Sobre o episódio
Luciana Bazanella começou na publicidade em 2001, numa agência gaúcha que perdeu a conta quando o provedor que atendia foi comprado, e desde então trabalha com coisas que as pessoas demoram a entender. Passou pela Apex, por uma das primeiras agências digitais do país e pelo MIT Media Lab, onde teve seu lampejo futurista, e em 2015 fundou a White Rabbit, que hoje ajuda empresas a pensar futuros por meio de experiências, design especulativo e arte.
O ponto de partida da conversa é a crise da imaginação num tempo de permacrise, em que crises econômicas, climáticas, de saúde mental e da própria realidade se entrelaçam. Luciana apresenta as cinco lentes da reimaginação radical, ousadia, multissensorial, multitemporal, sistêmica e pluriversal, e defende que pensar futuros, no plural, é a coisa mais séria que uma organização pode fazer, sem cair no futurismo de palco nem confundir estudos de futuros com previsão.
Gian traz Bergson, C. S. Lewis e o paradoxo do navio de Teseu para discutir tempo, ansiedade e escolhas. A conversa passa ainda pela inteligência artificial e a figura da futurista arrependida, pela ganância como o viés mais perigoso para as empresas e pelo espaço que se abre para designers que se dediquem a desenhar cenários de futuro.
Trechos em destaque
“O apocalipse é apropriado como a ideia do fim, porém o significado original de apocalipse é revelação.”
“Nós estamos vivendo uma perspectiva muito encurtada. É óbvio que nós vamos tomar péssimas decisões.”
“Não dá para prever o futuro, mas dá para imaginar futuros, dá para aprender a fazer futuros.”
“Essa projeção de futuro nada mais é do que a ampliação do estado de consciência.”
“Esse discurso do se manter atualizado é muito nocivo. É o discurso que te mantém na rodinha do hamster, gerando um museu de grandes novidades.”
“Quando as pessoas colocam os futuros na mesa, elas tomam melhores decisões no presente.”
Capítulos
- 0:00Abertura
- 2:33Viajar no tempo: 30 anos para trás, 30 para frente
- 6:17Da publicidade ao lampejo futurista no MIT
- 14:12Nasce a White Rabbit
- 16:05Futuros sem paralisar as pessoas
- 18:58Ancestralidade e o Brasil como país dos futuros
- 21:28Permacrise e a crise da imaginação
- 23:05Repertório e a metáfora das lentes
- 27:49As cinco lentes da reimaginação radical
- 30:56C. S. Lewis, o futuro e a ansiedade
- 34:46Apocalipse quer dizer revelação
- 39:29Quando começa o futuro?
- 44:59Bergson e o tempo vivido
- 47:10O paradoxo do navio de Teseu
- 49:59Inteligência artificial e a futurista arrependida
- 55:30Ofício, formação e experimentação
- 1:01:52Equipe centauro e máquinas humildes
- 1:06:36Economia sob demanda e implicações sistêmicas
- 1:14:27Os futuros estão melhorando ou piorando?
- 1:25:05Ganância, o viés mais perigoso
- 1:26:29Estudos de futuros e vidência
- 1:31:53Designers futuristas
- 1:40:36O legado
Cortes do episódio
🚨 Você é ou se sente ansioso ou ansiosa?8 min · YouTube
🛎️ Porque a imaginação é tão importante pra pensar o FUTURO? - Cortes10 min · YouTube
Transcrição completagerada a partir da legenda automática do YouTube, com revisão de nomes
Olá, olá, olá. Bem-vindos ao Trocando a Lente, um podcast cujos temas são negócios, empreendedorismo, marcas e hoje futuros, certo? Meu nome é Gian Franco eu sou sócio e red de estratégia da Pande, uma das principais consultorias de brand da América Latina, host desse podcast junto com o meu amigo Gabis. Gabis, dá um oi pra galera aí.Olá, eu sou o Gabis. fundadora da também aqui com nesse projeto com o Gian trocando a lente. Temos uma amiga querida aqui que nós vamos apresentar hoje. Fala sobre o amanhã. É isso.É isso. Amanhã o depois da amanhã. O depois do depois da manhã. Bom, para quem eu não tome bronca, você não tava aqui na semana passada, mas eu falei,fez a parte que ele mais gosta de falar.
Não, eu fiz no fim que eu esqueci, obviamente.E aí no fim eu falei: "Não, eu não posso esquecer, senão vou tomar bronca do gato". Curta, compartilhe, comente, se inscrevae ativa o sininho.Ative o sininho da notificação.Manda para todos os amigos da Play. Assista muito.Se você não gosta, deixa passando no celular, no iPad, assim, pelo menos para registrar que você viu que você ajuda o canal a crescer.Algoritmo, algoritmo ajuda.Algoritmo a crescer no YouTube. Bom, estamos aqui hoje, Gabis, faz a apresentação aí da nossa amiga.Hoje conosco Luciana Bazanella. Diretamente de Porto Alegre.Sim, do sul.Diretamente do Sulc.Eu sou do sul. Ó, vocês queriam que eu cantasse. Já tô começando cantando aquie agora gravando.
É gravando. Tá vendo? Travei no ensaio e entreguei aqui no podcast.Bom, para quem não conhece, Luciana Bazanella é publicitária, como ela diz, ex publicitária, mestre em comunicação com ênfase em semiótica, cofundadora da White Rabbit, futurista, né? Esse esse é o cargo principal.É, é esse é, digamos assim, um é um estado mental e é também uma profissão e é também uma ciência, como a gente vai falar aqui, que eu tô agora dedicando nos últimos anos da minha vida também a a esse, digamos assim, não sei se não acho o termo correto, né? Porque se falava quando no começo lá da internet, né, de quando eu comecei com inovação lá, falava evangelista inter pisso. Exato. Na época que a gente tinha que falar assim, você precisa ter um site. Você sabe o que é um site? Você precisa ter na internet. A internet é o futuro. Tava eu lá 2001 quando saí da faculdade, né?
Já falando disso,nesse rolê. Exatamente. E aí depois, como posso contar depois um pouquinho para vocês, acabou chegando essa ciência dos estudos de futuros para mim até eu me descobrir, atuar aí chegar nesse momento da vida onde ser futurista realmente é a minha principal ocupação.Virou minha principal atividade.Exato.Bom, para começar, eu preparei aqui uma pergunta bem especulativa para falar de futuro. Se você pudesse viajar no tempo entre passado e futuro, que década você escolheria?Bom, primeiro lugar, eu posso viajar no tempo, gente. Eu passo a minha vida convencendo as pessoas. Eutenho essaporque eu viajo no tempo e eu viajo mesmo. É o que eu faço. Convido muitas pessoas, muitos de vocês aqui já viajaram no tempo comigo, certo? Certo?
E inclusive tenho várias vários conteúdos, palestras que eu falo assim, essa é uma história real sobre viagem no tempo quando eu conto, principalmente quando falaste da palavra especulativa, né, do design especulativo, que é das frentes assim dos estudos de futuros que eu mais me identifico, né? Então eu me considero super uma viagente no tempo, né? E epara que década você iria? E eu, na verdade, quando eu, né, me sinto assim, não fora até de trabalho, né, que eu tô sempre pensando 50 anos, 30 anos, né? Então, para mim 30 anos é onde eu opero sempre num rolê de trabalho. Eu sempre penso 30 anos para trás, 30 anos pra frente,que eu acho que por motivos que a gente pode falar aqui um pouquinho, acho que ajuda as pessoas a vislumbrar, digamos assim, né?Não é nem tão longe para trás, nem tão longe paraÉ, sabe que já tem uma uma perspectiva de tempo ampliado, então as pessoas conseguem fazer um cenário que não seja só de continuação.. a gente falar 1, 2, 5 anos, né? 10 anos, enfim, é quando tem até eu começo no livro falando isso, né? Uma perspectiva de pesquisa que fala que quando tu pensa assim: "Ah, as coisas no futuro, normalmente as pessoas pensam, elas estão pensando num horizonte de 10 anos, mas quando eu quero mergulhar no passado, ah, eu quero ir para 3.000 anos atrás, amigo.
3000?Eu quero sim, eu quero est lá nas pirâmides.Você tá com com os egípcios? Eu tô com os egípcios, aliás, eu estive muito com os egípcios ultimamente, que eu tive lendo as leis herméticas, não sei se vocês já leram já,que fala dessa desse resgate, issoda sabedoria do antigo Egito. Então assim, se eu se se por mim, assim, agora eu quero ir, eu quero ir, eu quero realmente tentar rezar, quando eu preparei essa pergunta, eu pensei o seguinte, falei: "Ela vive no futuro, ela com certeza vai pro passado". Ah, então deve ser com certeza. E eué o contraponto da vida profissional, né?E mais do que isso, né? Que eu falo menos vezes a palavra passado do que a palavra futuro, né? Que eu falo mais, mais assim, mas eu eu tô sempre eu sinto a gente, nossa sociedade, o mundo muito cheio de passadoe um passado que precisa ser também trabalhado para que a gente possa também vislumbrar futuros. Então eu para mim, eu sou canceriana, né, gente? Então assim, eu eu também desde que comecei a estudar mais numa visão decolonial e também pode ter uma vivência pessoal, espiritual com outras culturas além da que eu vim, né, hegemônica, branca, passei minha faculdade, meu mestrado estudando autor francês, né, não sabia que existia tempo espiralar, não sabia que existia a visão indígena do tempo, né? Quando quando isso chegou na minha vida também eu tive me despertou mais ainda assim esse desejo pela ancestralidade, pelo mistério de tudo aquilo que foi apagado,de tudo aquilo, dessa dessas sabedoriasque poderiam estar aqui disponíveis para nós, mas que por processos históricos foram violentadas. Então, para mim, esse mistério do passado, assim me atrai de
Uma forma e foi o que mais moldou a minha visão de futuros, foi quando eu daí assumir e sair do armário que queria estudar ancestralidades, né? Então,e então vamos voltar um pouco no passado. Conta um pouco da tua história desde a formação, né, lá de pequenininho, como é que você chegou no lugar que você tá hoje?Vixe Maria.Fazer uma terapia aqui..Fazendo linha do tempo, né? Que também é um grande exercício, né? que a gente a gente se propõe a fazer e ultimamente eu tenho pensado muito nisso também. Como que eu cheguei aqui mesmo, gente?Como é que eu vim parar?E aí uma coisa reparei que que eu tenho esse esse o padrão, digamos assim, de sempre tá trabalhando com coisas que as pessoas não entendem muito bem o que é, né? Então, a esse, eu sempre conto também que a esses dias a minha cunhada no grupo da família lá, ela escreveu, ela falou assim: "Gente, quanto mais eu olho os vídeos da Lu no Instagram, menos eu entendo o que ela faz".
que ela falou assim, eu falei, gente, essa é uma é uma é uma, digamos assim, um padrão, tá, na minha vida. Aham.Então, eu vou, eu tive esse sonho, né? Me formei em publicidade naquela época, né? Me formei 2001, né? 2000. 2000. Sou da do bug do melhor coisa do mundo, né? Eu fiz isso também.Eu peguei a última. Eu peguei aquela o rescaldinho, né? E eu queria realmente assim, eu queria dominar o mundo. Você sa usava comprar, comprei óculos, né, assim, sem grau para poder botar óculos para ficar uma pessoa mais séria, entendeu? Agora precisa,eu era assim, é, agora, agora tô aqui odiando esses óculos, gente.É nada, é muito legal, muito estilo.É. E aí, enfim, eu tinha essa essa visão assim de de fazer coisas grandes, né, de comunicação. Era fascinada por esse mundo da comunicação assim, né, na faculdade. Só que daí logo logo na faculdade apareceu essa coisa. Para mim foi realmente assim uma coisa que, né, não foi uma escolha. Não sabia o que tava fazendo ali,sabia onde eu tava me metendo.
