirílico, né, que é pra Rússia, falar rapidinho, que são derivados na o nosso latino, todos são derivados do grego, mas na automaga, eu aprendi que a altura de X no cirílico, que é o russo, a gente tem sempre tinha que fazer um pouquinho mais maior, porque o cirílico tem muitas letras quadradas, então a percepção geral é de que ficava menor, então a gente aumentava. Hoje não se faz isso. Eu vou contratar uma consultora de cirílico nativa lá da Rússia. Ela vai dizer: "Não, a gente não faz mais assim porque vai complicar o a altura de X no pixel do hinting da tela". Então isso já se deixou de ser uma coisa. No grego a gente tem o Omicron, que é que é igual ao nosso O latino, mas como o grego tem muitas letras redondas na escola do Ron, na Suíça, a gente fazia o O, o Omicron, que é o O grego, um pouquinho mais condensado,porque senão a percepção visual é de que era tudo muito arredondado.

19:23

Só que essas nuances hoje já se economiza a bytes usando o mesmo o O latino. Então essas são reflexões que eu acho que a gente poderia ter. Tem o type design, ele é meio que que cruel às vezes, porque a gente é quase que premiado por ser muito rigoroso, só que isso acaba virando uma maldição. Eu se de vários type designers que cresceram, amadureceram, hoje tem 60 anos e eles olham para isso que a geração tá fazendo com um ranço e com raiva e com um olhar cínico.E eu não quero estar nesse lugar. Então eu logo faz para fugir disso,não é? Eu acho que em primeiro lugar é tá consciente disso. Eu vou brigar com o livro que tá na minha frente,não. Eu vou tentar aprender e perceber que na realidade a gente pode conectar isso com uma série de movimentos que a gente tem visto, né? E me, por favor,me corrijam, mas a gente tem visto um uma busca pela imperfeição,a busca pelo artesanal, uma busca pelo mais legítimo, pelo mais humano, né? que eu acho que vem de fato desde a gente virou aquela página das marcas serem todas iguais, mas também tem um outro elemento que a gente pode falar que eu acho que vem da execução com inteligência artificial de um monte de materiais que estão saindo que são na realidade hã médias de várias outras coisas e são na prática, a execução vem acima de tudo, né? parece que tá se executandomais numa velocidade antes impensávele a gente tá buscando um pouquinho de erro, um pouquinho de sujeira, um pouquinho de humano, uma coisa que uma máquina não vai fazer. É,você busca traços da identidade humana

21:07

Num texto que às vezes ele parece humano, né? E acompanhando BDA, nós vimos essa e até o próprio pessoal do IF quando vem para cá marca conosco ali na na AB Design, porque eles falam que os projetos brasileiros têm muito craft, né? os projetos europeus eles são muito aquela história de boas práticas ou seguir ali quase um um modelo gráfico ali, um design system de sistemas, né? iOS, Android e tal. Então, acaba ficando muito parecido. E aí agora parece que a gente se deu bem, né, ao Brasil, porque já tem essa fluidez, já tem o craft muito incorporado e isso agoravirou hábito já, né?

22:03

É, é, virou hábito.Arrisca mais, né? Talvez.É. E e agora também tem uma busca das marcas como contraponto da inteligência artificial. Então, sabe, tem uma, a gente tá no momento, né? O Brasil ficou legal também no design.Vou trazer um outro conteúdo que você colocou lá falando da sua, a sua história da conversa que você teve com o rapaz da Índia lá, com o cliente da Índia.Achei ótimo.Não, e eu achei interessante a reflexão porque e aí eu vou con que eu pensei nisso, né? Porque você tava falando sobre a capacidade que a inteligência artificial traz para as pessoas produzirem conteúdos que antes eram era um limite, né? né? Então eu tenho dificuldade de escrever, putz, eu tenho a ideia, mas eu não consigo escrever um texto, né? Eu tenho dificuldade de transferir aquilo para um texto. Hoje em dia já não, só os preguiçosos não estão fazendo nada. Então você dá uma escala pra produção de conteúdo que às vezes você passa a olhar pro conteúdo com uma outra uma outra lente, né, como a gente diz aqui. E o que você disse ali é meio isso, né? Pô, eu fico me perguntando, será que isso que eu tô fazendo num blog, né, falando sobre correr com fone de ouvidos, é um conteúdo sobre o meu negócio? E você vê que é, né, às vezes é um diferencial, desse barulho todo, né? É muito louco isso, Gan até para para contextualizar, né? Eu tava num conta a história, né? Eu tava num numa reunião, numa reunião com um cliente final, um prospect. Na realidade a gente tá quase fechando o projeto e a agência com a qual a gente já trabalha há bastante tempo, falou: "Olha, Fábio, eles querem marcar uma reunião para conhecer vocês".

23:35

Cliente de fora do Brasil,o cliente de fora lá da Índia, uma reunião bem cedinho da manhã em que a gente sempre fica um pouco tenso, né? Porque tem uma barreira cultural, né? Eles, o negócio tá praticamente fechado, mas eles querem nos conhecer para ver, a gente já fica, né? E aí o cara, cliente final, começa a falar dizendo que leu no meu blog um post que eu falo sobre correr sem fones de ouvido, que era uma reflexão muito pessoal que eu eu gosto de correr sem fones para ficar só com a minha cabeça. E aí eu tava passando pelas pessoas correndo, tá todo mundo de fone, né? E a gente parece que ficapoxa, mas fica estranho, né? Será que eu devia est escutando mais um podcast? que devia est produtizando meu tempo nessa correria. Então eu escrevi um post super despretencioso sobre isso e o curioso foi que nessa reunião com o cara lá da Índia, ele começa a reunião falando que se relacionou com isso, que ele também faz isso.

24:38

E aí eu falei: "Não, pera aí, porque eu me emocionei, me arrepiei". E realmente é foi uma coisa muito emocionante, surpreendente. E aí eu tô também nessa briga de as pessoas sempre muitas me dizem que gostam dos meus vídeos, meus conteúdos e eu nunca me vi como um criador de conteúdo, porque esse criar conteúdo pressupõe isso. O meu trabalho é parece que executar coisa, criar conteúdo é dar saída em coisas.Parece que gera uma pressão adicional. Então, ao mesmo tem muitas pessoas próximas a mim disseram: "Fábio, você sabe um monte, pô, liga a câmera, começa a falar, mas eu não sei como fos eu tenho uma dificuldade, né? Parece fácil o vídeo, mas ele demora para sair um monte".Então, eu fiz vários vídeos ano passado e tal e geralmente escrevia, alguns viravam um vídeo, outros não, mas eu ainda não sei direito o que fazer com isso. Mas todo mundo me disse: "Fá continua fazendo, gente, mas dói? Eu não sei mais. Eu acho que eu já escrevi tudo que eu tinha que escrever. Eu já não sei mais o que falar. Mas aí vem coisas assim que me fazem lembrar que na realidade a gente tem que ser nós mesmos.

25:48

É isso. A genteeu ia dizer isso quando você falou do cara da Índia, né? Você falou que, desculpa te interromper, mas você disse e a gente sempre fica numa tensãoe olha que loucura isso, né? A gente sempre fica numa tensão ao falar com alguém, como é que eu vou ser eu?Exato.Olha, olha que loucura. Como é que eu posso ser muito eu para ele perceber quem sou eu? né? É isso.E aí você fica tentando não ser você e aí você perde a oportunidade de ser você mesmo.Isso, cara, isso é lindo, né? Isso é lindo porque no fim das contas é o que realmente vai ser genuíno e e valoroso no final das contas. Mas eu acho que a reflexão que a gente aí tem que fazer, que para mim eu fico sempre pensando, é, cara, vou fazer o que eu tiver afim e azar. Esquece tendência, esquece jeito, o que que é moda, o que que é tendência.

26:40

E aí depois e eu pensei também, cara, você foi selecionado profissional do ano sem síndrome do impostor. Vai já, tipo, chega,vaifaz do jeito que for. Eu acho que essa também sejae não foi por gente fraca, viu? E até Obrigado. Obrigado.E eu até acho que isso fica uma mensagem para todo mundo, né? Porque também eu vejo que tá todo mundo de saco cheio das redes sociais e de conteúdo. Eu até brinco quea galera fica louca comigo, mas eu digo assim, cara, vontade de fechar todas as redes,só ter um post lá dizendo assim: "Galera, quer nos seguir? Assina a nossa newsleter que vai voltar inclusive".Ah, que legal.mas para um ambiente fechado em que a gente tenha maior controle, que a gente não dependa de plataformas, né? Mas falaram: "Fá, mas você precisa tem um problema" e aí estudando um pouquinho sobre isso, né? Tem plataformas sociais, né? Tem as plataformas sociais e tem essas de algoritmo, né? O problema da plataforma fechada da minha newsleter que a as pessoas não vão nos descobrir,não chega.

27:44

A gente tem que usar as redes sociais que entrega só para 10% do nosso públicopara indicar algumas pessoas e depois o nosso trabalho vai ser mover elas, trazer elas para esse ambiente mais controlado.E aí a qualidade, desculpa, quer falar? Não, eu ia falar que a qualidade passa a criar um efeito, porque a partir do momento em que eu ouço o que você disse e você me faz refletir, eu vou dizer: "Puta, G, você já viu que o Fábio" porque já veio gente da agênciada Pand de conversar comigo, a Camila chegou um dia para mim, falou: "Puta, você segue o Fábio?" Eu falei: "Sigo". Eles falam umas coisas tão incríveis, me faz pensar, me faz muito longe, que é o que faz falta, né? E tem pouca gente jogando a gente para dentro de volta, né? É, tá todo mundo jogando a gente para fora para olhar o que tá acontecendoe e as pessoasnão estão jogando as pessoas para dentroe querendo vender curso e vender coisas.

28:35

E poxa, cara, a gente tem que por isso eu acho que o grande detalhe é a gente fazer o que a gente quer fazer da forma que a gente tá mais confortável fazendo. E o Setf Golden fala muito isso, né? Do work that matters for people who care, né? né? Ao invés de tentar, vamos fazer o nosso trabalho e a gente vai encontrar as pessoas na qual isso vai bater, isso vai ressoar e elas podem ser poucas, mas com o tempo elas vão ser as que vão ficar.É isso. Você fala ass perguntar. É, não te perguntar com base nisso que a gente tá conversando, que eu vejo que falta muito no universo da, tipo, esse esse espaço de conversa assim, sempre eu vou puxar pro meu lado, né, de formaçãoda galera novaque eu vejo que eles não têm el assim, a não ser seguir alguém um espaço de conversa, porque eu vi você falandopara se apaixonar pelo tema.

29:29

É, e tem a discussão e que nem você falou, ah, aí eu conversava com Ron e aí o Ron, né? É, não tem esse espaço, né? E aí fica assim, restrito à rede social, mas como que você faz isso? Como que você imagina que você pode expandir isso que não seja só pelas redes sociais, disponibilizar maispara esse tema, porque é isso, as pessoas não entendem. E eu brinco assim, o dia que eu entendi foi antes e depois de entender o que que era a tipografia. E eu tive uma, né, assim, um privilégio de estar com o Cláudio que fui aprendendo muito. E o Cláudio querido, um beijo para você.Não, e tem um aspecto importante desse desse educar, né, Steve Jobs, que é um dos caras maisrenomados no mundo do empreendedorismo, dos negócios e etc. Ele diz: "A minha vida virou ao contrário a partir do momento que eu fiz uma aula de tipografia e eu entendi o que que aquilo significava, né? É o curso de caligrafia, era a disciplina optativa de caligrafia. E de novo uma coisa porque ele queria fazer, não porque o mercado apontava aquilo como sendo. É, é isso.