Não sabia onde eu tava me metendo, com certeza, né? que no final da faculdade eu fazia um estágio. Desde desse estágio eu comecei a trabalhar numa agência que na época atendia os o o ZAS, que era o provedor portal degaúcho que foi comprado pelo Terra..Né? Então eu fazia as campanha, você precisa ter um site, você tem que ter um e-mail, fica sabendo o que é um e-mail, ela era esse rolê, né? Já perdi o emprego por causa da internet lá no ano 2001, porque o Terra compra os as provedor e aí acabou a agência, entendeu? Que era lá,perdeu a conta,perdeu a conta e aí perdi o emprego. Foi bem quando eu tinha, eu tinha me formado, né? Mas como eu sabia esses negócios de internet, eu fui trabalhar já naquela época, Gabi, olha só, em curadoria de eventos. Tinha uma entidade de classe lá. ah, DVB, que fazia eventos top de marketing, top que que e os congressos de marketing. E aí eu comecei a fazer pesquisarelacionado à internet. E aí dali, né, desse rolê de internet que na época a gente chamava multimídia, todos os projetos multimídia. Daíé porque a internet ela vinha num CD que você tinha que instalar no povoEntão é gente, o povo, né, não sei aqui igual a geração que tá nos escutando, né, era multimídia naquela época, né? Aí eu tive ali, comecei a trabalhar com muitos eventos, eu tive uma passagem que até hoje é muito influente na minha vida, que eu fui trabal fui paraa Brasília, então eu fiquei um ano na Apex, trabalhei no gabinete da Apex, lá pude assim conhecer o mundo e como é que eu posso? Tive também experiência assim em ONU, UNESCO. O presidente da Apex na época fazia também o trabalho de de atração de investimentos 2008.
Então era os rolê de internet ali e lá na Apex, né, me buscaram lá para trabalhar numa das primeiras agências digitais do Brasil, porque eu tinha conhecido, né, esse pessoal lá antes e não tinha quem trabalhar. a internet tava crescendo, eu recebi essa essa proposta e lá na e aí fui trabalhar no na área de ganhei na época a concorrência quando o Brasil ganha a candidatura do Rio 2016, né, para fazer o site.Ah, não foi a Copa, foi a Olimpíad, né?Olimpíadas. Olimpíadas. A Copa também a gente entrou, foi bem ali naquela época..E aí eu trabalhando na agência digital não tinha onde não tinha conteúdo, né, gente? Não tinha assim o que que é o YouTube, como que posta, o que que faz, era tudo alá louco assim que a gente fazia, né? E não tinha profissão também, né? A gente saía descobrindo. E aí eu lembrei que o pessoal lá da área de música que fazia projetos de música da Apex, tinha um evento que tinha uns rolê de música e também tinha uns negócios de internet. Liguei pro meu amigo lá que coordenava aí, disse: "Como é que era esse evento mesmo?" Era o SXSW.
E por issofoi aí,e por isso que eu fui uma das primeiras brasileiras que descobriu SXSW, né?Quantas vezes você foi lá já?14.14 vezes.14 vezes. E aí que isso daí foi em 2010, né? E aí tinha inclusive em termos de música tinha, né? Até mais movimentação do que tem hoje, né? Tinha muito assim a movimentação da música brasileira, tinha muita coisa de world music, né? Na cena lá do SXSW Music e tinha uma coisa de internet. E aí eu me afundei na internet. E quando eu me afundei na internet, né, na primeira onda ali, redes sociais, fazia essa presença, estudando teoria de redes, eu tinha recém defendido o meu mestrado nesse trabalho de semiótica redes. E aí lá a galera do monte mestrado, a gente conseguiu fazer um convênio em 2010 com o MIT Media Lab.
E aí lá eu tive meu lampejo futurista, porque dentro do laboratório eles usavam muitos métodos de cenários, de foresight, né, que eu não conhecia,né, que eu usava design em tendências, né, isso a galera de de internet sempre foi muito de tendências, então era aquela coisa trend watching com hunting, então eu vinha desse lugar, isso já era bemmeu mundo, mas lá eu conheci realmente o design especulativo, eu conheci os cenários e tinha lá o laboratório que chama chama Tangible Media Group, que era o laboratório que fez o concept do Minority Report. Vocês lembram?Lembrodo Minority Report. Aquelas cenas, né, que os J não tem mais essa referência. Essas cenas eu falei, os J não tinham referência do do meninor de Freiport. Então se ou quem não assistiu, gente, é o seguinte, ele tem esse o plot, o Tom Cruise no auge, né, no auge do Tom Cruise, ele tinha esse device, enfim, que mostrava os cenários, múltiplos cenários dos de crimes que estavam prestes a acontecer. antecipava os crimes antecipava os crimes e aquele concept daquilo que era uma uma interface touch e aí conforme eles iam chegando perto para prevenir o crime, ia diminuindo a probabilidade daquele cenário até sumir.
.Que era quando eles preveniam o crime, né? E aquele consert, então, ele tem toda uma base, né, dos de estudos de cultura lógico.Gente, eu sentava na frente da Media Lab e ficava assim, ó, ficava assim, sabe, imersa naquilo. Aquilo foi muito impactante para mim, né? Então, faz 15 anos. E desde ali aí do meu lampejo futurista, né, eu fiz essa carreira na agência ainda, cheguei lá, né, tipo, tipo, fui, né,você trouxe todas essas ideias, ninguém te entendeu? Não, mas é que mas mas todo mundo achava assim internet e tal, eu falava e tal, mas era muito para ganhar concorrência, né, amigo? Mas eu fiz,aprendi demais do ponto de vista de pesquisa, porque eu coordenei lá durante todos os 10 anos da agência uma área de de social media monitoring quando não também não existia. Aí daí eu fazia uma coisa bem acadêmica, assim, bem CDF, sabe, de monitoramento. Então isso foi bem legal assim, até hoje eu uso porque era análise de discurso, né, essas análise de grafos que a gente ainda usa com para análise de narrativa.
Exatamente.E dali saio da agência, na verdade, para porque eu engravidei, voltei, virei estatística, falei: "Não quero, gente, não vou mais, tinha que amamentar". E aí eu dava bastante aula na FGV na época também. E aí foi ali que eu comecei a fazer curadoria já por como frila, né? Já fazia os reportes do SXSW desde só que eu fazia dentro da agência. Eu apresentava pras agências do grupo publicis, apresentava pros clientes, oferecia pros clientes, sabe? Era super legal assim. E aí eu disse, aí agora daí convidei a Van minha sócia na White Rabbit, pra gente então vamos fazer.Foi aí que surgiu a White Rabbit. É, vou fazer, vamos fazer ali 2015, porque daí a gente paga, vende uns report, paga a viagem que, né, não tinha mais quem pagasse.
Você nunca tinha empreendido ainda?Nunca. E aí, beleza. Daí a gente brincava, né, que eu diz assim, eu falava, ia lá, falava com os clientes, dizia: "Oi, eu sou a Luciana". Aí chegava na recepção. Luciana da onde? Eu falava: "Dá, gente, eu não tenho empresa." Tipo, eu quero falar aqui que o Gian Pessoal da Basanela, né? Sou Bazanella. Isso. E aí? e aí eu, a gente pensou, se fizer umas contas, se a gente vender três reportes, a gente paga as contas, a gente vendeu nove. Olha, e aí os clientes começaram a pedir coisas que começar a pedir desdobramentos de pesquisa, que era muito de tendências, né? Só que a gente foi assim, não, vamos levar o foresight, vamos levar cenários e tal. Só que a verdade verdadeira foi que a gente acabou logo largando o foresight porque a gente não conseguiu vender mesmo, sabe? Tipo, a gente tentou a Van, tinha feito um curso lá em Israel de foresight, mas não rolou. E o que começou a rolar foi quando a gente começou a criar as experiências, a gente começou daí fazer design de experiência, design especulativo, integrar com arte. A gente criou vários programas de de pesquisa assim com linguagem de talk show, né?
Daí comecei, entrei na brisa da da comédia, fiz curso de de de standup, de palhaço, de roteiro. Aí, tipo, cada pesquisa virava literalmente um talk show, né?Você tava se construindo ao longo desse processo.Exato. Então, a gente começou a fazer isso porque é isso que começou a rolar. E aí eu comecei a mergulhar mais daí no design fiction, design especulativo, né, que era onde tinha esse match que a gente tava conversando aqui antes, né, da área do design com a área de futuros, digamos assim. Comecei a me encantar com isso e perceber que as pessoas ficam muito tensas quando falaram de futuros. Falou de futuros, todo mundo daquela tela azul, né? E a gente começou a ver que do ponto de vista de pesquisa, a gente não tinha muito o que dizer para aliviar as pessoas..Eu não vou, né? Piorar, né? Eu sou um profissional sério de pesquisa, eu tenho que te dar real da ciência climática, eu tenho que te falar real das projeções econômicas, eu tenho que te dizer a realidade sobre como que funciona, né, que vai acontecer com as cidades,o que que vai acontecer com as cidades, a a essa coisa louca da da desregulação da inteligência artificial, entendeu?
Isso é um profissional sério de pesquisa, tu não vai ficar, né, sugar coating, como é que passando pano. É,só que por outro lado não adianta também isso quer gerar transformação se as pessoas ficam apavoradas quando tu abre a boca. começa a falar de futuro, as pessoas já travam, não? Então, que é um onde eu comecei a estudar muito também essa frente do apocalipse, né, da temática do apocalipse, que que é a palavra do apocalipse, os memes do apocalipse, como que a gente se relaciona com isso, né? E aí foi que acabou virando a metodologia autoral da White Rabbit, que é a reimaginação radical. E aí chegamos, acho que no dia de hoje.Chegamos, não, vou voltar há um tempo atrás, quando eu conheci.Ah, ótimo. Quero saber quando imagina foi no evento da ABEDesign aqui.Evento da ABEDesign.Eu e o Gabis aqui projetando o trocando a lente, o podcaste aí você fazendo a apresentação ali na frente foi apresentar a sua metodologia do de reimaginação radical que o Gab já conhecia. Falou: "Você precisa conhecer.
Aí você vai lá. Agora eu vou apresentar as cinco lentes. Eu olhei pro cara, eu quero conhecer todas e eu quero convidar ela para ir no podcast, justamente porque, né, trocando a lente parte da mesma premissa, né? Todos nós podemos trocar de lente para observar outras coisas,trocar repertório, entender o mundo pelos olhos de outras pessoas. Essa é a parte mais difícil.Perfeito.E vamos voltar então pr pra metodologia. explica um pouco paraa sua cunhada entender o que você faz. Já que ela não entende, você vai ter que explicar com pro leigo entender.É, eu já fiz muitas coisas, né?O que que o que que é a metodologia da reimaginação radical,tá? É porque assim, eu já fiz fazer, né, quandoe quais são as lentesqual o fazer no mundo, né? Já fiz muitas coisas assim de experiências, workshops, né? A gente vai pivotando.
Eu até brinco, eu digo assim: "Nossa, deve ser engraçado, né? numa empresa que todo ano vende a mesma coisa, porque isso nunca aconteceu comigo como empreendedora.Todo ano a gente teve que pivotar as entregas e entender como que o mercado de alguma forma consegue absorver o pensamento de futuros, né? Então já passei por várias fases. Nesse momento era um desejo antigo de transformar o seguinte: a gente foi construindo uma forma autoral de fazer as experiências de aprendizagem relacionadas aos futuros, né? E aí a gente começou a decupar isso, né? Isso foi durante a pandemia decupar o que que era. Então, afinal e foi até um feedback dos clientes, que os clientes diziam assim, nem entendia muito bem o que que a gente fazia, mas assim,eu quero, eu quero comprar esse negócio de vocês assim, porque eu quero vocês, porque eu gosto do jeito que vocês fazem. Não, o que que é esse jeito que a gente faz? E realmente tinha um jeito de fazer, né, um cuidado assim, principalmente com a experiência e um escopo de referências que também eu entendo que faz uma diferença que eu acho que foi uma grande mudança na minha vida, na vida de todo mundo que participou dessas pesquisas, que foi que eu já comentei aqui, a questão da ancestralidade. Então, quando a gente sai dessa visão hegemônica do norte global e diz: "Não, comece a gente aqui como do sul global, como é que a gente descoloniza o nosso pensamento? Como é que a gente vê as referências que são brasileiras? Como é que a gente entende a Amazônia como centro do mundo, que é o que a Eliane Brum fala, né? Como é que a gente entende, né, o Brasil como esse país dos futuros que tem aí, né, eu falo, gente, sempre, o Brasil pode ter todos os problemas que tem, mas tá lá, habilidade do futuro, cheque, cheque, cheque, cheque, cheque. Então, nós tem tudo aqui, inclusive água potável, tá? Que também é o ouro do século XX. Então, enfim, né? Então,energia limpa, água potável,pelo amor de Deus, sério mesmo, gente.
Enfim, sou uma uma uma assim uma entusiasta do nosso ecossistema de inovação, né? E agora do ecossistema de futuros que vem se consolidando de uma forma maisacho que mais madura mesmo, sabe? E aí, mas enfim, fiz tudo esse inóito para chegar na metodologia, né? Então, que são que era esse jeito específico de fazer. E aí quando a gente começou a falar disso, começamos a falar que parte da premissa da crise da imaginação, a gente tentava fazer cenários com as pessoas e via que assim pessoas t dificuldade,né? Assim tem visões muito muito estreitas, né? E e uma falta de esperança, né? Então a gente começou a entender o por isso, as imagens de futuros, estudar a permacrise, então esse esse contexto de extrema incerteza e a partir disso, então a importância da imaginação.
Explica, explica a permacrise pra galera.Vamos falar da permacrise. Permacrise, né? É, é um conceito que vem sendo utilizado cada vez mais, né? Eu vejo cada vez mais assim, mais no mainstream, né? Mas ele diz respeito a um período extenso de crises, de crisez no plural, onde múltiplas crises vão se entrelaçar com consequências que são totalmente entrelçar e não nos abandonar nunca mais.Exatamente. Elas estão são agarradas em nós. As crises elas estão apegada, tá? e uma interfere na outra, não tem uma perspectiva de solução a curto prazo, então é um período extenso de instabilidade. Então a gente tá falando de crise econômica, de crise da desigualdade, de crise climática, de crise agora a crise da realidade,né? Onde a gente tá já faz anos que a gente vê o declínio da confiança, né?
Que é as onde tu tem declínio de confiança, tu tem um abalo assim daquilo que as pessoas consideram realidade, né? E agora então que a gente, né, sucumbiu aquilo que que eram teoricamente as evidências físicas da realidade, que eram as fotos e os vídeos, também sucumbiu. Então a gente tá também vivendo uma crise da realidade, uma crise cultural da polarização extrema, uma crise sem precedentes de saúde mental, né, já mapeada pela OMS e uma vai afetando a outra. E aí, nesse contexto, a gente vai desistir, amigo? Me fala. ambiente digital que pulveriza isso emexatamente uma crise absoluta também nesse sentido. E aí o que que a gente vai fazer? A gente vai desistir? A gente vai dizer: "Ah, então tá, acabou esse aí é os futuros, acabou". A gente tá dizendo que não.
É a famosa imagem volta que deu merda, né? Exato. Mas o que a gente se propõe aí chegando nas lentes é que existe sim formas de ver esses desafios, esse momento com outras lentes que nos possibilitem inclusive abrir esse espaço, tanto emocional quanto mental, para pensar outos futuros..Para sair daqueleção.Quais são e quais são os repertórios que você traz para permitir que as pessoas possam fazer essa essa projeção de futuro? Então assim, repertório é uma palavra muito importante mesmo, né? Porque dentro da linha que a gente seguiu aqui, que é de narrativas de futuros, a gente sempre teve uma preocupação muito grande com a curadoria, né? Que isso tem que te revelar, mostrar sinais de futuros, novas narrativas. Por isso que no trabalho da reimaginação radical a gente fez inclusive uma assim fez questão não só de ter as referências bibliográficas, os estudos e tudo mais, mas também de coletivos, pessoas, pensadores, né? para que isso possa cada vez crescer mais.
Então, a gente tem um cuidado muito grande, né, inclusive de trazer conhecimento de outras áreas que não necessariamente tão dentro daquela visão clássica dos estudos de futuros. Então, vai ter artistas que estão fazendo, né, provocações importantes para novas narrativas de futuros, mesmo que elas não estejam dentro, digamos, de uma coisa pré-concebida daquilo que a gente entende como essa ciência. Mas então, quando a gente repertório, ele tá assim, como é que eu posso dizer? Em constante aprendizado e desaprendizado, né? Eu entendo que assim, é na rede que a gente vai construir uma visão sistêmica, como a gente estava conversando antes também.E aí quando a gente foi entender, então, assim, como que a gente ia fazer estruturar, né, a gente já sabia assim, olha, tinha, digamos assim, já tinha feito esse trabalho de pesquisa, né, nosso, assim, das nossas práticas e das nossas referências. Então, a gente já meio que já tinha organizado isso, né, para para estruturar como uma metodologia e a gente não sabia que metáfora usar. Aí são os pilares da reimaginação radical, são as frentes da reimaginação radical, são o qu, né? A gente ficou muito tempo nisso, tá? A gente não sabia como como chegar nisso e eu sempre agradeço parafalar pilar é muito fixo, né?
É, eu falava, mas pilar não pode ser, não precisa ser 20, não dá. Então nós ficamos muito tempo nisso e até inclusive nos agradecimentos eu faço e faço agora novamente que era foi uma pesquisadora que trabalhava com a gente, a Isadora Ferraz, que eu nunca me esqueci assim, ela abriu assim, ele disse assim: "Ai, sabe o que eu tive pensando? Eu acho que podia ser lentes." E eu falei: "É lentes".Sim, claro.É isso.É lentes. E sabe o que que me foi? Aí ela me defendeu todo, né? Porque que ela achava que tinha lentes, porque tu pode trocar de lente, porque tu pode ampliar, porque tu pode. Enfim. E para mim ficou muito assim, óbvio que tinha que ser lentes, porque me deu o o estalo também de que muitas das metodologias relacionadas a estudos de futuros tem a ver com visão..Tem a ver com visão. O cone de futuros é uma ferramenta de visualização. A roda de futuros é uma ferramenta de visualização das consequências. Enfim, tem muitas séries. Quando a gente fala, né, de de futuros, a gente fala de verbos relacionados à visão, a gente fala de vislubrar, né? em inglês fala envisioning, né? Como é que eu posso envisionar e imaginar é formar uma imagem mental?
.Eu tenho uma tela na minha menteprojetada, né?Que projeta aquilo que eu tô conseguindo daí sim materializar. E aí foi que então a gente e teria essa flexibilidade também, essa coisa de, né, que no teu no teu na tua vinheta aqui, tu tira uma lente, tu vai usar a lente que é maismais adequada para aquele momento, não é? Uma lente não é mais certa que a outra.Exatamente.Não é maior, não é melhor que a outra. Inclusive, grande parte do nosso trabalho é ter a flexibilidade de trocar. Opa, agora eu preciso da lente da ousadia. Não, pera, agora eu preciso pensar mais a longo prazo. Deixa eu botar lente sistêmica, né? Então a gente ser capaz de de circular entre essas lentes, né? E é uma coisa que me fez muito essa metáfora me fez muito fazer as pazes, né? com toda essa abordagem da arte e da lente multissensorial, que é essa das pessoas se expressarem, né? Se eu não consigo desenhar uma coisa, escrever uma carta para mim mesma do futuro, sabe? Dançar uma música, criar uma criar uma música sobre o futuro, gente, como é que a gente vai fazer cenários? Como é que a gente vai imaginar se a gente tá travado nesse nível, né? Só que as pessoas sempre levam isso pro quê? Pro lado, ah, não é sério, tá brincando, né? Aquilo não, aquilo nós queram fazer futuro, uma coisa,tudo é possível no futuro, né? E aí eu falo assim, vai para aquela coisa também do do puff colorido, né? E eu já acho que não. Eu acho que isso, todas essas expressões são coisas muito sérias, porque assim, isso tu não consegue ter o pensamento criativo. Só que isso é uma lente, a lente multissensorial, né? E é um estado mental.
São cinco lentes, né?São cinco.Quais? Quais são? É, é ousadia.É a lente da ousadia. a lente multissensorial, que eu falei que é a que fala de aprendizagem com todos os sentidos, a lente multitemporal que vai falar dessa dessa dessa presença do passado, presente, futuro. Então, para pensar futuros, a gente tem que integrar passado, presente e futuro, passados estendidos e futuros estendidos também.E aí, paradoxalmente, tu fica mais no presente quando tá integrado, tu consegue ficar ancorado.É bem a visão do Bergson, né, de tempo vivido, né,ex que é no presente que tu vai fazer teu futuro, né? né? No presente que tu toma as decisões. Então o passado e o futuro eles estão para te ancorar no teu presente, não para te tirar do teu presente. Isso também é uma uma dúvida que normalmente acontece, né? Além de sistêmica, onde a gente vai falar do pensamento complexo e das unintended consequências, né? As consequências não antecipadas, que para mim é uma chave também do pensamento de futuros. As pessoas elas têm aquele pensamento linear, né? Se eu faço isso aqui, vai acontecer aquilo outro. Se não, a gente não aprendeu a olhar pras externalidades, né? um modelo de pensamento realmente que que caducou, né, na na minha visão. E a lente pluriversal, que é a que vai nos dar a perspectiva de que o pluriverso é um mundo onde cabem muitos mundos, né?