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Exato.É ser genuíno, né? É ser autêntico.Mas esse espaço, como você vê a possibilidade de abrir esse espaço?É, é um grande problema. E eu realmente fico, fico triste de não conseguir fazer isso, porque na prática a gente precisava tá junto, né? junto, eu digo, no ombro da pessoa, mostrando ali, né? E hoje a gente não tem esse espaço, a gente tá muito espalhado assim, mas a maioria de nós ainda tá em Porto Alegre, então a gente tem uma sala lá que é o Instituto Caldeira, que é um grande hub, tipo cubo,então a gente se encontra lá duas vezes por semana. E aí, por exemplo, aí a gente tem essa troca, até tem uma uma aluna da PUC lá de Porto Alegre que eu vi o trabalho, o TCC dela, achei maravilhoso e já pegamos ela debaixo do braço, uma vez por semana ela vai lá trocar pra gente tá ajudando ela a finalizar a fonte dela. Aqui é isso que deveria acontecer, só que é difícil de escalar. Então eu não sei como fazer isso. Eu tenho, por exemplo, tenho um curso meu na doméstica que eu recomendo.

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É, infelizmente um jabá, mas assim,o curso da doméstica, tipo, ele deve custar tipo R$ 20, é uma coisa queMas ali eu coloquei muita energia, muita dedicação, muito do que eu sei sobre,e não é sobre desenhar fontes, tá? é sobre tipografia no sentido de como escolher fontes. E para saber escolher fontes, eu passo pela história, técnica, argumentação com o cliente. mas voltando à sua pergunta, eu quero chegar no momento da vida em que eu ainda tô muito preso na operação e a gente tem uma desvantagem que para nós é uma vantagem, mas também é uma desvantagem que a gente é uma empresa calma. a gente trabalha no máximo 5 horas focadas por dia, até a gente pode ter falar mais sobre isso depois.

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.Mas ao fazer isso, eu preciso abrir mão de uma série de outras coisas. Eu digo não por muitas oportunidades de podcasts, de de outras coisas, de palestras e eventos que que eu poderia estar fazendo para ter mais visibilidade, mas eu seleciono muito bem. Infelizmente a gente precisa dizer não. E mas eu quero chegar num eu tenho trabalhado já para estruturar uma equipe, uma empresa em que eu vou saindo da operação. E eu quero chegar da mesma forma que você Gisela hoje vai ser presidente da AB Design. Eu poder chegar e dizer: "Galera, dois dias de semana eu tô aí livre, vamos pensar como é que eu eu vou estar à disposição. Eu acho que eu quero trabalhar para chegar.Então vou botar um desafio aqui na mesa. Desafio para nós dois, os três, né? Na verdade, a gente tá querendo fazer uns formatos diferentes do podcast, sair um pouco daqui da mesa e ir um pouco pra rua, né? Vamos marcar um dia da gente gravar, um dia desses encontros aí para explicar para as pessoas o que que é o mundo da tipografia, né? Como é que como é que é o processo de pensar a tipografia de um projeto específico.

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Vamos pegar um projeto que vocês já tenham feito e e botar teu time ali para discutir e contar um pouco dessa história de bastidores que eu acho que faz sentido pras pessoas.Precisa contar sim. Não, e assim muito inspirador, né? Eu vejo os meus alunos, você e todas e principalmente quem é apaixonado por isso, mas não só pensando nisso, pensando no lado mesmo de crescer o mercado, dessas pessoas poderem, porque elas têm que optar e elas são apaixonadas, sabe? Mas elas, o que eu vou vou falar pro meu pai que eu vou ser ele.Mas é estranho, sabe, dea aí eu tô sendo, talvez eu seja,porque eu também sinto e não me entendam errado, mas o e o design tipográfico, eu digo, não me entendo errado, ele não é para qualquer um, no sentido de você precisa ser meio compulsivo, obsessivo, de só trabalhar com preto e branco horas focadas numa letra. Então, nesse sentido, eu vejo quee o pior de tudo, sentir prazer nisso, né?

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Sentir prazer nisso. A gente entra naquele estado de fluxo clássico que falam, para mim maravilhoso. Eu sei que a minha galera também sente isso e é incrível. E a gente até fecha e-mail, não tem WhatsApp, a galera pode realmente focar e mas não é todo mundo. E eu, poxa, eu consegui fazer isso numa época que não tinha internet assim direito, não tinha. eu lembro que existia um fórum de discussão que era o Typo File em inglês, que era muito legal, que era um era um fórum em que a gente mandava as fontes e profissionais de fora revisa, davam tipo uma comunidade de Orcut, mais ou menos. e tinha também a lista de tipografia no Brasil, que era uma lista por e-mail de tipografia. Mas eu tendo a dizer que as pessoas que querem, elas meio que vão achar um jeito de se embrenhar e isso é quase como uma, sei lá, um filtro. E aí que, por favor, não me entendem mal, não é questão de de controlar mercado, mas é uma coisa que realmente não é para qualquer um, mas para quem for.

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Essa profissional, por exemplo, é uma estudante da PUC, né, que tá que tá, ela fez um TCC que ela gosta de coreano e ela fez o alfabeto hangul, que são sei quantos mil caracteres. E aí a professora dela, orientadora do TCC, diz: "Não, você não precisa fazer isso tudo não vai ser humanamente possível". E aí ela pediu demissão do do emprego que ela tinha por causa disse, ela ia realmente fazer todos os É isso. É alguém que você encontra e diz: "Não, OK, essa pessoa tem,ela vai ter designer,sabe? E aí ela vai, ela vai ser independente de qualquer outra condição.Mas o que eu diria para quem tá interessado, cara, tem muita opção, desde cursos, de conteúdos gratuitos, de documentários online. E o que eu mais recomendo é: façam, comecem uma tipografia, tá? Todo designer gráfico, inclusive começa a desenhar uma tipografia, não para você explica um pouco pro lego, né? Tem muita gente que assiste o nosso podcast que não é do mundo do design, né? Muito empresário. A gente recebe um monte de mensagem de gente que é de outros lugares e que curte esse conteúdo. Explica pras pessoas o que que é um o que que é a atividade de se desenhar uma letra. Como é que como é que isso acontece?

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Ótimo. Dia e a gente esquece, né? Brincava que a gente faz fontes, né? Você tá num círculo, sei lá, num aniversário, conhecendo pessoas, pessoas fontes, mas como assim? Chafar de jardim, né? um xafaris, um anjinho fazendo xixie e não, então a gente desenha letras específicas para marcas, né? Horas para pro logotipo em si, horas paraa fonte que vai estar na interface do app, do site, em toda a comunicação visual, fontes específicas e exclusivas que as marcas vão adotar e vão ser inclusive donas, né, e proprietárias disso, né? E só por a gente poder viver disso, cara, eu já acho que a gente é muito privilegiado, viu?No oito pessoas vivendo disso no Brasil, fazendo o que a gente gosta. Mas h enfim, existe demanda, né? É porque dá retorno, né? Inclusive tem pesquisas que mostram realmente o retorno que a tipografia tem vários, tem vários tipos que a gente pode cruzar, né? tem tanto sobre a percepção visual de que a gente qualquer forma gráfica, ela transmite alguma coisa, né? Desde os cantinhos arredondados que lembram uma coisa suave, porque a gente tem, né, nos nossos sentidos eles são todos entrelaçados, né? A guestal, né?

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É, a gente vê, sei lá, um cantinho, a gente imagina como é tocar aquilo. Então, uma coisa pontuda vai ser mais agressiva, uma coisa mais suave é mais soft. Daí também tem uma série de outros conceitos que são desencadeados, né? tem o efeito bobo aqui que, né?Então, tem isso do ponto de vista de representação visual. Então, não importa a fonte que a gente for escrever uma mensagem, imagina a fonte como aquela roupa que as letras vão vestir. Aquelas letras já estão comunicando mesmo antes da pessoa ler. Se vai ser uma fonte script, ela vai ser uma coisa, se ela vai ter contraste, né, grosso e fino, ela pode ser mais sofisticada, ela pode ser infantil. Então, a gente não consegue não comunicar. Em paralelo a isso, a gente tem algumas pesquisas mais recentes do Mark Ritson, que é um professor de marketing australiano fantástico. Ele deu umafoi em CIS,ele deu essa palestra em Canis, né? Ele fez uma pesquisa em que ele até cruzou dois bancos de dados, né? O F Awards, que é um prêmio de de de design e marketing..

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Com um outro banco de dados que uma outra premiação que eu me esqueci, eu acho que é o System One, que ela avalia o retorno sobre investimento dos projetos de design.Nossa. E aí ele conseguiu cruzar e fez uma pesquisa que chama The Creative Dividend, né, o dividendo criativo, em que ele vai argumentar. E ele, cara, ele fez, vale pesquisar baixado do site oficial dele, né, para ah, em que ele ele tem vários insites que eles tm dali. Um é que quanto mais consistente a comunicação, maior é o retorno sobre o investimento. E um outro, ele compara o que no marketing se chama de fluência, que vocês vão logo reconhecer, que é essa habilidade que a gente tem de identificar que marca tá falando..Logo no início de um comercial. Então, nesse caso específico, ele analisou vídeos, tanto comerciais, né, tanto de TV, na TV aberta e fechada, mas também anúncios e online, né, em comerciais.

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Essa habilidade de começou o anúncio, saquei quem é a marca, né? Porque antigamente, vocês lembram, até sou formado em publicidade,às vezes tinham anúncios incríveis, no fim a marca assinava lá no fim e você nem sabia quem era a marca que tava só só lembrava da sacada do anúncio,lembrava.Então isso é péssimo pra marca, né? E aí ele tem uma pesquisa em que ele analisa os códigos visuais, não, aliás, os códigosque mais geram os tipos de fluência. Então a cor, o slogan, o desenho da marca, ter personagem, dispositivos sônicos, né, sonoros. E ele descobre que a tipografia tá lá no meio. A tipografia é inclusive mais importante para criar fluência do que a cor. E quando eu vi essa essa essa pesquisa, eu falei: "Cara, eu preciso falar disso". Como assim? Exato.

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Porque a a tipografia ela tá ali dando voz em cada palavra que a marca fala. Então, qualquer coisa que tá dando na tela, se a fonte for proprietária, ela vai logo gerar reconhecimento. E as marcas sabem disso. Tanto que se for pegar também a pesquisa da Interbrand Global, das marcas mais valiosas, todas as 10 tem fontes feitas próprias para elas..Todas as 10, 100%.Pegando o gancho nesse nesse tema que você trouxe, como é que faz para convencer? Eu tô falando isso porque eu vi eu vivo isso o tempo todo, né? E e euComo que explica? Tenho uma solução, né? Eu preciso trazer o Fábio sempre junto comigo porque é mais fácil de explicar o porquê. Como é que convence um cliente a pagar por uma fonte proprietária, né? Sendo que ele tem tanta opção de fonte gratuita aos milhões hoje em dia, né?

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É, é, essa é um ótimo ponto, Gia. E eu até eu sou bem sincero, acho também isso ajuda, porque eu inclusive escrevi um outro texto que era dizia assim: "Talvez você não deva comprar fontes". Que parece um tiro no pé, né? Mas novamente eu sou sincero, eu digo assim, eu começo falando que, por exemplo, para uma startup, para alguém que tá testando um modelo de negócio,não gasto dinheiro,não faz o menor sentido investir, gastar dinheiro em tipografia. Vamos imaginar qualquer empresa, qualquer cliente, ele vai ter algumas várias decisões, obviamente, mas em relação à tipografia, ele pode ou usar uma fonte do Google, que ela é open source, ela é facilmente disponível, ela tecnicamente passa lá todos os testes, tem o Google ali por trás entregando ela pra web e tem uma série de fontes lá para todos os tipos de gostos de graça. Tem as fontes que são licenciadas daí de diferentes empresas que o cliente vai pagar muito ou mais que já existem. E tem por fim das contas o carro de luxo que é ter a sua fonte proprietária.

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Eu gosto de dizer que para quem tá testando modelo de negócio, não, a fonte. Se o teu modelo de negócio depende da fonte para dar certo, ele não dá certo. Tem algo errado. Então a empresa vai mudar de de foco, né, de Então não vale a pena. Começa usando uma fonte do Google. Mas as necessidades de,mas escolhe uma boa fonte, pelo menos.Claro, claro. Mas aí é curioso. E aí também a gente pode imaginar que no início, olha como é comp, olha como é bom não ter certezas absolutas e olha como é bom tambémeu me contradizer.Talvez no início a empresa não precise de distinção.É uma coisa que a gente via muito nas embalagens. Por exemplo, eu tô montando uma startup e eu quero competir nesse segmento, eu vou me vestir como desse mesmo grupinho.

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Então, eu vou adotar códigos visuais e as fontes iguais a do líder e do segundo líder, talvez. Basicamente para dizer assim, ó, me considerem, sou dessa turma.Ou até porque a uma identidade distintiva pode esconder uma falta de distinção no próprio negócio, né? Você pode ter uma identidade tão potenteque o negócio é não legítimo. Ex. É, não legítimo,mas é isso que é interessante, depende do do estágio da empresa. Então eu gosto de dizer, quanto mais a necessidade de comunicação vai se sofisticando, quanto mais é bem isso, quanto mais concorrentes a empresa tem, ela vai precisando melhorar, como é que eu posso dizer? Hã,refinar os seus refinar todos os componentes da identidade, né? ela começa a profissionalizar o site, a marca, começa a ficar atenta e essas coisas começam a ser necessárias. E à medida disso é que ele vai precisando, porque poxa, uma fonte do Google, ela pode dar muito certo ali no início, mas o seu concorrente pode usar a mesma fonte. A gente tem lá no Sul dois bancos grandes que usam a mesma fonte do Google.

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É muito, não tem como construir marca se a gente sabe a importância mensurável da marca para gerar valor pro negócio.É que também não não dá pra gente colocar criar uma regra geral, né?Porque muitas vezes uma startup tá fazendo um trabalho que ele tá ele ainda tá testando o mercado, vai p voltar e aquilo que se foi, aquilo que é não vai ser. Então deve mudar.Exato.Mas ao mesmo tempo que também pode ser uma escolha já iniciar com uma percepção de diferenciação, refinamento. Então tem gostaria.É, é um é um instrumento, é uma ferramenta que você pode usar, se bem usada pode gerar um efeito. É,mas não necessariamente ele precisa. Eu acho que esse é o ponto, porque daí quando eu digo isso pras pessoas, elas também começam a me levar a sério quando eu digo quando eu digo que precisa.

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E eu justifico isso, né? Porque tem a ver com a sua necessidade. Eu gosto de dizer, cara, tem uma uma padaria numa praia lá no sul que tem o pão, gente, vocês vocês não vão acreditar, mas é o melhor pãozinho, pão pão francês, né? Lá no Sul a gente chama, né? Cacetinho. A gente não tenho vergonha nenhuma em dizer.E sem mentira. No verão a gente fica mais de uma hora na fila para esperar o pão. Tem várias outras padarias ao redor, mas aquela ali eu pego um livro e fico na fila e as pessoas estão felizes. A gente fica amigo das pessoas.A fila faz parte da experiência.A fila faz parte da experiência. Chega láela demora porque tu sai tanto pãozinho e aí o que que acontece? Ele vem sempre quentinho. Eu eu volto a pé, vou comendo um no caminho. Ele é maravilhoso. E eu digo, essa padaria ela não precisa nem ter uma marca, ela não precisa nem ter uma placa que as pessoas vão todo veraneio fazer fila,entendeu? Porque o produto dela,ela já tem uma marca, ela não precisa de um símbolo gráfico paraO produto dela, ela tá quase tão lá atrás, né? No sentido de o produto dela é inigualável, né? Vamos mostrar da onde que surge a evolução do branding, né? O produto dela é incrível, mas ela é raríssimo ter isso, né? Então ela não precisa nem ter marca, ela não precisa nada disso. Mas à medida em que, sei lá, se abrisse o outro pãozinho ali, um outro pão muito parecido do lado, ela ia ter que começar a prestar atenção em atendimento, em preço, em em enfim, em tudo isso. E aí a gente vai chegando no nível muito de grandes empresas em que eles precisam de fato otimizar cada ponto de contato, cada detalhe numa

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Escala muito grande, gera resultados muito grandes. Então hoje a gente trabalha para Natura, Itaú, Magalu, Tótus, Globo, cada ponto de interação deles precisa ser muito bem pensado. Então, a gente tá nesse nível, mas não é todo mundo que precisa ter essa sua fonte proprietária nesse nível. Eu acho que vai depender das necessidades de cada um e na jornada empreendedora de cada empresa.Mas, mas que triste esse olhar. Eu fiquei triste porque você só precisa ter cuidado, carinho e atenção para diferenciar o competitivo.Não entendi. Desculpa.Boa pergunta. Não,não. Ele tá dizendo assim: "será que eu só preciso de elementos de identidade quando eu quero competir com alguém? Ou a identidade ela pode ser tratada?

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Pode ser só carinho?É uma boa, é uma boa pergunta. Uma boa pergunta.Pode ser só carinho, né? Consigo mesmo, né? É, mas é que normalmente no mundo onde a competição é a regra, onde a escassez é o ambiente mais aí é uma ferramenta énecessária,é o é o aspecto mais importante.Mas é uma boa reflexão. Gostei dela. É, não, mas eu também eu tava pensando nisso porque você vê, a maioria das empresas que você fala são empresas que já estão nesse nível, que elas precisam muito de diferenciação e tentando se provar. E por isso você tá com esses clientes,porque eles já entenderam e faz a última é uma ponta da da história, né? Eu preciso, ó, preciso até mudar a minha letra para que eu seja reconhecida e e escri valor, etc, etc. Mas eu fico, como eu lido com startup também, eu fico pensando essa coisa assim, mas é que não tem uma regra do que você tá falando, né? É a jornada de cada um. Porque eu lembro que eu visitei o Airbnbe a eu não sei se já foi lá e você viu aquele muro, eu fui na sede.

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Legal.E eles têm a primeira coisa que você vê todo o projeto de identidade. E aí agoraé e é um é uma parede inteira que vai explicando cada letra, cada desenho, porque o cara era isso, mas ele já saiu na largada. E a primeira coisa que você entra na empresa tem um uma parede gigante com todo o projeto, tudo, todas as experimentações foram feitas e tal e isso faz parte dessa história, sabe assim? Então,é lindo, é lindo.Mas eu queria te pedir uma dica.É, mas aí não tem uma regra, aproveitando que você é o especialista e você tem o repertório, né? Eu brinquei na na minha introdução dessa pergunta dizendo que eu já tenho a resposta para mim, né? Para eu vender tipografia para meus clientes, eu preciso do Fábio junto comigo, porque com o Fábio falando do jeito que ele fala. E eu até entendi porque que o Dalton te colocou como líder global, né, de negócios, porque é um talento você ter o repertório para poder combater todos os argumentos, inclusive dizer: "Você tem razão".

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Quando a pessoa diz o contrário do que você tá dizendo, você precisa ter muita autoestima para poder dizer: "Não, você tem razão, né?" mas a a me ajuda aí, porque assim, a gente, né, o Gaps sabe disso, a também eu costumo dizer pro time lá da agência, falou assim, vocês amam trabalhar para marcas muito conhecidas e eu amo trabalhar para as marcas que serão conhecidas nos próximos 20 anos. Por quê? Porque eu quero a responsabilidade de ter participado dessa história, né?Maravilhoso.E essas marcas, né? E são empresas,desafios são diferentes,às vezes regionais, não globais, relevantes, com faturamentos altíssimos para mais de bilhão, que ninguém conhece, o Brasil tá cheio disso, né? que não tem dentro da sua cultura, né? E aí eu tô falando dos líderes, o repertório para achar que a tipografia é algo que vai levar a empresa pro próximo nível. Aí a pergunta é: como é que você faz para convencer alguém com esse mindset? Como é que você leva a pessoa do estágio zero pro estágio do reconhecimento de que, cara, eu deveria investir na tipografia? Eu tô te pedindo isso porque você vai me ajudar um monte,cara. Eu não sei, eu não sei parte de mim. Eu, eu podia, eu vou dar a resposta do do Fábio que deve ser dado, mas sabe o que me lembrou? Uma primeira chefe que eu tivena numa agência de publicidade lá no interior do Rio Grande do Sul, ela disse assim: "Fábio, gosto não se discute".

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. você lamenta que era Jacira, né? Então, parte de mim me diz que a gente não vai conseguir convencer ele da importância se ele não tiver hã interessado em em entender sobre isso, né? Eu acho que a gente parte um pouco dessa dessa premissa, né?. ao mesmo tempo, os motivos pelos quais faz a gente argumentar isso em favorpara quem tem minimamente o interesse.Isso que isso que é o curioso até, Gian, porque é difícil e a gente deveria trocar mais, porque eu nunca vou estar de frente com esse cara, né? sempre vai ser uma agência de design ou vai ser uma agência às vezes de comunicação.H, esse cara nunca vai nos chamar, mas no trabalho de vocês, eu fico imaginando, os argumentos são, eu acho que um resumo de tudo que eu falei antes, né? A gente pode ter, você não não quiser gastar nada, não precisa gastar nada,mas o seu concorrente pode ter exatamente a mesma fonte. E a gente tem pesquisas que mostram que a gente consegue aumentar o valor de marca, fazer a identidade que vocês, como PAND ou, enfim, qualquer estúdio for desenvolver. Se vocês tiverem uma tipografia que seja um pouquinho mais proprietária, isso a gente sabe que vai deixar a identidade mais única e ela é um dos elementos, um dos ingredientes muito importantes que vocês como designers estão cozinhando, né? Não, e eu vou pegar um gancho aqui de um caso recente que, infelizmente, a gente não pode falar ainda porque não foi lançado, mas e aí é um recado para os designers, né? Deixem o seu ego de lado, porque a gente tava num processo normalmente, como acontece, a gente faz todo o

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Processo criativo, a gente diz pro cliente: "Olha, agora vamos fazer um refinamento nisso". Só que quando a gente faz isso, a gente já impôs alguns limites no processo criativo. E a gente teve um cliente recentemente que a gente tava no processo criativo, tinha concebido o nome da marca, tudo. E aí a gente disse: "Olha, vamos começar o processo ao contrário." A gente mandou o cliente lá falar com você, passou um dia lá com você e é um cliente presidente da empresa que foi lá e sentou do lado dele. Ele adora fazer isso, né? Não pode, infelizmente não posso falar. Em breve a gente divulga esse case. E a marca ficou espetacular, ou seja, a gente mandou o cliente pro Fábio para fazer um negócio que a gente mesmo faz, né? Então eu ten que deixar de lado a fonte de receita em prol do resultado. E aí depois o projeto obviamente voltou pra gente uma potência incrível, né?

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Porque então e é esse, mas a gente conseguiu convencer esse cliente porque esse é um cliente, como você disse, já preparado para isso. Exato.Mas eu quero, mas eu não vai, você me conhece, a gente me conhece bem assim, eu não me satisfaço com as pessoas que não sabem o valor das coisas. Aliás, esses são os que eu que eu mais gosto, né, de chegar lá para explicar por que ele deve investir nisso. Por isso que eu tô pedindo ajuda. E a minha antiga chefe ia complementar aquela frase do gosto é: "Cada um tem a marca que merece".A consequência do que você pensa é isso aí.Né? Ela é bem pragmática. É porque, mas é isso, assim, em algum momento essa pessoa tem e eu acho que falar a palavra identidade ajuda, explica muita coisa, né? Assim.É. E também tem uma coisa, gente, parece, olha que curioso, né? Vou contar para vocês um detalhe que faz os clientes assim acharem que no fim das contas a gente estuda psicologia um pouco do compamento comportamento humano, a gente vê que é uma coisa muito de ego. Mas mesmo quando a gente licencia, por exemplo, uma fonte que já existe, uma fonte nossa, sei lá, à margem, para um cliente maior, que tem uma licença maior, a gente renomeia a fonte, pode renomear pro nome do cliente.