Então assim, existem tantas visões de futuros quanto existem de pessoas no mundo.E essa hierarquização, né, que essa cultura hegemônica nos trouxe, só nos deu bo. E agora a gente tem que voltar pra realidade da natureza, que é a pluriversalidade. E aí esse é o lugar onde a gente mais incentiva também cada um saber do seu lugar de fala..Porque é ali que tu influencia e todo mundo pode e deve influenciar, né? E também conscientemente, intencionalmente tu dá visibilidade para outras visões que fora da hegemônica, para momento que é aquela coisa, porque a gente fala, né, que tu quando tu viaja a primeira vez pro exterior, tu tem uma experiência assim de W que tu vê que realmente existe outros mundos, né,diferentes do mundo em que eudiferentes do mundo. Então isso tem que ficar gravado na nossa perspectiva de pensar futuros, que toda vez que eu falo, eu sempre vou falar do meu lugar, isso eu falo mesmo. Mas essa é a única coisa que a gente pode falar, porque sempre, né, a perspectiva do outro, dos outros, né, ela vai ter o mesmo peso da na perspectiva subjetiva dela.
Como é que você, na dinâmica, como é que você combate a tendência das pessoas a a trazer o contexto paraa sua própria realidade, né? é um é um conflito constante, né?As discussões acontecem por isso, né? Eu desconsidero seu ponto de vista e eu passo aa tentar te convencer de que o meu é o mais real que o seu, né?É, então eu tenho falado muito assim, praticado muito isso também, né? Qu, por exemplo, a gente não pode chegar e aí isso se criou o futur o os estudos assim, futurismo, que nem gosto muito dessa palavra, né, que remete a outra coisa, né, mas esse futurismo de palco, ele vem te diz: "Habilidades do futuro, você tem que ter empatia". Empatia é a capacidade de não sei o quê, vai aí tu fica assim. E aí, né? E o que a gente faz na reimaginação radical?
Vamos praticar a empatia. Tá aqui um exercício para tu fazer.Você gosta desse termo, né? Foi batidor. Batizou a cerveja, emprego.Ah, então aí, exatamente.Aproveitar, deixa aqui, foge um pouquinho do tema, mas eu não queria perder a construção ali, ó. e essa é uma é uma dúvida que eu tenho, né? uma afirmação que quando nós falamos a partir do próprio olhar é sempre legítimo, mas a gente se dá conta do quanto que o próprio olhar o olhar do buraco da agulha ali, né? Só aquilo que você teve a capacidade de ver,apesar de ser legítimo, né? E aí eu eu tava a gente tava conversando antes, eu queria trazer isso aqui para para essa conversa piranda aqui, ouvindo tal. Ó, você já leu as a um livro do C. S. Lewis que fez o Crônica de Narnia? Já leu? Já viu?
Ah, e aí você leu o cartas ao jovem aprendiz do diabo?Não, o diabo escreve cartas ao jovem aprendiz.E aí o Caspega essaele coloca é aí ele pega ele coloca assim o então tá essa história, né? Oo a preocupação, então vou ler aqui, né? Então ali quando ele o o aprendiz que é o Warwood, o nome do aprendiz, ele fala da preocupação com o futuro para afastar os humanos de Deus no momento presente. Então o diabo falando por aprendiz e ele coloca esse trecho aqui, ó. O inimigo, Deus quer que os homens se preocupem com o que fazem, com o que fazem. O nosso negócio é fazê-los pensar no que vai acontecer com eles. Pensamento futuro. O futuro é o mais inóspito dos tempos. é o menos parecido com a eternidade. É o futuro, é a tentação que encontra seu campo mais fértil, porque o homem ainda não tem graça para enfrentá-lo. A ansiedade é o resultado de tentar viver o futuro antes que ele chegue.
Eu supostamente deveria responder a isso, gente. Eu preciso de um tempo até para me para me recuperar desse parágrafo.Aí eu vou eu vou supar. Gente, eu não consigo. Pera.É que ó, qual que é a questão? Nós só temos o Aí eu vou fazer uma tradução mais tosca minha, né? Então, só existe o presente. O passado não volta mais, acabou.E o futuro é um é um conceito, é uma projeção.Então, sempre quando nós estamos falando de futuro, e aí tem essa percepção da ansiedade,Sim.Do futuro..Né? Então, segundo C. S. Lewis, né? O diabo sugere que a gente aprisione o homem no pensamento do futuro, que é lá não existe, lá não tem nada, não tem gratidão, que é no passado, não tem, você não vive o presente, você fica aprisionado, você fica aprisionado numanuma, num no futuro que não existe, que só tem ansiedade e não tem nada lá.
.Então, uma leitura mais tosca minha aqui da do trecho do livro. Isso pensar futuro traz essa ansiedade. Eu vejo sempre quando tem essa reflexão no futuro, quando sempre tem essa preocupação, ansiedade. Então na sua fala sobre nós vivemos o apocalipse, o final do mundo, aí queria fazer a minha primeira pergunta.Uh!Uma pergunta bem fácil, mas eu queria ouvir a Lu e você inclusive.É. E agora não, olha, tem muitas camadas. Vou te falar primeiro assim, né? Só para de trás paraa frente, né? E eu quando trabalho apocalipse, digo assim, o apocalipse ele é apropriado como a ideia do fim,porém o significado original, etimológico de apocalipse é revelação. Então, tanto que na Bíblia se fala Book of Revelation.
E aí eu faço esse essa, digamos assim, esse esse estudo já há muitos anos, né, a questão do apocalipse mesmo, que agora eu tenho esse texto que eu vou fazer, acho que no ano que vem uma versão nova do Emaso de Apocalipse Dance. que é o a gente já tá nesse apocalipse que é a revelação de todas as estruturas do que a gente tá de que que sustentam a nossa realidade. E a gente tá tomando um pau nesse chá revelação porquenem as coisas estão, né, bem menos, digamos assim, éticas,sólidas, éticassólidas do que talvez nos venderam ou a gente imaginava ou essa cultura hegemônica falava, né? Este aqui é o certo. E a gente vai dizer, esse é o certo, gente. Essa sociedade que é desigual, que é patriarcal, que é violenta, que é que que come a terra, como diz o Ailton Krenak, né? E daí nós estamos aqui tomando esse pau ch revelação, dizendo assim: "Tá bom, então essa é a primeira coisa". Segunda coisa que a gente explora muito na que eu acho que é o cerne disso que tu trou desse trecho, digamos assim, para mim como fica, é o fato de que quando tu vai falar, pensar, sentir futuros, tá falando de tempo.
E tempoé uma das dimensões mais misteriosas da nossa existência, né? Então, é uma questão assim, não tem como a gente mergulhar em futuro sem fazer uma revisão profunda assim da nossa visão de mundo mesmo, né? E te respondendo bem objetivamente, ah, gera ansiedade. Sim, ansiedade é o principal sentimento, né? Porque quando a gente tá falando de antecipação, a gente tá falando de ansiedade. A ansiedade é um é um é um ah é um obstáculo também que a gente tem que transpor justamente porque daí as pessoas elas entram em negação pelo medo da ansiedade que talvez venha, sabe?Sim.Assim, quando eu comecei lá, tava contando aqui para vocês lá lá 2000, que eu tava lá na agência vendendo, dizendo que tinha que fazer site, eu era o quê? de planejamento. Sempre fui de planejamento, né? Aí lá na época já faz, comecei fazer terapia, terapia falou para mim, mas escuta, expliquei para ela com que eu trabalhava, né? E aí ela assim, pois então, mas tu tem uma tendência ansiosa. O ideal é que tu não fizesse coisas que antecipassem, coisas que tem que ficar.
Eu ia te perguntar se você se sentiu mais ansiosa ao trabalhar comela. Me nunca me esqueci, gente. Eu tinha, eu tava na faculdade 19, 20 anos. Essa mulher me falou isso. Tinha vontade de encontrar essa mulher de novo e dizer: "Então,tava certo27 anos depois, muitas crises de ansiedade depois, né? Eu tinha de uma questão crônica da minha saúde mental, assim,uma uma coisa que até que eu tô começando agora a conseguir elaborar para falar para as pessoas, né? Porque quando eu falo falo muito de imaginação, futuros positivos, esperança ativa, né? Aí as pessoas me tiram paraa poliana, sendo que eu só tô falando sobre por isso por causa de de todo sofrimento intenso psíquico que eu passei com ansiedade, com burnout. Então, tô cheguei nesse lugar como uma forma de resistência, porque eu não vou também desistir.
Então eu tô aqui, inclusive sendo que eu posso ajudar daí as pessoas e ajudo elas com esse sentimento de ansiedade que é onipresente, assim, a gente já vive, né, a geração ansiosa,eu não sei se vocês já leram esse livro maravilhoso, ansiedade, né, é o beozãodo nosso mundo nesse momento e do Brasil especificamente, né, que eu não lembro se é campeão ou é vice-campeão de ansiedade no mundo, né? Então te respondendo sim, mas a gente não pode se entregar pra ansiedade. E aí quando a gente vai falar de dessa questão do diabo, vamos falar do diabo, então quando ele ele eu acho que é muito rico mesmo, né? Tu vê como muitas vezes a ficção, a arte, né, nos traz imagens que fazem a gente refletir. Eu acho que é muito interessante mesmo ter colocado o diabo como te colocando lá, que lá é abstrato, mais hostil, mais inóspito, né? E e não deixa de ser verdade isso, porque quando a nossa relação com o tempo tá doente, a gente tá vivendo uma escassez do tempo, uma aceleração permanente, né? Virou como se só só houvesse essa forma de se relacionar com o tempo. Por isso que eu tenho vontade de viajar lá 3.000 anos atrás, onde existia uma outra forma de se relacionar com o tempo que é possível porque ela existiu, né? E que a gente também vê, né, que essa coisa de escassez do tempo, aceleração de novo é uma perspectiva hegemônica e acelerada pela evolução industrial. Então ela é até relativamente recente, entende? Na história da humanidade. Então que bonito a gente poder aqui no Brasil conhecer sabedoria de terreiro, que tem outra visão do tempo, né? Conhecer a as cosmovisões indígenas que se relacionam com o tempo de outra maneira, né? E aí tu vê, opa, então não precisa, não é essa única forma que essa a história do
Perigo da história única, né? A gente tem, tá vivendo uma história única sobre o tempo. E essa história única sobre o tempo não nos dá espaço pro futuro mesmo, pros futuros não dá, tipo, não tem. É, é agora as pessoas falam isso, né? Eu tenho, eu faço essa pergunta do quando começa o futuro. Muitas vezes em workshops, né? Cada vez mais eu sabe o quê? Agora alguém falar a palavra agora. Quando começa o futuro? Alguém diz: "Agora". Eu: "Então, gente, por definição, o futuro não é agora. Agora é o presente. Olha que louco. E aí as pessoas falam: "Amanhã, final do ano, trs meses, nós estamos vivendo uma perspectiva muito encurtada, gente.É óbvio que nós vamos tomar péssimas decisões. Se a gente, né, só consegue vislumbrar o futuro de 3 meses ou como os nossos, né, nossa, nossa cultura do se level, das grandes empresas, um ano é futuro, gente, e acabou. Não, e não se faz mais planejamento de longo prazo, porque não dá para prever o futuro.