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. E quando a gente diz que o cliente vai poder abrir o menu de fontes ali noe ter o nome da empresa dele,gente, parece um detalhe que é sutil,mas ele muda tudo quando ele vê que tem o nome dele ali no menu de fontes e tudo que ele escrever o tom de voz dele, é com a fonte dele.É,é uma coisa que gera muito isso de identidade que você disse, né? que é a sua fonte, é a sua identidade, a sua voz, o seu sotaque,assina seu nome, como que você é o jeito, a sua letra que, né? Então assim, fica fácil. O problema é o quanto ele vê valor disso de qual é o Roy, qual é. Aí começa essa conversa, né?É, eu acho nós estamos em discussões diferentes, né? Porque nós três temos que desde o começo da carreira e até hoje a gente explicar o valor do nosso trabalho, o valor do design, nós temos mais essa essa essa dedicaçãodo que o Fábio, que trabalha com os escritórios, que já reconhecem o trabalho e quando chega para e apresenta o trabalho do Fábio A gente já pastou, comeu uma grama, a gente faz um trabalho.

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Mas a gente precisa do Fábio para fazer esse trabalho também.É, então é esse que é o convite. Esse que é o convite. Legal. Precisa dele e a gente precisa dele dele precisa dele. Exato. Porque nós temos que fazer todo esse trabalho de o convencimento explicar e trazer. E a sobre essa pergunta que já tava trazendo. Então, e aí talvez, a resposta da da competitividade, do valor das marcas que o Fábio tá trazendo, talvez traga essa.É, eu me eu me incomodo muitocom a necessidade de ter que explicar alguma coisa para alguém que eu acho que eu não preciso explicar. Por que que eu tô dizendo isso, né? e me incomodo comigo, não é com os outros, né? Eu sou, eu tenho, eu sou o contrário dessa, dessa pessoa aí que você comentou. Eu sempre acho que se eu que sei não conseguir convencer quem não sabe, a culpa sou eu.

57:53

Não, a culpa não é da pessoa.Por quê? porque ele não tem o meu repertório, porque ele não estudou o que eu estudei, ele não sabe o que eu sei. Então é natural para mim que ele não saiba reconhecer,assim como eu não sei reconhecer um monte de coisa que eu ainda não tive que reconhecer ou que eu não tive a capacidade de reconhecer. Então eu sempre me coloco essa responsabilidade, né?e eu me pergunto o tempo todo, né? Esse é um, é por isso que eu escrevo livros. Como é que eu faço para tornar mais simples, para um maior número de pessoas e um tipo de conhecimento que não precise de tanta Eu ainda não consegui fazer isso porque quem lê meu livro fala: "Nossa, o livro é muito profundo". Porque toda vez que eu mergulho no livro vira profundidade, mas como é que eu faço para convencer alguém sem ter que levar ele tão profundamente, né? E eu acho que isso é um talento, né? Porque quando você consegue fazer como Simon Sekc, né?

58:44

Traduzir um conceito do Golden Circle de maneira tão óbvia, aquilo se torna quase que repertório recorrente de todo mundo, né? Então eu acho que e é essa essa busca, né? Como é que a gente faz para levar a tipografia, que é um elemento da identidade mais importante até do que da cor, porque a cor, acho que as pessoas já se convenceram da importância da cor, mais natural acho que esse convencimento. Como é que ele faz? Como é que faz para ele entender que a tipografia às vezes é mais potente em termos de consistência e gerar poder? paraa tua mensagem, paraa tua identidade, do que do que outras coisas que são mais parecem mais óbvias, né?E eu ainda tô tentando descobrir, eu adorei essa provocação de, né, da gente realmente a forma e é uma busca constante, né, da forma como a gente se comunica, a forma como a gente se posiciona como foundarry, da forma que a gente faz negócio, tudo isso vai comunicando, né? E eu confesso que eu não sei. A gente,eu acho que você já sabe, você só não sabe que já sabearticular, talvez adoraria articular,o teu conteúdo, como eu tava te dizendo aqui, né, quem acompanha percebe isso com muita naturalidade. Ali você tá sendo você, talvez é mais difícil para você enxergar, a gente se reconhecendodo que pra gente que tá assistindo, né?

1:00:04

Mas o teu conteúdo falado da forma como ele é falado, conectando temas que não necessariamente são temas da tipografia com a tipografia, é uma forma muito eficiente. Por exemplo, você trouxe um outro conteúdo lá que você fala sobre um questionamento da equipe, acho que de do time digital, sobre o fechamento da letra, né, que é um tema que você sempre defendeu, que a a legibilidade é maior com o fechamento mais aberto e não o mais fechado. Só que essa regra tem exceções, né? Porque tem empresas que usam mais fechado e que se preocupam com isso, né? né? Então eu acho que você já sabe como como passar esse conte, você só precisa dar mais talvez mais potência para isso.Mas é que eu acho que o Fábio falou uma coisa que eu achei interessante assim que e eu acredito piamente nisso assim que a pessoa precisa est disposta a entender.

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Você não vai convencer se a pessoa não,ela precisa est disposta a entender.Então eu acho que um jeito é ser esse jeito indireto.Então mas despertar também é um desafio, né? você despertar as pessoas para aquela sala sala, aí você não vai convencer, vai na segunda, você não vai convencer, vai na uma hora o cara se toca desse assunto porque a o primeiro movimento dele é resistir. Imagina se falar de letra primeira coisa, como assim, né? Mas é que aí que tá, não tem que se tocar, a gente que tem que tocar também. Anão, mas eu acho que tem uma coisa que eu que eu poderia fazer mais e que eu gosto, acho que isso funciona, que é conectar com áreas adjacentes, né? Então e a tipografia tendia a ser muito, a gente é meio que treinado para ficar num buraco, né? A gente vai cavando num buraco e vai ficando ali embaixo.

1:01:41

É. E o cara não tem diferenciar cinco tipos de garam. Tá, mas qual é a relevância disso para umque é caro da garam?Qual é a relevância disso? Então, conectar isso com diferentes áreas, eu acho que é o grande desafio. E quando eu tenho algum conteúdo que ele dá maior destaque, é geralmente por conta disso, quando conecta com coisas que as pessoas não vivem no dia a dia, sai da tipografia e con falando da tipografia, o cara não vai, né? Não. Perfeito. Acho que esse é o ponto que eu tava dizendo para ele. E aí eu concordo. a pessoa não está disposta a te ouvir e falar sobre tipografia, né? Perfeito, né? Você fala, mas elanão. Então, mas é porque você tá falando algo que não é do interesse dela. Mas aí vem o que eu e o Gabo estamos falando. Mas é nossa responsabilidade chamar atenção para algo que ele não sabeque é importante para ele. Então, do jeito que ele fala, né, falando sobre outros temas e conectando isso com a tipografia, me leva a querer entender de fato o que é tipografia. Porque eu tenho certeza que todo mundo que leu a bibliografia do do Steve Jobs ali, do Isackson,olhou, falou: "Como assim, o cara numa aula de caligrafia, mudou a vida do cara. Pera aí, deixa eu ir entender o que que a caligrafia tem que me dar potência enquanto empreendedor, né?

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É porque é isso, é a linguagem do cara. Que nem quando eu li o livro do Ronnie, né? O que eu achei legal é o quanto ele tá ele ele amou convencido naquele momento.Ele tava disposto, né? um eterno aprendiz. Então funciona.E aí do jeito que ele fala, mas conectou com os negócios. Conectou comfalou do Ron porque você falou antes da gravação do Roni. Ninguém vai entender o que você falou.Do Ron da reserva do livro. Ésó conversandodo livro da reserva. É do livro da marca reserva, onde ele fala de todo o trabalho e o quanto que ele aprendeu. Então o que eu quis dizer, não é que a gente não vá falar, mas é como é que convence, cara. É, é o indiano lá conectou com uma coisa que ele falou e aí fez assim para ele falar sobre tipografia.É. Éé isso aí.E aí o indiano, mas o que ele conectou foi com outra coisa. Então é isso, é criar contextos e não, porque se ele ficar falando agora vai o cara não vai, né? E eu acho que design também é isso. O cara vai entendendo, a gente planta, né? Mas depois vai e aí se conecta com isso. Acho que o sucesso que você faz é porque você contextualiza de outras coisas. Daí eu venho indiano fal lá na Índia é muito louco falar que ele gostou do texto doEntão é isso. Você levou,eu vou te contratar porque eu também não uso fone, entendeu?

1:04:11

Então mase a não faz isso, né? E a não faz. Acho que isso que é o bonito, cara.Que estratégia de marketing iria dizer que você deveria?Não vai.Acho que isso é a coisa mais linda que vaiar.Ah, vai. Ah, vai. Pronto.Mas no momento que ela fizer isso, vai ficar tudo igual. Gab, você é um defensor da IA. Mas falar da diferença da IA pro ser humano não é falar mal da IAnão. Mas mas cai é então, mas cai no mesmo lugar porque é o que eu consigo fazer aqui. Eu sei as palavras que se eu vou fazer uma reunião, as palavras que você mais usa, as palavras que para você tem conotação negativa. você está usando a IA para que você perceba coisas que talvez com a sua com seus risco écom seus sentidos você não consiga sentir, mas para fazer um uso interno para depois virar alguma coisa.

1:05:01

O ser humano não tá fora da equação, né? Então tem coisas que você faz que ela não faz sozinha.É,né? Ela captura bem, ela vê tudo, ela vai ser inteligente. Ninguém duvida disiona, né? É,não, a gente usa, a gente usa e há, por exemplo, tem um uso muito maravilhoso que a gente usa, que é, a gente tem um notebook LM, por exemplo, pra nossa área comercial..Né? Então, a gente tem agora uma profissional comercial, a Marina, que tá em São José dos Campos. E cara, eu montei um notebook LM ali com todos os nossos materiais de pré-venda, todos os meus conteúdos, todos os PDFs que explicam tudo de todas as nossas fontes. Então ela pode conversar e tirar qualquer dúvida. Coloquei todo o banco de dados dos nossos clientes já do contar, né?

1:05:47

Não, mas o que que acontece? Isso também, porque hoje ela pode pegar e dizer: "Hag, que fontes humanistas a gente tem que eu tenho um cliente interessado?" Aí ele vai responder: "Ah, humanist tem essa, essa e essa. Essa aqui tem essas características humanistas". Ah, como é que funciona as licenças? Tem essa dúvida? Ele responde tudo. E ele até a gente também pesquisa às vezes usos indevidos das fontes, né? Então ele pega, ela pega, "Será que esse cliente aqui comprou?"Aí ele vai lá e diz: "Olha, esse nome não tá bem certo, mas esse outro nome aqui que tem esse CNPJ comprou". Aí ele vai lá: "É esse mesmo". Então esse é um uso de não tem nada a ver com criação..Mas que nossa, resolve muito assim do nosso nosso tempo, né? e a gente tá fazendo um, eu nem se poderia falar, embora agora ficou mais interessante, a gente tá desenvolvendo um trabalho com o estúdio mar, que é que foca bastante nisso,que vai ser basicamente um sistema para gerar mocaps de exemplos das nossas fontes em uso.

1:06:52

Que legal. Então, uma forma bem interessante, a gente tem um catálogo de fontes que são 15 fontes nossas de varejo, que algumas foram lançadas há quase 10 anos, né, quando eu comecei, que parecem fontes já ultrapassadas, mas quando a gente coloca ela num uso, como é que fica essa fonte numa embalagem de café, num craxá de uma empresa de tecnologia, a gente olha aquilo e pensa: "Nossa, que coisa incrível". Então, a gente fez ali um sistema, tá montando junto com eles um sistema de curadoria e desenvolveu três trilhas assim, tec, humano, e luxo, em que a gente vai poder gerar exemplos das nossas fontes em uso de diferentes formas, que vai que aí sim é um uso bem de criação, né? que vai ser muito adequado, né? Então a gente usa também, como eu falei do da IA, mas não, eu sou bemnão sou nem 100% a favor, nem 100% contra, né? Me explique. Vamos tentar entender onde que as coisas se aplicam, né? Também não. É, eu também não. Até porque eu acho que essa necessidade do controle do que vai acontecer conosco, ela é inútil, né?

1:08:02

É. vai acontecer conosco o que for acontecer, o que o contexto que tá girando o tempo todo resolver que vai acontecer. Ninguém tem esse controle. Tem uns que t mais controle, outros menos controle, mas ninguém, nem dos mais controladores controla tudo, né? O o efeitoa minha minha polêmica é futuros desejáveis. É,é,pode fazer passear junto com taxista ali.É, você pode, você pode desejar o que você quiser.É, você tá falando um assunto, depois a gente pode dobrar para outro assunto.Podemos, podemossobre futuros, né? que eu tô até tô escrevendo agora sobre isso.Não tô falando mal dos taxistas, tô falando assim, eles não queriam, não era desejável. Sobre o controle,sobre a necessidade do controle. É, exato.

1:08:48

O mundo muda, né? Isso. Poxa, eu lembro, cara, o Ron, esse que eu falei, ele desenhava a mão.. Depois ele teve que aprender a fazer no computador. E no início,nessa épocae no início ele ele dizia com o computador, não, a curva nunca vai ficar tão boa quanto eu faço aqui à mão.Hoje ele diz o computador,porque era no início do computador, eu era vetorizava, era um mouse gigantesco assim que mapeava os pontos dos nós.Mas é isso. Eu acho que aí que tá. O nosso papel é ficar sempre estudando, tentando se reinventar com um olhar aquele de curiosidade, de eu não vou ser o velho hanzinza,é gente,eu vou ter que olhar isso aqui com humildade.E quanto mais a gente estuda, mais perspectiva a gente vai ganhando, né?Você vai entendendo, né? A própriae e assim falando um pouco disso que você tá falando, né? A gente vive defendendo a diversidade, mas a gente é incapaz de aceitar a diversidade na sua plenitude. Ou seja, alguém que diz o que eu não gosto, eu tenho que escutar, porque ele tá dizendo o que ele acha.

1:09:52

Ele não tá dizendo nada sobre mim. Eu não preciso ficar incorporando as falas, né? Então é isso.Eu eu adoroaceito diferente.É, eu adoro para tentar entender o ponto de vista do outro, sabe? Porque já entro no me sair da minha cabeça.Como é que eu saio da minha cabeça? ouvindo o que você tá falando, mas ouvindo de fato não é escutativa,é porque escutar o outro é difícil a entender o que outro tá falando. Exato.Escutar o outro é difícil. Por quê? Porque quando o outro tá falando, você tá sempre se escutando. Você tá escutando o que você tá falando em cima do que o outro tá falando, né? Escutar legitimamente o outro é muito difícil, né? E mais difícil ainda é você não julgar o que o outro tá falando, porque a gente tem essa tendência o tempo todo. Concordo ou não concordo?100% sempre. 100%. e atire a primeira pedra que não comete esse erro, eu cometo o tempo todo.

1:10:41

A gente fica sempre vigilante, né, disso para não cair nessasagora fugindo da do da filosofia e voltando pra tipografia,desenha para quem não conhece o processo de desenho de uma tipografia, como é que funciona? Quais são as etapas de um desenho tipográfico? Ótimo. Ótimo. Cara, a coisa mais interessante, uma das coisas mais legais que a gente faz nos projetos de tipografia corporativa é um workshop de 2 horas com o cliente e várias áreas do cliente e fornecedores deles que parece assim, gente, 2 horas de workshop a gente faz lá no Miro.Geral teve teve um onlineque a gente fez uma vez, era uma empresa tão grande que a gente fez duas vezes o workshop, tinha 50 pessoas.Nossa. muito enorme, mas era basicamente uma dinâmica que a gente foi adaptando de várias práticas assim, desde o design sprint e de discovery de UX, mas basicamente uma coisa que a gente tem que fazer é realmente ouvir toda a organização, porque o projeto vai entrar ou pela galera de branding ou às vezes marketing.

1:11:48

. H, às vezes por tecnologia, mas a fonte vai ser usada por todo mundo, pra equipe de vendas que vai colocar no PowerPoint, pro pras galera de sinalização que vai colocar na planta da fábrica. A tipografia a gente acha que ela não impacta muito, mas se trocou a fonte do cara que tá lá montando a apresentação de vendas, que ele sempre fez e ficou agora diferente, ele vai ter opinião sobre aquilo,ele vai dizer que não ficou legal, né? ele vai dizer que não ficou legal, ele. Então, o primeira coisa que a gente deve fazer em projetos de tipografia corporativa é primeiro a gente ser humilde e dizer assim: "Cara, vamos ouvir" e realmente fazer um trabalho de descobertae alinhamento. Então a gente mapeia os desafios, faz exercícios de moodboard para entender com eles o que que eles vem, o que que é moderno para eles, o que que é contemporâneo, o que que é luxo, porque isso são coisas muito abstratas, né? Então, a gente tem alguns exercícios que a gente vai fazendo, a gente faz, tipo assim outros exercícios que é a imagina que tudo tivesse dado certo, vocês têm a melhor tipografia do mundo, o que que aconteceu e aí a gente vai mapear e depois fazer esse quase que o cenário de futuros previsíveis e fazer o caminho reverso. E também a gente pensa, tudo deu muito errado, essa tipografia deu uma coisa errada. O que que pode dar errado na mente de vocês? E aí eu insisto pra galera me diz se tem alguém aqui com aquela sensação de vai dar merda, sabe? Vamos falar agora. Me diz agora onde vai daro software antigo que vocês usam que depende de não sei o quê, de um formato específico lá. Tramontina tinha um que gravava em facas que entendeu? Vamos saber tudo isso e vamos conversar para durante o processo a gente endereçar todos esses pontos. Então a gente faz

1:13:32

Esse grande etapa de descoberta que no fim a galera sai dizendo: "Nossa, passou voando, foi a melhor". É hora da semanavontade quero mais, né?Vontade quero mais. E aí a gente faz, é uma coisa que eu sempre quis que todo mundo da nossa equipe participe criando ideias, não é só eu. E eu faço questão de todo Não, eu até poderia dizer nesse projeto só duas, três pessoas vão participar em termos até de budget seria mais eficiente, mas digo, não participa todo mundo, tem e aí nessa etapa muitos designers participam porque é uma buha exploratória e a gente chama de etapa de ideias.Você traz o cliente nesse processo? Não, não, não. Aí um time interno, a gente faz as ideias, apresenta pra agência daí, né, que tá no meio também,mas aí é muita exploração, então a gente trabalha só num peso regular, algumas palavras, aliás, algumas letras, mas que dá para formar algumas palavras. E a gente daí faz outra reunião com aquela galera que participou do workshop, eles vêm e aí a gente apresenta essa etapa de ideias. E às vezes, gente, eu sei que parece engraçado, mas a gente faz às vezes 10, 12, 14 ideias. E aí muitos designers vão pegar e dizer: "Não, Fábio, mas vocês têm que apresentar duas ideias, vocês têm que saber vender." E eu entendo isso. Eu fui designer gráfico, eu entendo isso.

1:14:48

Mas o que que acontece? A gente gosta de nessa etapa apresentar muitas às vezes aí o estúdio, no caso, por exemplo, seria pand no meio, pode chegar e dizer: "Não, vamos ao invés de 12 vai ser seis, beleza? Aí vai ser seis e tá tudo certo. Mas o que a gente gosta de mostrar para eles que a gente explorou muitas coisas e a gente pode pegar e dizer, ó, tá vendo? Esse caminho endereça mais aquele desafio que a gente mapeou antes. Esse outro aquifoca mais nesses outros dois. Aqui tem um terceiro. Então a gente sempre vai vinculando.A escolha tá atrelado a uma a uma outra escolha, a racional racional. A gente precisa sair do gostei e não gostei. Qual resolve mais desses problemas que juntos a gente mapeou?Então dali eles escolhem duas. E também é uma coisa boa. Ele não precisa decidir, ele vai escolher duas. Acho que é por aqui ou por ali. A gente volta pro estúdio, desenvolve o que a gente chama de conceitos. Aí a gente vai fazer bold, light, vai testar, vai aplicar mais e vai voltar para outra reunião de conceitos. Aí sim, com dois caminhos.

1:15:53

E justificar todos eles. E aí ele escolhe e a partir dali daquela escolha, aí a gente aí praticamente as decisões criativas já se esgotaram, porque a tipografia tem isso, ela é um sistema. Depois que definiu 10 letrasjá é, né?O do M, do N vai o M e o H. Depois do B tem o B, P, D, Q. enfim, as decisões maiores já foram tomadas. Aí a gente basicamente fica executando e entregando pro cliente updates, às vezes uma vez por semana ou a cada duas semanas que a fonte vai sendo desenvolvida. Enquanto também isso é importante, o cliente tá desenvolvendo o seu sistema de identidade, né? Porque um projeto desses, provavelmente ia ser uma pergunta que vocês fariam, ele vai variar de 3 meses a 6 meses. Então, em paralelo a isso, o cliente tá fazendo mo do app, do site, do produto, e ele vai recebendo updates com a fonte sendo, cada vez mais construída e refinada, né?

1:16:54

. É. E depois tem toda uma parte de engenharia, que é uma parte chata. Você comentou engenheiro, engenheiro tipografia, explica o que que é o engenheiro? Éporque a fonte ela é um software, né? A fonte ela é um software que mora ali, ela tá atuando na base do sistema operacional,é zer e um, né? E e é muito complicado por diversas razões dos fabricantes da Apple, da Microsoft, da Adobe, do Google, só para que ele exiba com entreelinhas mais ou menos parecidos, a fonte tem que ter várias parâmetros diferentes e cálculos e abordagens para fazer funcionar no Office online, tem que ter, tipo, tem muitas coisas de software daí. E aí realmente é software porque é software.

1:17:40

Então tem uma parte do processo que é criativo, que é onde você define a identidade da tipografia. Outrae depois você precisa fazer funcionar nas plataformas.Exato. Exato. Renderizar na web de forma adequada..Com hinting, que é uma, né? A gente vai utilizar de todo mundo, virar fonte de todo mundo,não? fazer funcionar daí no Canva, no Figma, no na Adobe, em todos esses tem toda essa parte de software que a gente tem que ser muito rigoroso e a gente tem, cara, as melhores pessoas disso, porque assim, a gente trabalha para muitos bancos assim, tipo assim, é uma escala, é uma escala,nossa, é, é gigantesca. Então tem todo esse trabalho que precisa ser feito para depois tem o release e, enfim, a gente depois dá suporte para essaquais são os erros mais comuns que tem num processo como esse coisas que podem dar errado.

1:18:31

As lideranças não participarem do processo e sentarem no final do processo e dizernão gostei goie eu tenho até um vídeo, acho que é o vídeo que mais viralizou de todas. a gente teve um cliente, uma situação que foi isso, eu falei sobre isso, logicamente não falei quem era o cliente e é irrelevante porqueé um fato, né? Não é o cliente.Chegou numa dessas reuniões assim que tinham 15 pessoas que participaram do processo e a pessoa que tomava a decisão que era e e isso é o maior realmente cara de longe é o é o grande problema do processo.Processogarantam que as pessoas que têm o poder de decisão participem do processo para não ficar. Então caiu de para-quedas essa pessoa e não gostou de nada e a gente estava quase tendo que que recuar várias casas lá pro início, porque ela chegou e diz: "Eu não gostei de nada". E aí a gente explicou do G assim, ela disse assim: "Ah, então agora eu descobri que eu não gosto de gess assim numa bemnão tava com vontade de gostar, né?" Entendeu?