Exato.Então vamos pensar futuros curtos.Mas não dá para prever o futuro, mas dá para imaginar futuros, dá para aprender a fazer futuros. É sobre isso que eu estudo de futuros,entende? Sim. Então realmente prever não dá mais, gente. Você acha é realmente isso eu tenho que concordar. Não tem como.Não dá, né?Mas aí a pessoa acha que então já que não dá para prever, vamos a Deus dará. Entrega para Deus ou pro diabo,né? Vou pegar meu bônus aqui do trimestre e um abraço. Pô, gente, não considero essa uma postura muito adulta..Sabe? E toda vez que a gente tenta como futurista, como designer, como ativista climático, dizend, vamos pensar um pouquinho além de 1 ano, 2 anos, 5 anos, 10 anos, 20 anos, sete gerações, que nem muitas cosmovisões indígenas consideram, gente, a louca da sala. Não, tu não tá falando sério, né? Sério? Sério é pensar no lucro dos próximos se meses, pensar se a gente vai ter resiliência climática na cidade daqui os nossos próximos 5 anos. Aí eu tô viajando rípid do cabelo azul, entendeu? Então eu acho que assim, eu realmente eu sinto que tem uma inversão de valores, entende? Eu acho, eu considero a coisa mais séria do mundo.
.A gente pensar isso. E aconteceu uma virada, sabia? Eu sinto lá no Rio Grande do Sul com a enchente por causa disso, sabe? O pessoal ficava fazendo assim: "Ah, não sei quê". Talvez tu já tenha ouvido isso, Gab falar virada boa. Virada boa ou virada ruim?Não, uma virada boa no sentido de que de que tu não perdeu esse espaço de tu falar, né, assim, ai não, não vamos falar disso, isso é pros nossos netos, sendo que as pessoas estão recém pagando as contas do negócio que reconstruíram, entendeu? Então,tomou um banho de realidade ali, sabe? Acho que ainda tem, né, uma coisa meio traumática do trauma. Eu acho que fica meio, né, depois do trauma. Tu não quer falar do trauma.É,quando a gente tem que fazer agora as estratégias de resiliência climática, né, pros próximos anos.
E aí quem paga essa conta aí é o BO do financiamento climático que a gente vai discutir lá na COP, né? Não sei se isso aqui vai antes ou depois da COP.Vai antes.Vai antes da COP. Então a gente vai discutir isso lá na COP, que a COP agora é a a COP da implementação. Por quê? Porque existe a ciência climática, existe a inovação climática, existe as soluções, existe consenso científico, não existe o quê? Quem pague financiamento climático, porque a nossa cultura não considera isso uma conversa séria. Sério é ver o que que os acionistas querem agora. Isso é sério.Pensar na resiliência climática. Ai não, abraça a árvore.Eu trouxe essa provocação ali. Uma não provocação, não é nemnão respondi.é, entãodeixa eu responder. É que sóé que ela tem toda a razão.
Complementar. Complementar aqui.Boa resposta. Essa resposta daí.A a a não é uma provocação, assim, é um é um texto ou CS livros, ele escreve livros cristãos, né? Então,quando cita o diabo ali também tem essa tem essa história ali dessa sexta carta.E aí, agora também compartilhando contigo, eu queria daqui partir para um outro um outro ponto ali que é sobre o design mesmo. Então,não, antes tentar no design que tem uma pergunta que ela falou mais,é que eu queria que você respondesse sua percepção da da de vivencial presente, de ficar preso ali na nostalgia do passado.. e essa visão da ansiedade do futuro, porque nós vivemos tempos de crise mental gigantesca.. e isso é uma reflexão para nós, assim, eu não não tô não tô falando minha percepção sobre isso, mas uma reflexão sobreah essa crise do futuro que ela tem por um lado na abordagem da Lu, que eu gosto muito, por isso que eu trouxe para ABEDesign, que eu vinha falando que o design precisa de de redesign, da reinvenção do design. Lu, você precisa trazer esse tema para cá, tal. A gente já se conhece de algum alguns encontros do da economia criativa, bastante também assist mais em diversos eventos e eu via essa fala dela e aí eu falei,além desse jeito de falar dela, encantam,é que é sensacional. acho que fala dialoga muito com com design conosco, muito tem essa facilidade da
Compreensão da abordagem criativa que a Lu traz. Então, a abordagem criativa e imaginativa que desperta um outro ponto ali que até reduz essa percepção de ansiedade quando nós falamos de de futuro.Eu fico mais ansioso. Eu vejo a falta, eu fico mais ansioso.É isso aí. Aí eu queria ver você.Obrigado. Não, meu não. Meu ponto de vista sobre a questão do tempo. Eu tenho uma eu falei do Bergson porque eu sou apaixonado pela perspectiva do Bergson. Para mim, a minha perspectiva do tempo é uma perspectiva unificada de tempo, né? eu entendo que aí usando a lente do Bergson, de que somos no presente as escolhas e as experiências que tivemos no passado e, portanto, somos uma única versão de nós mesmos. Poderíamos ser diferente do que somos, mas escolhemos ser quem somos. E quando a gente pensa futuro, na verdade, a antecipação do futuro, ela é feita no presente a partir da das nossas memórias e experiências que vem junto conosco no presente.
Então, Bergson dizia, o tempo vivido, essa quando ele ele usa um conceito chamado duração, né, turrê, que é a duração acontece, a duração pura acontece quando os estados de consciência se abstém de tentar promover uma separação entre passado, entre passado e presente. Ou seja, quando eu escuto uma música do R mi, e o exemplo que ele usa é esse, né? A melodia. Ele diz: "A melodia não existiria se o passado não coexistisse com o presente". Então, o tempo vivido, a duração é um momento aonde no presente passado vem junto e futuro é antecipado, né? tanto que ele definia a consciência como um fluxo temporal em direção ao presente de futuro e futuro e passado. Então, a minha perspectiva de tempo, ela não é ansiosa e e nem nostálgica, porque eu olho pro presente em unidade, tento, né, treino a mente para tentar ver o os tempos dessa forma. É, é um, antagico ao paradoxo de Teseu.
Descreve o paradoxo de Teseu.Queagora quero ver deu uma tela azul aqui, gente.Ó, paradoxo de Teseu simplificando a história toda. Então, um navio que ele se deslocou dali da Europa, chegou aqui, mas ali no meio do caminho ele sofreu alterações, e um remendo ali possível no casco. Ele é o mesmo navio lá de trás ou ele é um outro navio?Ele é uma versão do navio lá de trás escolhida pelos lugares onde ele passou, por onde ele esteve, por onde, mas ele é o mesmo navio numa versão modificada, né? Então, como é que a gente usa para falar de estratégia essa perspectiva, né? pela lente do design, a gente diz: "Olha, se somos uma versão, né, uma escolha entre passado e presente, parte do nosso desafio, que é mais ou menos o que você faz, é ampliar o estado de consciência para entender quais versões a gente poderia ter ter sido no passado e ser no presente. A partir daí, você começa a pensar uma projeção de futuro.
Não faço com tanto talento quanto você porque não tem as metodologias que você tem, mastem sim, é só ler o livro. Não vem que tá descobre. Então agorafala assim, www. clica aqui. Vou colocarnão vai nem precisar que eu vou te dar o livro aqui. Vou colocar na descrição, na descrição do vídeo. Vou colocar para para você que tiver assistindo, vou colocar o link de onde compra o livro.Demorou. Demorou.mas é isso, assim, essa projeção de futuro nada mais é do que a ampliação do estado de consciência. E aí você imagina n possibilidades de futuro, né? Eu uso, já falei aqui para você, né? o Aristóteles dizia, né? Então, o mundo é formado por duas partes. Uma parte do mundo, as coisas são como são. Então, passado e presente são escolhas já feitas, né? Mas há uma outra parte do mundo onde as coisas potencialmente podem ser diferentes do que são. E para essa parte do mundo, rigor, imaginação, criação um instrumento que você usa para para pensar futuro. Então, essa é a minha perspectiva de tempo, né?
Não, nenhuma tem certo ou errado. É, é. Eu gosto de olhar para todas assim, tentar entender.Agora eu queria, eu queria voltar num ponto. Você falou sobre a inteligência artificial aí no meio das falas,mas conta do livro, conta do livro. Já quenão, o livro nós vamos chegar no final. Ele vai ganhar o livro.É, vai ter toda uma troca aqui.Vou, eu vou ganhar um livro também que eu tô só de olho aqui.Vai ganhar um livrotrocando a lente.Mas fala um pouco da tua perspectiva, você que tá vivendo em futuros que a gente ainda não viveu, um de nós aqui, né? qual que é a tua perspectiva sobre esse desafio da entrada da inteligência artificial na nossa vida? E o que que você táenxergando em termos de desafio e essa permacise?
Ave Maria.É, vou começar a falar.Sabe o que eu tenho feito agora nas minhas palestras? Eu tenho um slide que eu falo assim, tá? Iaá. Que é e a iá. Você fala: "Vamos fazer um momento iá, porque precisa iá". Então todas a gente faz fazer até uma vinheta aqui, Gian. Iá, tudo que a gente fala nesse momento tem que fazer um momento iá. E aí, que que a Iá tem a ver com isso? Vou até anotar essa pergunta.Anota aí. E aí, que que a gente faz?Bom, só para contextualizar minimamente, né? Então, lá quando, como falei, desde o rolê da internet, eu sou uma apaixonada por, por estudar tecnologia emergente, né? E eu sou uma pessoa de humanas, sou totalmente de humanas. Eu rlei análise de discurso, entendeu? Eu inclusive assim hoje em dia tem o o Guilherme que trabalha comigo nos eventos, né? Eu falo para ele assim, contei para ele, né? Mas assim, Guilherme, quando chegou o Instagram do Brasil, eu era uma das poucas pessoas que tinha conta do Instagram, que sabia usar, que fazia ensinava os clientes. El falou: "Não, não, não". Ele falou: "Não acredito. Tu não consegue nem fazer uns stories". Ele assim para mim, ele fala: "Você não consegue nem se concatenar. Eu nunca fui uma early adopter de usar, sabe? Pelo contrário, eu sou até o meu, até depois eu entendi como artista, eu sou do do físico, sabe? Eu gosto de desenhar, eu gosto do físico, eu gosto da performance, eu gosto da sensorialidade assim. Mas há muitos anos eu estudo tecnologias emergentes, sou absolutamente fascinada, né? Eu entrei nesse rolê de futuro pela tecnologia. Eu era inclusive totalmente, agora a gente fala essa coisa, tecnou utopia, era eu, gente, total, né? Então, trabalhava em fábrica de software assim, né? Então, fui obrigado a a conhecer, sabe?
Trabalhava, atendia banco, sabe? Então, aquela coisa de front end, backend, sistema de segurança, criptografia, foi quando também tive um assim um momento de muito amor assim pelo designer, que tinha uma época eu fiquei quase uns 3 anos cuidando da área de ex, né, da agência e aí era só o povo dos designers ali. Daí eu ficava louca, estudava um monte. Então, enfim, eu sempre tive essa coisa assim, né, de estudar tecnologias emergentes e aí lá no SXSW, né, eu vim do MIT pro SXSW, então eu era muito entusiasta assim de realidade virtual, de inteligência artificial e mas eu sempre estudei isso no sentido do quê? Das narrativas sobre a tecnologia. Eu não sou, né, uma profissional de tecnologia, como estudando, né, perspectivas de futuro. Então, o que que as pessoas estão falando e como elas estão usando a tecnologia? Inclusive nos reports SXSW sempre a gente fez essa visão, né?