1:19:32

Aí cara, mas aíaí eu peguei, eu sou muito calmo e eu falei pessoa tal,tá tudo OK? tá tudo certo. Me conta, me fala mais sobre o que que tu tá sentindo. E aí eu fui fazendo isso. E aí eu fui pegando ela pela mão e a gente foi, ó, tá vendo aqui assim?Era uma etapa de ideia. Eles tinham que escolher duas dois conceitos, duas ideias para evoluir para conceito. Elas saímos da reunião com É essa aqui,a do G.É, é essa não era outra. Era uma outra. Mas foi tão emblemático isso e esse vídeo até ele repercutiu muito, porque eu acho que vem dessa coisa de na realidade todo o design era o mesmo, mas o processo faz a diferença. E eu fico muito também triste, muitas vezes projetos incríveis de design não são aprovados porque a forma que a conduzida apresentação pode quebrar o projeto. Então a única que eu fiz foi uma escutativa dela. A agência tava assim, meu Deus, que que coisa boa que o Haag, olha que paciência que o Haag teve, mas cara, eu vou ter paciência, a gente tem que realmente olhar e pegar daqui a pouco. A pessoa tava estressada, ela ela certamente tá super atarefada, não pode participar.

1:20:48

Ela precisava ser ouvida, raiva. Alguém não deixou ela participar. Ela ela ela só precisava ser ouvida e foi ela eu precisei ali, sei lá, em 15, 20 minutos, resumir o processo para ela ver tudo que teve por trás, para ela dizer: "Não, tá, entendi". E eu também não tinha como cobrar dela que ela soubesse, porque ela realmente não participou daquilo ali.É muito legal isso que você tá falando. Eu tenho umauma uma coisa que eu acredito muito e eu sempre bato isso lá com com o meu time, que é quando você presta serviço, está a serviço de alguém,você está a serviço de alguém, né? A pessoa acredita no te na na tua qualidade, no teu repertório para um determinado assunto, mas você tem que você tem a obrigação de colocar esses teu conhecimento a serviço. Lá a gente chama de ponto A e ponto B. Quem ele é hoje, quem ele quer, quem ele pode ou quer ser amanhã, né? E por que que isso é tão importante, né? E por isso que eu lembrei do que você tava falando, porque quando eu quero transformar você numa melhor versão de você mesmo, eu não tenho que transformar você no que eu acho que você tem que ser. Eu não tenho que olhar pro mundo e ver coisas que estão acontecendo no mundo e tentar te enfiar goela abaixoalguma coisa que eu acredito. Na verdade, eu tenho que descobrir o que você é e o que você quer ser. Eu tenho que expandir esse seu esse seu repertório, que é mais ou menos o que você disse que você fez, né? Eu tenho que eu posso até olhar pro mundo e trazer repertórios novos, mas eu tenho que deixar a pessoa escolher, né?

1:22:15

Por quê? Porque se você tentar forçar algo, né? talvez você esteja ali injetando alguma coisa que não é não é o momento. Talvez não é um momento para aquela pessoa.Uma peruca, um peito de silicone, né?Um botocão exagerado.É esse é o agregar valor, né? Você tá colocando valor que não existe. Você agregou um valor.Vou dar outro. Vou dar outro exemplo. Só falou de botox peito. Vou dar outro exemplos.É justo sim.Ele falou, ele começou.Mas eu não uso peruca peruca.Eu não uso peruca. tá perdoado.Não, mas é coisa mim mesmo.É muito bom isso mesmo, porque aí vira uma coisa legítima, não vira uma coisa que talvez a gente de fora viu como é a tendência e vai empurrar para essa pessoa e com bases e justificativas do que que é tendência. Enfim, ela ah, então temos que ser assim.

1:23:05

É muito comum, inclusive isso comumraro, mas acontece. Não deveria, não deveria, gente.Não deveria, não. E deixa eu te perguntar, e aí falando uma coisa assim que é curioso, que você falando, eu fico imaginando assim como essa conversa, esse convite, você vai falar com a área comercial quê nós vamos ter uma reunião hoje, um workshop que a gente vai desenhar, que a gente vai pensar, ficar refletindo sobre tipografia, eu falando, né? Letra, como assim, né? É difícil convencer, convencer, até porque geralmente são pessoas com valor hora alto, né? Blocar e locar falduas horas do tempo deles é realmente muito difícil, mas a gente insiste muito e às vezes tem workshop só vai cinco pessoas, realmenteàs vezes vão a 50,mas é o nosso papel ter. Às vezes realmente a gente não tem o que fazer e tudo bem.

1:23:58

Você faz para deixar atrativo o convite? Como é que você fala sobre a tipografia pra pessoa falar? Não, eu preciso lá ver para ver o que é que isso aí a área interna deles vai vai convencer explicar.Eu acho que é até mais fácil eles fazerem isso do que do que eupara construir o argumento que faz sentido para eles, né? Eu acho que sim. Mas uma coisa que é fato, os problemas que se tem ao longo de projeto são porque não as pessoas não participaram ou às vezes até a agência diz: "Não, cara, não precisamos fazer um workshop, a gente sabe o que, mas relseria bom ter tido workshop para descobrir que que que às vezes é uma coisa da agência e não do cliente e a gente poderia conciliar as duas visões."Agora o duelo entre ignorância e arrogância, né? O que a gente tava falando antes e agora, né? Éignorância do desconhecer, né? Ignor não conhecer,não saber que não conhece, né?

1:24:49

É, não saber que não conhece a arrogância do do outro que também, né? Acho que conhece tudo. Quemquem tá do outro lado acho que conhece tudo. Deixa eu fazer uma pergunta que tá inquieta aqui dentro, né? quando você escolhe fazer um um desenhar uma tipografia pro teu negócio, é quase como escolher desenhar uma marca, né? Parece uma decisão irreversível, né? Por que irreversível? Porque a partir do momento que eu escolhi que essa é a minha tipografia, eu tenho que carregar ela pro resto da vida, né? E num mundo aonde tudo tá mudando o tempo todo, a, o quanto o trabalho tipográfico envelhece rápido ou não envelhece, como é que é esse tema dentro dessa discussão tipográfica?É um ótimo ponto. Eu acho que tem não tem resposta certa e depende muito da natureza da tipografia. Como a gente tem visto projetos de identidade mais expressivos. Eu acho que eles têm um ciclo de vida mais curto,curto,né? Porque são uma coisa que que tá muito ligada às vezes às vezes nem tanto num momento, ol aí que tá, não necessariamente a expressividade precisa estar ligada à tendência. Por exemplo, a gente fez a fonte com pro Zé Delivery junto com a Futuree a gente trabalhou uma estética bem vernacular assim, porque o Zé Delivery tem a ver com o improviso, tem que a ver com aquela coisa de rua, de se encontramos aqui, ninguém planejou, mas já estamos aqui conversando, chama o Zé, vai vir a cerveja. Então a gente se foi ali beber de uma coisa bem popular, ficou extremamente expressivo.

1:26:19

Até a gente pode hoje linkcar esse projeto já tem alguns anos, mas hoje a gente poderia lincar com essa imperfeição da busca do hoje, mas isso a gente fez na época que não eratendência isso. quanto o resultado é uma identidade extremamente distintiva, tem o amarelo e umas letras num estilo bem popular que num ecossistema digital ninguém tem. É um território que o Zé domina assim. Tanto a 99 tem o amarelo, né?Mas o Zé com aquela fonte, nossa, diferencia completamente. Então, quando que isso vai vencer? Não sei.É, não tem como né? Mas isso é uma resistência do do processo quando as pessoas falam: "Mas puxa, mas isso aqui não vai envelhecer." Eu acho que eles podem, eu acho que se for, eu acho que sim, eu acho que até por isso que eu até me, não é que eu me confundi, mas eu fiquei realmente na dúvida, porque a gente consegue ver que, mas olha que curioso, né? A gente, eu lembro de de agências ou às vezes grandes estúdios, quando eles escolhem uma fonte, as equipes internas, isso acontecia mais antigamente. Eles diziam:"O quê? Mas eu vou ter que usar só uma fonte?" É,não, mas eu vou ter a campanha de Natal,vai ficar tudo com a mesma cara,a campanha do Dia das Mães. E as empresas tinham muita restrição porque elas precisavam usar muitas fontes e tinha essa coisa de ter que trazer o novo, né, e que ter uma fonte só engessçaria.

1:27:48

Mas eu não tenho mais ouvido muito isso, mas me ocorreu que era isso hoje, porque hoje como a consistência é necessária. né? Que na realidade o cara lá dentro criando as peças vê todo dia aquela fonte, mas o mundo lá fora só vai ver de vez em quando. É,então essa relação com o mundo lá fora, ela é muito mais importante do que dentro. Isso.Dentro vai ter uma resistência, mas lá fora não. Então, por mais que seja expressivo, eu não sei se vence tão rápido, não. Isso. Essa pesquisa do Mark Ridson era muito curiosa até que ele disse que e o retorno sobre o investimento vai tipo usar o mesmo anúncio por anos..Que é uma coisa muito contrainttuitiva que a galera dizia: "Não, a gente precisa estar sempre lançando uma coisa nova". Ele tem dados mostrando que não.

1:28:38

. É, e eu nem acho que é um problema. Eu queria, eu fiz essa pergunta para te perguntar se já teve algum cliente, porque renovar a marca é normal, renovar a identidade tá cada vez mais normal.A tipografia segue, é um elemento de marca, né? Segue o jogo. Então, não acho que isso é um problema. Minha pergunta éecom que recorrência ou se você já teve o caso de ter desenhado uma tipografia de uma marca e e ter que fazer o próximo nível, né? Não teve ainda. Não teve ainda. E eu tô curioso para ver, né? A a a o Fábio, o Fábiorevendomala poderia ser aquele cara que dizer: "Nossa, mas né, o que a gente fez era muito melhor, mas o que que ele sabe? Daqui a pouco não fomos nós que fizemos, aí nós não participamos daquele workshop. É,é muito fácil julgar por fora, né? A gente, vocês todos sabem ter opinião sobre projetos de branding de fora é muito curioso, né? Eu admiro a autoestima das pessoas,né? Que que ficam julgando de forma tão definitiva e assertiva um projeto da qual elas não participaram, não entendem as necessidades estratégicas e outros motivos que levaram a determinadas tomadas de decisão datipo a mudança da Jaguar, né? É, também todo mundo teve opinião naquele momento.

1:29:57

Também também merecia merecia. Não era um evento sísmico assim doÉevento sísmico é uma boa definição. Fala.E o Zé Delivery teve workshop?Teve, teve. Maravilhoso, maravilhoso. Eu tenho os prints ainda da do WhatsApp da galera agradecendo.Queria falar um pouco do modelo de do teu modelo de negócio, né? você defende a tese de de uma gestão mais humanizada. Eu gosto muito disso. A gente estava discutindo um pouco antes, né, sobre a dificuldade de implementar, os desafios de implementar um modelo de gestão, aonde você dá autonomia para as pessoas, onde você dá liberdade, onde você respeita o tempo, mas esse tempo requer uma intensidade, né, porque senão você transforma em ineficiência o processo.

1:30:48

Fala um pouco como é que foi esse dentro da tua trajetória como empreendedora. esse foi um ponto que eu fiz questão de de adotar, porque como eu tava no emprego dos sonhos em Londres e abandonei ele, eu pensei: "O que quer que eu vá construir agora vai ter que ser ainda melhor." E eu lembro que eu tinha lido um livro dos fundadores do Base Camp chamado It Doesn't Have to Be Crazy at work,que é literalmente o em português também é o trabalho não precisa ser uma loucura em que esse essa coisa que eu falo de gestão calma na realidade surgiu deles, né? Eles foram os primeiros a meio que adotar isso. E vamos definir um pouquinho o que que é isso, tá? Depois até o K Newport tem um livro que é fantástico que é Slow Productivity.. que também fala e articula muito bem esses conceitos.