.Numa visão inclusive de usando a tecnologia para criar cenários, para criar especulação, né? Porque quando o que o Black Mirror faz, né? Ele parte de uma premissa de uma tecnologia, da extrapolação de uma tecnologia e aí cria um cenário que cria um mundo possível.O impacto dela na vida das pessoas.Eu é, eu acho assim que é muito fundamental ter esse letramento para fazer cenários, né? Quer dizer, se existe uma tecnologia que é assim, assim, assado. E eu vejo claramente assim, quem não tem letramento cria, tenta criar uma visão hipotética de uma tecnologia e falta, sabe, repertório. Então, tudo isso para dizer que eu nunca falei tão pouco de inteligência artificial, que é para mim um paradoxo assim, que muitos anos fazia estudo todo ano de estado da inteligência artificial, falava para as pessoas numa visão de futuros, né? E e aí quando veio a generativa, né, um dos primeiros estudos que a gente fez na White Rabbit, inclusive eu criei uma personagem que chamava Futurista Arrependida, tem ainda publicado no Instagram, que eu acho que tem uns dois episódios. O primeiro episódio era esse, era assim, era como se fosse uma sala de terapia, né, que entrava assim e eu dizia: "Oi, gente, eu sou Luciana, eu sou uma futurista rependida. Oi, Luciana." E daí eu falava assim, ó, eu falava que era o que eu falava, tá? 10 anos de atrás de inteligência artificial, eu e todo mundo, tá? Ah, inteligência artificial irá automatizar as tarefas banais e será a grande emancipação criativa da humanidade. Eu falava isso daí na na sketch, a gente, eu choro e falo, eu falava isso e agora tá aí a inteligência artificial pintando, fazendo, criando arte, nós aqui lavando louça. Então toda a sket é isso, né? Eu falo porque e é
Como eu me sinto assim, eu me sinto uma futurista arrependida. de ter feito essa, sabe, essa visão de futuros que foi o exato oposto, né? O que a gente tá vendo isso hoje é a profissão do design, por exemplo, sendo seriamente ameaçado. Acho que a gente tem que falar o que é, entendeu? Eu tenho muitos amigos perdendo emprego, perdendo trabalho nesse momento, né? Porque pela crise dos empregos de entrada, né? Então, se tu se tu posiciona, né, a inteligência artificial generativa para esse trabalho que, por exemplo, dentro da publicidade, né, muitas é muito do dos trabalhos de entrada do designer, né, então tu vê uma super crise, eles os as inteligências artificial realmente fazendo o filme. Esse essa semana eu vi que Los Angeles tá com o ocupação de estúdios mais baixo aqui na pandemia, tem um colapso e uma matéria que fala assim que a inteligência artificial tá fazendo com ecossistema de Los Angeles, a mesma coisa que que aconteceu em Detroit, assim, tá virando uma cidade fantasma, entendeu? Então isso que tá acontecendo agora. Tu quer falar, sabe? Sim, porque o que qual a relação que isso tem então, por exemplo, com a graduação? E eu sou muito crítico com relação a isso.
eu acho que eu já falei aqui em algum podcast que mesmo o cinema, mas eu vou falar sobre o design, que onde é mais legítimo a minha fala, e a graduação, os professores trabalham numa grade que tem uma paixão pelo ofício. É lindo o ofício.Aham.É uma delícia. Tive, eu tava falando sobre inteligência artificial numa universidade que tem graduação de design aqui em São Paulo. E aí veio uma professora e falar comigo. É uma graça, adoro ela assim, né, essa questão humana ali. Ela achei um absurdo o pessoal ainda não fazer desenho técnico à mão. É guat é lindo, é uma delícia, mas a paixão pelo ofício, e não dá para ter três semestres aprendendo ferramental. Não vou nem falar qual ferramental, mas aprender um ferramental. e é muito mais importante para conseguir sobreviver hoje, presente, não falando futuro, a compreensão dos conceitos.
. Esse assunto é bem polêmico. Eu tenho uma visão um pouco diferente dessa. não porque seja melhor, né, mas uma visão diferente, porque eu sempre me pergunto, né, a gente tem que estar no lugar onde a gente está estando, né, onde estão nos colocando, onde a tecnologia tá nos empurrando ou a gente tem que estar no lugar onde a gente deveria estar..Então, vou pegar essa questão do dos ofícios, né, a materialidade, a sensorialidade, como você falou que você gosta, né? Eu me pergunto, será que abandonar isso porque a gente tá sendo empurrado para um mundo tecnológico que exige da gente outras outras habilidades e etc? E e às vezes a gente sente empurrado. Será que a gente tem que ir no fluxo ou a gente tem que fazer, como falava o Walter Benjamin, no contrapelo, né? Não. Então, mas por isso que não tem uma por aqui não não aqui no espaço,aqui no espaço na por que que tem um espaço ali que tem a bateria, instrumentos musicais,por que que tem grafite lá nos banheiros que a gente eu eu entendi isso há um tempo atrás, que a expressão e o exercício e essa experimentação é muito importante. Então aqui o que que nós fizemos? Você tava falando do ambiente escolar, né? Eu acho, eu acho que não, eu acho que o ambiente escolar tem que ter isso,mas tem que preparar pro mundo, né? Eu acho que o que não tá acontecendo, e aí eu concordo com você, é que a gente tá preparando pro ofício e o mundo mudou, né?
É, então é que se você tá aprendendo, você tá trabalhando uma fotografia do passado que o ofício era entregue de outra forma. Eu não tô falando da da do uso da tecnologia, sabe? aquela estrela já apagou, não existe mais aquela forma de fazer já não é a forma que você faz ensina fazer petap e o cara já tem computador, né?É. E aí você fica aprendendo o ofício ali de como manuzir a uma ferramenta que você demora muito mais para extrair aquilo que é necessário para a entrega, aí voltar pro pro prest que você nem vai usar. É legal, é legal, é gostoso. Eu gosto disso, acho sensacional. É legal, é gostoso e é útil, né? Porque, por exemplo, eu eu já cheguei, eu sou da geração sem computador, né, que adotou o computador, então a gente viveu algumas fases. Eu já cheguei a contratar designers criativos excelentes que nasceram sem saber desenhar a mão, mas no computador um ilustrador espetacular.
E o que que faltava nele? Faltava experiência sensorial para reproduzir no ambiente digital aquilo que e ele se debatia com isso, né? então eu acho que esse esse repertório é um pouco do que ela disse. Eu tenho vontade de voltar lá pros egípcios, né? Por e conhecer aquele repertório. Será que a vida dos egípcios na vida de hoje vai ser útil? Talvez não, mas o conhecimento sim. E e aí eu tô dizendo assim, essa mistura é que eu acho, minha perspectiva, né? Essa mistura que eu acho que ela é enriquecedora pra gente não ficar naquele do olá cá, né? Ou o passado ou futuro.É. Então, mas toda a experimentação que tem a expressão artística,ela enriquece a forma que você entrega o seu ofício.Essa é a crença daquele espaço. Por isso que a gente provoca isso. Então, o Eric toca bateria e toca bem.
e assim, fizemos o quê? curso de composição, letra, música, tempo, ah, letramento do ofício. Então, a questão não é, a experimentação é extremamente importante paraa imaginação. A, e aí quando nós ficamos presos num retrato, uma fotografia do passado de um ofício que não é mais integra dessa forma, que aí acaba com a empregabilidade, formar tudo, tudo, tal. E e não só a inteligência artificial traz um risco para os grandes estúdios de Los Angeles, mas a tecnologia em si, então com câmeras hoje muito mais acessíveis, você consegue captar com 12 bits. Então você compra a câmera, eu e que nós estamos vendo que a gente gosta dessa parada da audiovisual. E aí eu que nós estamos vendo uma câmera que completinha 2200. É uma câmera Nikon Red com 12 bits de profundidade de cor, que meu capta umas imagens maravilhosas. Então também o formato e aí era uma brincadeira minha com um outro amigo que ele tá acostumado com switch, com não sei o quê. Então uma equipe ali para captar um podcast tinha que ter uma um uma house com 15 equipamentos. Aí eu falei: "Tá, mas e aí hoje nós temos o videomaker, aí tem o storymaker e tal, tem o cara que vai lá, faz milagre com o celular na mão e nós precisamos ter ali um eletricista, um técnico de áudio, um quando que nós vamos evoluir o ofício ali, o ferramental, que é uma delícia, mas só que não tem orçamento, né? Nem para reparar. Mas aí voltando para você
Estava falando do ambiente acadêmico, eu cortei no meio da da tua pergunta, você tava perguntando para ela questão do ambiente académic vocês foram para dois temas daí, né, que por exemplo que éa reimaginação da educação. Então realmente assim a gente vai fal vai agora para uma visão de pós conhecimento, o que que vale a pena e essas questões que tu trouxeste sobre é a lente multisensorial que a gente fala cante, dance, levante, bate palma, porque tudo isso faz parte do teu desenvolvimento cognitivo e da tua capacidade imaginativa. e não está, né, numa coisa binária, é ou inteligência artificial ou isso. Nãosão as duas coisas. Então essa é a primeira coisa. Segunda coisa, tem uma questão de mercado mesmo, econômica, de empregabilidade, de entidade de classe, nós aqui que somos da BD design, sabe que tá sendo, tá acontecendo nesse momento e tem que ter um posicionamento claro, porque sim, num contexto que inclusive é muito maior do que das nossas profissões, é um contexto, né, onde o lucro ele ele realmente é uma métrica quase que soberana, quase que única. No momento que é quase que única essa métrica, se eu posso fazer, eu tinha que ter 15 técnicos, agora preciso de um, eu vou demitir os outros 14 pontos. É isso que tá acontecendo nesse momento. Esse é o nosso retrato agora quando a gente fala de mercado, tá? E aí tem todas as questões sociais que estão por trás disso, né? Eu continuo acreditando lá no que eu falava como futurista arrependida que pode sim ser, né? E aí eu uso um conceito que eu uso há muito tempo nos estudos, que é o conceito de equipe centauro. O que que pode ser? ver se é 15 pessoas, realmente tu tem como a inteligência artificial ser essa grande horse power, né? Esse esse poder que que classifica, que faz que faz tudo muito mais rápido, que tem os recursos, que tem o input, desde que ele esteja subordinado a uma sabedoria
Não só mental, mas a uma do coração, né? No centauro, o coração também ele tá ali no centro desse ser híbrido, né? do cavalo é o do ou é do homem, da ser humano, né? Então assim, e isso é o que o Stuart Russell, que é uma uma pessoa assim que para mim eu tive o privilégio de entrevistar ele, ele é considerado um dos principais intelectuais da inteligência artificial, né? E aí eu nerd que sou, estudei para um para entrevistar esse cara, né? E aí tu, eu acho que uma coisa que mais me irrita nesse momento, nessa discussão, é a profundidade de um pires. É,então as pessoas ficam: "Ai, vai fazer isso, vai fazer aquilo, ah, mas temos que ver que inteligência artificial pode ser incrível". Veja aqui oss. Sabe, quando nós estamos falando de uma coisa que é uma disrupção para toda a humanidade, impacta economia, impecta peregabilidade, impacta educação, entendeu? E a gente tá lá, sabe, batendo palma de foca para uma discussão que é a profundidade de um pires que não tem visão sistêmica. que só fala o quê? Faz isso aqui para tu te manter atualizado.