1:31:40

E o que que é na prática ser uma empresa calma? Como é que a gente se estrutura? Primeiro que a gente não pede mais do que 5 horas de foco por dia. A empresa Calma, na realidade tem algumas premissas. Uma delas é fazer menos coisas ao mesmo tempo. Então, a gente trabalha baseado emnão dispersar, né?Não dispersar. Se eu vou agora, eu vou blocar sprints de foco, então imagina que das 9 às 10 eu vou tá, vai ser uma hora de foco. A gente instrui todo mundo a fechar o e-mail. A gente nem tem o WhatsApp, grupo de WhatsApp ou slack, essas coisas que ficam de notificação pulando. A gente não tem para literalmente preservar o foco da pessoa, porque nessas cara 5 horas de foco por dia, a gente faz tanta coisa. E aí tem algumas coisas, produz quase o dobro. E aí o que que acontece? programa depois desse período de foco que cada um vai definir quantas horas por dia e quando quer, em que dia da semana é diferente, porque tem pessoas que rendem mais de manhã, tem gente que rende mais de tarde, tem quem vai fazer academia, tem quem vai ir pro mar depois do almoço, tem uma designer que mora em Floripa, sortuda. Ah, então assim, a gente dá autonomia para cada um e cada um deles trabalha às vezes e aí eles me dizem basicamente a disponibilidade de horas que eles querem ter. Vale dizer também que eles são remunerados por hora, então se eles quiserem trabalhar mais ou menos, eles vão receber mais ou menos,tá? A gente até pode falar mais sobre isso também.

1:33:20

e cada um escolhe o seu o seu tempo de uso, tá? E e então uma coisa é fazer menos coisas, não ser interrompido, ter esses períodos de foco, eles terem autonomia para escolher quando que isso vai acontecer e também ter autonomia para decidir hã, né, quanto eles querem realmente trabalhar. Olha que que lindo, né? É.E aí vocês pensam assim, Fábio, mascomo que funciona? a gente acaba oferecendo para eles muitas enfim, vantagens, né? Tipo assim, na realidade, vamos voltar um pouquinho. Por que que também isso a gente não pode esquecer de dizer que para nós as pessoas são tudo, tá?É a matéria prima principal, né?

1:34:07

Tenta contratar, tenta contratar type designer no Brasil, sei lá, o nosso grupo de tipografia tem 100 pessoas, talvez.. E eu quero ter os melhores. Eu lembro muito de uma frase do um dos fundadores da Pixar, né, o Ed Catmall..Ele vai dizer que as pessoas são mais importantes até que as ideias. Numa empresa como a Pixar, que vive de ideia, ele dizer que as pessoas são mais importantes, cara,é porque é onde nascem as ideias.É aí que tá. Você pode ter uma ideia incrível. Se você der para uma equipe ruim, vai zebrar, vai melar.Se você der uma ideia ruim para uma equipe fantástica, eles vão consertar,entendeu? Então, as pessoas são realmente tudo. Então, a minha ideia é realmente pegar e dar para essas pessoas a mesma vida calma que eu quero ter. E eles ganham muito bem por isso. Ganham, a gente dá 5% de distribuição de lucros no final do ano para cada um deles. Eles têm férias pagas. E eu até eu falei antes, deixa até esclarecer quando eu digo que eles podem escolher ter 5 horas ou não, eles têm férias pagas,15 dias pagos por ano. Eles têm também se eles se eu disser, por exemplo, assim, ah, se não tiver projeto, será que eles não vão receber, né, naquela lógica de de uberização? Não é isso.

1:35:30

Todos eles sempre têm o que a gente chama de fall, que a gente até tem que achar um termo em português para isso, mas são projetos nossos de varejo que se não tem projeto na pauta comercial, eles podem começar a fazer fontes que depois vão ir pra nossa biblioteca.Entendi.Então eles têm autonomia de trabalhar mais ou menos. É uma coisa que o CILP fala também nos low productivity, que a gente é humano e a gente trabalha em ciclos e ritmos. Às vezes vai ter semanas que a gente vai querer tá disposto a trabalhar mais, às vezes a gente vai querer estar disposto a trabalhar menos. E a gente tem que conseguir prever isso, né? Agora o Sebastião, o filho da Ana, tá entrando na escolinha, ela vai ter um período de adaptação, então ela vai querer trabalhar menos. Ah, o outro quer fazer um curso, eles só me dizem, a gente coloca lá no nosso software, a previsão de horas do próximo mês, que nas quartas-feiras vai diminuir ou vai aumentar e todos os projetos ali acabam se ajustando.

1:36:24

É, você só um esclarecimento, né? Você que perce, você que é mais sensível e percebeu que o Gabriel sumiu da mesa, ele deu uma saidinha aqui de escanteio porque ele tinha uma reunião, mas disse que vai voltar. Vamos ver se ele consegue voltar até, mas eu queria pegar um gancho, né, só para não deixar. De repente o Gabriel sumiu da tela. eu queria pegar um gancho sobre isso que você tava falando sobre slow productivity. você acha que a criatividade ela floresce melhor sem pressão, sob? Com pressão? como é que vocêEu acho que é tênue. Eu acho que precisa ter um pouquinho de cadaporque compressão às vezes ela também fo tudo na medida certa, tudo com moderação, né? Porque se a gente não tiver a pressão, eu não chamei pressão, mas se nós não tivermos um prazo, e é por isso que esse o nosso sistema, esse modelo funciona, todo mundo pode escolher quantas horas quer trabalhar por dia. Então, se na segunda vai ser a quatro ou depois três ou cinco, aquilo serve como parâmetro. E a pessoa teve autonomia para escolher trabalhar isso.

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Se ela começar a trabalhar menos, o nosso software vai chegar, o projeto que tava lá atrás vai começar a ficar amarelinho, depois vermelhinho. Então a pessoa por si própria já vai pensar: "Não, agora eu vou ter que trabalhar um pouco mais, senão a gente não vai entregar". Eu acho que o problema existe quando eles não têm autonomia. E aí é muito comum, sei lá, do do empresário, do gestor simplesmente botar prazos aleatórios e e fazer colocar um monte de coisas. a pressão pela pressão, né?E isso e como a gente tem esse um software que vai a gente tem como a gente tem a disponibilidade de horas de cada um e quanto mais ou menos tem de tempo que leva cada etapa do projeto, isso também foi uma coisa que a gente fez. A gente dividiu o nosso processo em 18 etapas junto com todos elese a gente começou a monitorar quanto tempo levava cada uma. Então hoje a gente prevê um range assim de quanto leva cada etapa e tudo isso foi feito junto colaborativamente. Então todo mundo sabe, tá todo mundo comprado já na ideia. Eu também não posso pegar agora e dizer: "Galera, chegou mais um projeto o mesmo prazo, porque eles vão olhar para mim e dizer: "Não, Rag, mas tá vendo aqui, ó,não dá.

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Não dá." É.E é verdade, não dá. Então, o que que a gente vai fazer? Ah, eu vou poder, vamos redistribuir isso aqui para cá, isso aqui para cá. Fechou? Fechou. Tá tudo certo. Eu acho que o que falta às vezes são esses combinadinhos..Se a gente concordar, combinar com todo mundo, galera, dá certo. A gente faz projeto às vezes de 500 horas e entrega no prazo.é, e dentro desse tema, né, dá para escalar qualidade sem perder a autoria, sem perder aIsso é uma é uma pergunta que eu tenho, eu não sei, eu não sei. grande parte, meu grande desafio agora é estruturar a a empresa a funcionar meio que que sem mim para mim poder voltar a fazer mais design tipográfico, né? Então eu ainda fazia comercial, que agora a Marina tá fazendo, super Marina. design gráfico também é uma coisa que eu fazia sempre do nosso material. Agora a gente tem a Cali. e eu tô tentando desenhar a empresa para que isso aconteça. E a gente como type designer, se vocês acham que o designer é perfeccionista,gente, o type designer do teu é bem,a gente é recompensado por ser perfeccionista. Aí depois de ler muitos livros até sobre como delegar e como né, abrir mão desse controle é muito difícil. Quando eu contratei aquela consultoria de gestão, lembra? faland Fábio, o gargalo na empresa é você e era eu, né? Só que aí que tá, a gente é recompensado por fazer as coisas assim.

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A gente imaginava, pô, se eu deixar de fazer, será que a gente vai continuar sendo quem a gente é? mas nesse processo eu pensei o seguinte: a gente vai ter as melhores pessoas e eu sei que talvez isso não é um modelo escalável. muitas empresas e tá tudo bem. São modelos de negócio que aí você vai ter, sei lá, dezenas de funcionários que você não vai conseguir ter as melhores pessoas. Para mim, eu penso assim, cara, eu quero ter as melhores pessoas porque eu quero ter de novo essa vida calma. Então, vou pegar pessoas incríveis, vou remunerar elas muito bem, vou compartilhar lucro com elas e vou dar liberdade e autonomia para elas trabalharem juntos.. Isso faz com que eu não precise ficar me estressando às vezes com problemas de gestão ou ficar em cima ou ficar, não é um modelo, não é um modelo que tive que demitir duas pessoas. Olha que curioso, teve duas pessoas que entraram e eu tive que demitir porque não deu fit, não deu cultural, mas todas as pessoas que entraram, nenhuma pediu para sair.

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Nenhuma que entrou, chegou e disse: "Bom Rag, agora tem outro negócio que que eu que vai fazer mais sentido para mim." O que pode até tô imaginando que vai acontecer normal, né?A gente vai completar 10 anos. Nunca aconteceu porque a gente dá essa autonomia. E gente, aí que tá. Eu não sei como é que é escalar isso, mas eu eu sinto que é possível e é uma coisa que vai depender muito de lideranças passarem essa mensagem abaixo e também sendo bem sincero, eu acho que tem é difícil, né? Mas talvez algumas empresas operem num modelo de que é assim mesmo. A gente vai ter uma rodada de designers júnior que vai ficar aqui fazendo coisas mais simples e depois a gente vai pegar outros e e ou vai, enfim. como eu digo, eu sou muito privilegiado por poder fazer isso. Eu não quero de forma alguma achar que o mundo deva ser assim.

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. Eu quero fazer um mundo assim, mas eu reconheço que eu não sei como escalar isso. Gostaria de saber, encorajo as pessoas a tentar descobrir.O K New Nilport, inclusive, ele tem agora há pouco tempo lançou uma masterclass. Não sei se você sabe aquele aquela plataforma de ensino masterclass.com.Sim. É.Tá ali agora 1 hora 20 todo o conhecimento dele que tava em vários livros, agora tá bem mais digerível para o cara não quer ler o livro. Assina. Ó, eu não ganho nada. falando, né?Assina masterclass,a os low productivity para quebrar alguns conceitos. Por que que acontece, tá? Só só para voltar a resumir, vamos trabalhar menos coisas porque aí tá, a gente às vezes acha que existe uma emergência, tudo é para ontem, eu preciso fazer um monte de coisa, na prática não. E as coisas acabam saindo ruins. Se a gente realmente não, vamos focar só em duas coisas esse mês, duas coisas no mês que vem, vamos escolher. E aí ocas bem feitas é muito melhor para todo mundo, inclusive pra qualidade do resultado.

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.Mas acho que tem isso, né? É, não é um modelo que você falou, é o seu modelo. Isso tem a ver com você e com a sua filosofia de vida, a cultura do seu negócio. Então assim, e as pessoas que estão lá, como você falou, privilégio, não é? Que você achou os pares,né? E aí é isso e e dá certo por conta disso, porque senão fica todo mundo idealizando que isso não é que isso. E outra coisa, vocês também combinaram que vocês vão abrir mão.Sim,porque o problema é a pessoa querer o melhor dos mundos, né? Tá claríssimo que você tá abrindo mão de uma série de coisas.Então sempre é um tradeoff, né? Sempre é uméescolhas, né? Escolhas. Escolhas. Escolhas.São escolhas que elas sejam conscientesee combinadas.

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Combinadas. Combinadas com todo mundo.Pois é,porque muitas vezes o problema é esse, né? Porque muita gente fala que valoriza as pessoas,né? Na entrevista de emprego.Chega lá, putz, é muito unilateral essa relação,não? Ou às vezes a pessoa ela ela comprou essa ideia, mas ela mesmo não quer serExato.Ela mesma fala: "Nossa, mas que coisa". Sabe? É, não combina parte. Acho que hoje gestão tem muito a ver com quem tá propondo.É, você, a gente tava falando aqui sobre inteligência artificial, como é que você tá você deve est parando em algum momento do do teu dia para pensarsim,quais são os efeitos da inteligência artificialque podem dar potência pro trabalho já feito, como você falou, né? Eu tô usando, para fazer um trabalho que antes eu precisava fazer eu mesmo, né? a pessoa tinha uma dúvida, ela tinha que tirar comigo. Aí eu treinei uma tecnologia que eu já tô lápronto para responder as dúvidas sem eu ter que tá lá, né? Então a a tecnologia ela ela traz coisas positivas, ela não sónosnos desloca de lugar, né? como é que você tá refletindo essa questão da inteligência artificial dentro do do processo tipográfico, né? dá uma certa angústia, né, moderna, né, nesse nesse tempo todo. Eu até sou um cara que eu não sou aquele early adopter de tecnologias, né, mais recentes, né? mas obviamente estou aprendendo a isso, tentando ficar o mais a par possível, embora seja uma trilha que se você é um buraco de rabbit hole que eles dizem, né? Esse a gente se perde lá, então calma.

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H, eu vejo na tipografia já, a gente usa muito, eu tenho usado o, eu chamo até de Cláudio, né? O Cláudio, o Cláudio Claudião,Clud,né? O Cloud Antropic. Eu achoé mais humana a interface, a fonte, a tipografia. Open AI ali é tãodurona, né?Duro, frio,enfim. Mas usei muito chat G EPT agora depois que a gente migrou pro pro cloud tem a gente tem usado muito. Eu uso para muita análise de dados na parte de gestão, uso para me ajudar a revisar os textos às vezes, né? Tipo, dar alguns insightes no texto, não para escrever, mas para comentar.No processo criativo você tem usado? Não,não. Aí que tá para eu criação. Não.E se cobra? Não,não, não, não, não. Para criativo não.o Google é Len para ajudar essa parte interna. a gente vai ter essa ferramenta para gerar mocaps. E na tipografia eu vejo que a gente ainda não tem softwares que que façam isso, embora, cara,eu até sei de uma empresa que tá trabalhando nisso,mas imagina quão fácil que seria pegar toda a amostra de bancos de dados, sei lá, tenho aqui 500 fontes, assim é o regular e assim é o bold. Agora eu vou desenhar o regular. Cara, me faz aí o bold porque são parâmetros, né, muito replicáveis, né? Então, a inteligência artificial, cara, analisa dados, vê o que que mudou, entendea,inclusive pega a própria engenharia já feita e jáé a engenharia é daí talvez é mais complexo, eu imagino.

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Mas no desenho eu acredito, eu acredito que a tecnologia vai, a inteligência artificial vai nos ajudar muito a executar coisas burocráticas, da mesma forma que antigamente eles tinham que desenhar a mão, tinham que esculpir depois matrizes em metal.. Eu não vou precisar desenhar um bold, eu vou precisar refinar um bold,né? Ele vai, eu posso, se eu desenho o B, ele vai fazer o B, D, ele pode me dar um um ponto de partida dali. Eu vejo a inteligência artificial no nosso lado muito mais nos auxiliando como ferramenta de execuçãodo que substituição, porque o que que vai acontecer? E aí uma visão minha de forma maiscomo você falou partes do processo que tornam o processo ineficiente burocrático. Sim, escalaescala qualidade, né?

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Mas o que que acontece daí? Aí, aí que eu acho que vai ser o grande o grande diferencial quando, e acontece com todas as tecnologias isso, a gente vai ter um boom de oferta de coisas sendo saídas assim, executadas e o grande diferencial vai ser um olhar mais de curador. E aí que eu imagino que vai ser o nosso de, sei lá, de ter, sei lá, sei bom gosto, estético, repertório, ter participado de tantas reuniões, entender de marketing, cruzar coisas, de dizer: "Cara, é por aqui e não é por aqui."É, é isso.Mas a execução vai se banalizar, né? Mas eu que meio eu não tô preocupado muito nessa questão de porque as pessoas ainda vão precisar coisas diferentes,ainda a marca, qualquer marca ou comunicação vai precisar se destacar no mercado. E não importa quanto mais mesmo que a Iá descubra que tá agora se todo mundo é zig, vamos para Zag. No fim, se todo mundo fizer Zague, a gente vai ter que inventar outra coisa aqui. Ach, eu acho que ela democratiza, né, por um lado, mas ao mesmo tempo ela cria mais homogeneidade do outro, né? Eu tenho lidoalguns textos, por exemplo, às vezes comentários no LinkedIn e etc,que assim, você lê o texto e fala: "Esse cara escreveu com inteligência artificial, né?" Porque ela tem características feiode inteligência artificial, né? A gente tem que falar, galera, vamos parar com isso, tá chato, vocês estão passando vergonha,vamos parar com isso.

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Já tá dando para reconhecer, né?É tão na cara que a pessoa escreveu.É. E aí a gente v naNão tem nada errado de escrever, né? Mas assim, você dá, você pede uma ideia pra inteligência artificial, ela te escreve um texto, você pegar aquilo e colar é muita preguiça, né?É,você pode sair do zero, papel em branco, fala: "Puta, é legal sair do zero mais rápido, né?" Mas,mas aí começa a brincar com as palavras, né? Começa a colocar um pouco de você ali, né?Isso. É isso.E daí esse conteúdo vai ser relevante. Esse conteúdo, esse vai ser relevante. Só tá poluindo. Por isso que a gente tá cansado.E a gente tá buscando voltar pro offline, tá buscando ficar longe da tela.Eu tenho umas pessoas que eu segui que agoraé tem que parar. É só ruído. É só ruído. Vamos parar com isso, gente.

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E aí o filtro, curadoria vai ser cada vez melhor.Pois é.é por isso até que a gente tá tá vai voltar com a newsleader, porque aí você vai dizer assim: "Cara, vou sair daqui, mas deixa eu ver o que que o Hag selecionou, que ele tá vendo e lendo e a equipe e aí me entrega de bandeja uma coisa que eu sei que foi pensada."Não, e é muito louco isso que você tá falando. Eue tem o seu olhar. Sei você conhece a Mônica Barbosa, né? É uma jornalista de design. eu fui me tocar que eu lia todos os newsletter dela um dia que ela entrou em contato comigo e falou: "Jã, eu queria te colocar, fazer uma entrevista com você no newsletter". Eu falei para ela: "Puta, eu acompanho tudo". Aí eu parei para pensar, falei: "Nossa, eu tô lendo os newsletter do e-mail". Que assim, é um processo seletivo, né?Por que que eu lia? Porque vinha dela, eu conheço ela, eu sei que ela sempre traz alguma coisa, ela faz uma curadoria, então eu recebia o dela, eu sempre botava lá para ler depois, né?

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É isso aí. É, então de fato, né, a importância não é a ferramenta, não é a newsleter, é a qualidade que você vai botar lá, a curadoria que você vai colocar lá.É, posso dizer isso,a lente, né? A lente, a lente é a lente. E isso virou na educação também. Eu vi eu tenho certeza que o que o que que eles curtem é a curadoria do que eu faço e faz sentido para eles. Todo conteúdo.Estudar um modelo de negócio novo.É a curadoria. É a curadoria do que que a gente tipo isso, entendeu? Ó gente, o Fábio, isso aquilotem tanto conhecimento disponível. Eu quero me formar, não é nem formar a minha carreira mais, né? Porque a gente nem sabe se vai ter carreira mais, mas as pessoas vão ter que continuar se formando, né? criando repertório, escolhendo quais repertórios no meio de tanto conhecimento, ela vai escolher. Se você não tiver um tutor, um curador, alguém que lá na Grécia tinha e dizia: "Olha, eu vou vou te ensinar isso aí,vou te ensinar como é que pensa."Eles piram quando você fala assim, fala: "Cara, eu tô te mostrando e não tem celular, não tem porque você faz, é, larga tudo". Porque não, mas é isso, é você entender o que que conectado com o que o outro quer que não é o que eu acho,né? O que eu sei que vai ser. Eu fiquei, a última aula, a gente tava falando design, eles pararam, o cara foi ler livro já.

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Ah, tão bom.Foi. É, nossa, professora, já sei, eu já sei que é muito legal, é curadoria.É coisa boa.Qual que é a tipografia mais famosa do mundo?Olha,Comic. Sabe que eu vou inverter a pergunta a comic tem grande chance, né? Mas sabe uma coisa que a gente não se dá conta?É, pode ser quase considerada o o projeto de identidade mais longevo do mundo. As maiúsculas que a gente usa até hoje foram inventadas pelos romanos.As maiúsculas,as maiúsculas que a gente usa até hoje foram inventadas pelos romanos.E por que que maiúsculas?Porque eles tinham que éeles só tinham, é a tipografia deles, né? Era só a letra,era tudo maiúsculo assim. a o estilo principal que originou. Sim, eles estavam muito naquela e naquela pegada de projetos de identidade visual, né?

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Eles eram muito expansionistas, né? Pô, imperialistas totais. Eles iam conquistando os territórios adjacentes na Europa e levavam as suas letras e erguiam monumentos lapidando na pedrapara dizer aqui, quem manda é o povo e o senado de Roma. E aquelas letras ficaram e elas tinha essa noção de identidade..Né? A tal da palavra queé exatamente. Então, tanto que tem um monte de fontes no sistema de vocês que tá Roman. Roman, isso vem do E na realidade, E na realidade eu diria que o mais longevo seria essa essa própria lógica, né? Até hoje a gente tá aílegal legalcom as maiúsculas romanas por mais de 2000 anos.Ébom. Tem mais alguma pergunta? Não, porque eu vou ter que nós estamos aqui.

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Quanto tempo, Eric? Quanto tempo já?150, né? O papo tá tão bom assim. Eu fiz um roteiro enorme aqui. Tem 5000 perguntas que eu não fiz consegiu falar bastante 5000 perguntas que eu não fiz ter feito. A gente pode fazer um outrojá fica a dica pro pro próximo. Fábio, eu queria te agradecer do fundo coração a gentileza de vocêvir para São Paulo, né? a convite para participar do podcast, de ter, como você mesmo falou, achado que era importante estar aqui, né, de de tem um podcast lá que vale a pena falar.Eu agradeço, eu agradeço, eu agradeço muito porque é uma coisa, especialmente que eu falo sobre gestão calma, eu acho que a gente precisa falar mais sobre o mercado e eu sei que isso às vezes pode ser é um pouco provocativo, né? Então eu faço questão de a gente colocar isso, né, na mesa de forma muito gentil, de forma muito consciente. Então eu agradeço aí ter esse microfone, essa audiência de vocês e poxa, a gente nós se conhecemos há muito tempo, já estamos juntose então obrigado mais uma vez, é um prazer.

1:55:39

Obrigado. Você g quer dar um recado final?Não, isso que é o prazer de ouvir pessoas que são tão inspiradoras assim, né? Eobrigado.Manter isso, manter esse espaço, né?É isso.Bom, então, e para você que ficou aí nos assistindo durante 1 hora50, queria agradecer também a tua atenção. Se você gostou desse conteúdo, manda para alguém que você acha que precisa ouvir o que foi dito aqui. se quiser fazer um recorte, faz também o recorte, posta nas redes sociais. A gente agradece a divulgação. Um beijo no coração e até a próxima.