Esse discurso do se manter atualizado é muito nocivo, gente. E é o discurso das tendências, né? O discurso que te mantém na rodinha do humster, gerando um museu de grandes novidades. Porque daí tu não vem me dizer que todas as reproduções são novidades, gente. Aí respeito meus cabelos branco que estão pintados aqui embaixo do azul, tá? E aí para concluir então, né, essa questão da inteligência artificial propriamente dita, né, eu continuo acreditando disso numa visão de equipe centauro. Só que o seguinte, tu vai estudar o Stuart Russell, ele tá 40 anos estudando isso, ele tem uma posição, ele tem uma, ele tem um projeto que ele fala, ele chama de máquinas humildes,que tu não, tu não tem como criar um large language modelo que seja safe. Ele mostra lá por B que não tem como, justamente por causa do que tá acontecendo, os inputs, a falta de ética no na na questão dos direitos autorais, a oa invenção, né, ela exente. Mas que é possível sim criar uma máquina que esteja subordinada aa a sabedoria humana, digamos assim, né?
E que é o que na ficção científica o que que acontece sempre, gente? A máquina não se desliga. É o que acontece hoje com os algoritmos. O algoritmo tá lá, é uma inteligência artificial programada para que tu fique o máximo de tempo numa plataforma. E qualquer coisa que saia disso, ela vai, ó, desviada, porque ela vai, ela quer chegar no objetivo dela. Não tá programado lá no código dela. Respeite o tempo das pessoas. As pessoas estão doentes, não faça isso que fulano pode cometer suicídio. Não tá. Só tá lá. Mantenha a pessoa conectada.Ó, olha isso. Que que loucura. Eu vou primeiro falar depois eu vou entrar nesse tema aqui, que é o que você falou. tem, mas a complexidade do contexto tem diversas lentes com a questão, tem uma ah os profissionais cada vez mais atuando no Gig Economy.
Aham. Então é, então assim, você tem, você contrata um profissional e falando do a do e da beds design das empresas, do ponto de vista das empresas, você tem um profissional contratado que ele tá trabalhando para quatro empresas..E aí você fala: "Putz, né, tem uma super entrega". Mas e aí para quem já fez frila sabe que se contratar um frila é o cara que vai trabalhar num horário que el não tá ali 100% entregando aquilo. Então você tem essa complexidade dos profissionais sendo uberizados, porque eles querem ser uberizados, porque agora eu trabalho na praia, amanhã eu trabalho na montanha e depois eu trabalho onde eu quiser. São convencidos o tempo todo de que ser isso é ser é tá no hype, né?É isso, é o hype e o nome digital. Não tô criticando, eu tô falando que é um fato, o que nós estamos vivenciando isso e e legal, né? OK, que eles estão conseguindo viver dessa forma, trabalhando para muitas empresas e vendendo todo o tempo da sua vida, sendo produtivos, né, e não experimentando, que é outro história que nós falamos aqui da experimentação, do convívio, tal, história tudo. Então tem outras questões que também envolvem essa complexidade que também assim um profissional trabalhando para três empresas são ele tá ocupando mais duas vagas que não é só a dele e entregando num tempo que qualidade usando das implicações sistêmicas.
É total sistêmico total. E aí junta num período com inteligência artificial não é uma a resposta não é tão simples, né? Não tem respostas simples para problema complexo. É, Joana Meas que ficar com esse problema, entende? Isso é também e além da profundidade de um pires. E nós vamos ficar com este problema,né? Ele tem múltiplas implicações sistêmicas, né? O que eu sinto assim é que tem algumas questões que são prioridade por uma questão de segurança. Nós estamos nesse momento colocando nossas crianças, nossos adolescentes em risco. Ponto. Nós estamos nesse momento fomentando uma pandemia de saúde mental. Ponto. Senor fato. Vão de ciência, gente. Pois é. Ó, aí não empírico, né? Nós estamos vivendo isso e vendo acontecer.
Então assim, todo mundo resta com essa verdade porque tá vivendo na sua vida, entendeu? E e aí entra num tema maluco, né, que quando você vive um ser produtivo, você quase vira uma máquina, né, na numa analogia de uma máquina. E aí às vezes a gente esquece e te dá bom dia, né? A gente não, eu vejo que pessoas esquecem de dar bom dia. Quando você abre a porta do carro para uma pessoa entrar, as pessoas se surpreendem e falam: "Nossa, como assim abriu a porta?" Tal. Aí é o reencantamento, Gabi, que estava falando.Aí, então, e aí então quando você vivencia tão produtivo, tão aficcionado, tem que entregar, tem que entregar, tem que entregar, rodar, rodar, rodar, rodar, aí você perde uma coisa que ontem eu vivenciei uma coisa que aí eu gosto de prototipagem, impressão 3D e além das que tem aqui, tem minha dúia que tem em casa também. E eu faço um trabalho pro Senac de imprimir toy arte para eles, tal e fiquei em casa o dia inteiro imprimindo lá. fica imprimindo.
E aí a Mait fala: "Pô, eu adoro ver isso daí porque a máquina tá trabalhando". Então, aí ontem eu falei para ela, ó, eu recebi aquele notificação no relógio que acabou a impressão. Você aperta lá para imprimir de novo, ver se tá tudo certinho lá. Tá, ela falou porque tem que tirar, né? Tem que tirar os bonequinhos para poder mandar de novo. Mas ela já sabe colocar lá para imprimir. Falou: "Ó, manda uma foto do celular e tava escrito assim: "Só um pouco de TLC, eu estou pronto para imprimir mais 1000 impressões." Aí eu TLC, ela fala: "Não entendi o que é isso, sem dúvida". Peguei no chat PT e escrevi: "O que é isso?" Ele falou: "Modelo da minha impressora, o que que era TLC?" E aí ele ainda fez um manual com checklist do que que eu tinha que fazer para que que é o TLC. E aí, sabe o que que é o TLC? É tender loving care. Só precisa de um pouco de cuidado e carinho. Ó, aí a máquina mandou a máquina mandou um pouco de cuidar e carinho. Então assim, nós estamos vivendo uma robotização do ser humano e as máquinas simulando.
Eu preciso de carinha.É o H. Htá acontecendo agora, entende? E as pessoas ainda têm isso como imagem de futuros, sendo que é o nosso presente. Isso é uma grande confusão também. Muita coisa que imagem, as pessoas têm como imagem de futuros e é o nosso presente e daí elas não conseguem imaginar o futuro porque elas estão presas lá no presente, na imagem de futuro do de volta pro futuro, que eu de volta para futuro é um filme de 1985 que se passa em 2015, em 2025 a gente acha que 2050 vai ter igual a isso. Gente, é muito crise da imaginação, desculpa. É, é falta um pouco.Sério? É sérião. E aí a gente vê exatamente esse tipo de coisa acontecendo e eu entendo que assim, o quanto de sofrimento a gente ainda precisa passar para que exista uma mudança sistêmica.
.É isso que eu fico me perguntando, porque assim, eu, veja bem, nos rolê que eu faço, fiz agora, né, ontem fiz uma um exercício que eu amo fazer, que é notícias do futuro, né, que a gente pede para as pessoas criarem notícias que elas querem ver. Aí um parceiro nosso, Ludifica criou um uma interface que daí aparece assim, daí a gente bota lá, por exemplo, né? Hoje seria 16/10/2035, aí a gente faz as aí aí tu vai colocar lá, né? designers recebem direitos autorais por seus trabalhos imputados no chat GPT. Tu quer ver essa notícia? E aí essa inteligência artificial, a gente putou ela com algumas pesquisas, ela já redige a notícia. Então a gente, as pessoas fazem ali na hora, a gente bota no telão, elas vem a sua notícia e já tá escrito. Gente, isso tem um impacto das pessoas. É muito legal. É muito legal. É uma coisa que tu sabe, Gabi, a gente fazia lá workshop com postit,demorava duas semanas para classificar um negócio, não sei o quê.
Tem que fazer a interpretação do postit. Agora se há há um há um mês atrás também fiz pro Sebrai um workshop do questione futuro, que é um workshop da lente da ousadia que a gente só faz perguntas, pergunta, pergunta, pergunta, são vários, enfim, a facilitação lá faz três rodadas de perguntas, aí ele pega as perguntas, mostra na tela. Aí a gente também tem um agente que clasteriza as perguntas. Então a gente mostra assim, né? Eu fiz num grupo lá grande, cento e poucas pessoas, ele clusteriza, ele já coloca ali os temas que as pessoas falaram,clasteriza, faz affinity, ainda interpreta. Então é maravilhão. Eu acho assim, fico, uau, que demais. Porém, o que que acontece na prática? O cliente quer pagar menos porque não precisa de cinco pessoas mais para para clusterizar os postits, entendeu? Então assim, isso que esse é o impo. Joga contra você mesmo, né?
Exatamente. É o impasse que a gente tá vivendo. A gente quando começou o White Rabbit vendia curadoria de festival de inovação. Acabou esse mercado assim no sentido assim, né, de cobrar. a gente fazia uma pesquisa, a gente fazia, sabe assim, metodologia de pesquisa. Hoje tu tem cobertura dos festivais de inovação, né? Aí tu vai fazer relatórios customizados, mas assim, aquilo que a gente fazia não tem mais relatórios ãooc, de estudos ADOC, tá desse tamanhê com esse mercado, porque tu tem muito estudo gratuito, tu baixa qualquer coisa, tu perguntas no chat CPT qual é o futuro da alimentação lá, ele te gera cinco coisas, tu acredita naquilo ali..E quer saber? Eu também não tenho, não tenho mais tempo mesmo. Meu chefe não quer saber nos próximos 5, 10 anos, ele quer saber desse ano. Então também não me serve muito. Então percebe que assim tem possibilidades incríveis, mas tem também uma, a gente tá tomando, a gente tem uma doença cham aceleração, a gente tá tomando um remédio para acelerar mais ainda.
Você que vive essa experiência de falar de futuros há muito tempo, você tá vendo piorar ou melhorar?Em que sentido?Ah, o contexto, né? a você vê o contexto, que que você fala? A gente precisa pensar no futuro para pensar de forma sistêmica e para que a gente tenha futuros melhores dos que do que a gente vive hoje..Os futuros de 2025 são melhores que os futuros de 2000.Ah, é, é olhar o o reporte.Nós estamos piorando pra frente ou nós estamos melhorando? Oreporte é igual o horóscopo. Você não pode ver, né? Exatamente. Não, aí eu vou te mandar lá pra lente pluriversal, né? Onde a gente vai fazer o seguinte. Na lente pluriversal a gente faz um exercício de reconhecimento e viés. A gente reconhece, né, que exatamente tudo que eu for falar, eu vou falar a partir da minha experiência, né, e eu vou se envzar completamente da natureza, né, da nossa interpretação, enviezar.
Então eu te digo assim, os futuros que eu vejo hoje, eles são muito diferentes do que eu pensava. Por quê? Para mim, é o cenário que eu faço, que eu digo para mim que é o que mais me mantém, assim, eu falo pras pessoas assim, ó, eu quero 2055, sabe qual a imagem que eu faço? Eu daqui a 30 anos, nos meus 30 anos, tá? Eu com 76 anos, eu quero sair do meu quarto, chegar na minha cozinha, abrir a torneira e sair água potávelininterruptamentea um preço acessível. É isso que eu quero para mim daqui a 30 anos. E eu não vejo esse cenário como provável, não vejo, minha opinião, tá? Vejo ele como mais improvável, né? Eu sinto assim que todos os serviços básicos que a gente acha que é isso aí, que a lei da natureza tem internet, a infraestrutura da internet é pífia. Tem muitos estudos que mostram que a infraestrutura da internet é extremamente frágil a eventos climáticos extremos, extremamente frágil, né? A gente acha que luz elétrica, luz elétrica, a gente requer recurso natural que nós estamos comendo.
Não é infinitinha que a gente vê o que acontece.Não é infinito não. Quando teve o primeiro ciclone lá no Rio Grande do Sul, eu fiquei quatro dias sem luz. Eu pirei, não sei se tu lembra que eu fiz os conteúdos? Eu falei: "Gente,em três dias tu não tem mais dignidade, teus filhos já não tão, já estão sem banho, tu não sabe mais o que fazer, tu já tá desesperado, tu já tá, sabe assim, em três dias colapsa a tua saúde mental. E a gente tá aqui, então por isso que fala assim, melhores ou piores, sabe? Eu sinto cada vez mais assim, tá? Eu comentei até uma coisa que eu tô recentemente assim também começando a conseguir falar, mas que foi muito forte para mim, que foi o seguinte: "No ano passado eu perdi meu pai e eu fiquei 5 meses, né, falando com ele no hospital, ele já tinha câncer há muito tempo e tudo mais, mas eu me sentava com ele lá, ficava horas lá com ele, né, sentada, às vezes ele tava dormindo, eu ficava olhando ali pr na cama assim e eu ficava pensando, esse futuro eu quero para mim, eu quero ter um plano de saúde num quarto.
Sendo recebendo os cuidados, né,com os filhos em volta, com a mulher em volta, com os netos em volta, sabe, podendo dar uma dignidade. E eu penso e aí eu comecei, né, dentro do processo de sabia que eu que eu ia perder meu pai, comecei a pirar também porque o pessoal fal assim, não vejo esse futuro para mim, os planos de saúde estão prestos a quebrar, a gente sabe como que vai ser, gente,ou nos colocar para fora, né?Exatamente, né? Então assim, ou exatamente a gente viver a distopia, jogos vorazes, que é assim, gente, eu vi essa semana, mandei pro meu irmão uma matéria que eu tive um ataque de riso de nervoso. Eu tenho um meme aquele balãozinho que é assim, eu tô rindo,tô rindo, mas não sei se é o caso. Para mim assim para mim, eu fico lendo, tu começa a ver assim, tu pode saber um banquete que aconteceu aí tem a foto do banquete completamente jogos vorazes, gente, que era com o Trump, os Big Tech Lords e a elite lá no em Londres, né?
Eles no banquete, os garçons, aquela coisa assim, tipo, né? eles num palácio, literalmente num palácio. Eu olhando eles aqueles e eu fui assim, comecei, eu disse, gente, olha o mundo do jeito que tá e essa gente tá aqui fazendo banquete real, mais jogos morais que isso não fica realmente, sabe o que Douglas Hov fala, né? Que os caras estão lá fazendo bunker e aí vai ficar sem água. O que importa para eles é ter água para eles no búnker. Então, entende? Eu cada vez maisé o famoso ditado, se a farinha é pouca, meu pirão primeiro, né? Exato. Então eu cada vez mais eu eu incentivo as pessoas a pensar futuros, tá? Que são os que a gente quer, os que a gente quer. Ninguém quer um futuro, tá? Que tu Eu eu pelo menos não conheço pessoas que queiram. Ah, é o seguinte, é assim, eu quero largar aqui meu marido, eu quero ter um avatar que seja meu marido e eu quero e eu quero viver nesse mundo distópico, frio, gelado, entende? Por isso que inclusive, né, no livro a gente fala vislumbrar futuros que desejamos viver. quem quer viver num futuro distópicoe o futuro e o que a gente tem hoje a gente tira como se fosse dado. E não é muito do que a gente precisa fazer de imaginação de futuros, é para preservar o que nós temos hoje e a partir disso a gente então gerar dignidade para que todas as pessoas possam ter. Porque quando eu falar a gente tem hoje, a gente quem nós aqui, né, gente? Porque tem 100 milhões de pessoas no Brasil que não tem saneamento básico, sabe? E a gente de alguma forma no pacto social a gente se anestesioucom isso, né? A gente achou que isso é normal. Então o que eu gostaria, né, a minha o meu viés é o que eu gostaria que a gente se ressensibilizasse,
Se reencantasse com a ideia de um mundo onde as pessoas têm saneamento básico e com isso a gente tem menos violência e com isso a gente tem sim existe a solução para todas as questões que a gente precisa. Gente, existe ciência. O que nós, o que eu penso assim, é meu, digamos assim, o que me sustenta, né, assim, do ponto de vista assim anímico, é pensar isso, né? Inclusive, eu brinco até com as crianças. A minha filha, Aurora, ela diz falar: "Mamãe, você vai falar de nós hoje na palestra normal?"Porque porque eu sempre falo, porque tantas vezes, tanto eu me imagino conversando com eles, né? Como quando me bate a paura, né? Que vai ser a vida deles, né? Eu eu penso assim, bom, eu encontro a paz pensando que eu tô dando o meu melhor, sabe? Que eu tô usando meus espaços para achar as brechas, para fazer as pessoas trocar de lente, para mostrar que é possível, para usar as lentes, né, de uma visão que a gente possa se reencantar com esse mundo. E aí eu, tá bom, que é o que a gente pode fazer, né? Cada um fazer sua parte, não é? No final é isso, entende? Estamos aqui,não. E tem muita gente que não faz a sua parte e fica falando que os outros têm que fazer também, né?
Exato. Então, então a gente também voltar para esse tribalismo, né, onde a gente olha mais pro próprio umbigo, isso também é a lente pluriversal. Eu aqui, que que eu posso fazer, né? Por isso que eu falo, muitas vezes as pessoas me perguntam assim: "Como você faz para trabalhar com propósito?" É uma ideia também que eu acho que foi muito ingênua, sabe? Trabalhar com propósito, com empresas incríveis. E eu falo, gente, quando tu consegue tá ajudar teu colega a não ter uma crise de pânico, tá ajudando ele num prazo, tu tá fazendo futuros, entende? Tu não tá sendo futurista, não tá usando metodologia de futuros, mas tu tá sim contribuindo, sabe? E isso é perspectiva sistêmica.Se eu estou, né, operando pela saúde do sistema, eu estou sim influenciandoo sistema.
O sistema. Isso é a natureza, né? Enfim. Então eu acho que esse reencantamento ele vai precisar vir com uma ressensibilização, né? E que eu acredito que vai vir com a dor mesmo, né? Que eu acho que a gente tá agora nesse na permacrise, elas tendem a se agravar nos próximos anos, né? Eu sempre falo isso pr as pessoas que trabalham comigo. Eu de verdade, gente, eu acho assim, da porta para fora tudo vai piorar..Eu tenho um amigo que fala que crise não acaba.Entãoé, nenhuma crise acaba. Não acabanão. Por que param de falar sobre a crise?Então como assim?Porque vem uma nova crise.Ah, sim.Isso serve para olha só a gente não vai falar de futuros agora porque a gente tá muito impactado com o tarifaço. Eu tenho a dizer amor, perma, crise, resiliência.
Você tem que ser capaz de pensar futuros. Agora é o mais importante.Conta. de oportunidade, cria um monte de oportunidade. Eu tô na CCBC, que é Câmara do Comércio Brasil, Canadá,e o tarifá ajuda CCBC, porque o imposto que o Canadá recebe, o Brasil também recebe. Tarifaço, né, na verdade que o Brasil recebe, o Canadá também recebe. E o Canadá compra muito Estados Unidos, 50% da importação é do dos Estados Unidos. E só que, por exemplo, suco de laranja, que a gente já falou bastante, compra do Brasil, invasa nos Estados Unidos e vende lá. Pô, ó que oportunidade que tem, vai chegar com maisé encontrar o caminho.E aí, como que tu prospecta futuros, né? Tem um monte de ferramentas na reaginação radical em toda visão de estudos de futuros. Só que isso é uma mudança cultural e toda mudança cultural, né, requer tempo. Tudo isso que a gente já sabe. Acredito no poder da arte, do design, da criatividade, tudo isso. Mas não naquela no lugar da positividade tóxica, sabe? Talvez no lugar da gente se ressensibilizar o quanto a gente precisa trabalhar no agora pra gente ter água na nossa cozinha daqui 30 anos, gente,entende? Então assim, é nesse lugar, sabe, quee é muito louco você falar sobre isso, né? Porque quando a gente fala de imaginar futuro, a gente pensa num num espaço Jetsons, né?
Porque estamos com a nossa mente colonizada com ideias de futuros. É o primeiro capítulo da reimaginação radical. A primeira coisa que a gente precisa se livrar dessas imagens de futuros, entende? Porque elas primeiro não foram pensadas nem por nós, nem para nós. Isso nós do sul global a gente tem que ter um mínimo de dignidade aqui. Essa pessoa não tem vontade de dizer assim,sabe assim que quando tu fala aquela amiga que tá, né, tipo, já passou o a a linha da dignidade com o êxo, da vontade ser da amiga,foco aqui, sabe? Eu tenho vontade de fazer isso muitas vezes com os nossos empresários aqui. Foco aqui. Vamos pensar nas coisas que são feitas por nós e para nós.Então eu queria pegar uma car tá falando. Tem muita gente ainda vê futurismo como futur o futuro, né? A visão de futuro como um sinônimo de ser vidente ou de previsão mística, né?
Perfeito. Tem uma história boa dessa.E você falou, então assim, primeiro, como é que você desconstrói esses estereótipos? E segundo, né? E você falou dos vieses, né? Quais são os vieses mais perigosos para as empresas quando ela elas pensam essa questão de futuro?É, para mim o que a o maior perigo que a gente vive hoje se chama ganância, porque né, a gente vive um mundo onde a gente no no final das contas, gente, tem custo fazer a transição. Para isso, a gente vai ter que, né, onde tá o dinheiro? Onde tá o dinheiro? a gente sabe onde tá o dinheiro. Então essas pessoas vão ter que admitir por alguns anos ganhar um pouco menos, um pouco menos. Não. E a gente sabe realmente quando vem um não um se leva, eu falo: "Eu sei, ele sabe que se ele reportar lá no seu na sua projeção que no ano que vem, gente, no ano que vem a gente vai lucrar a mesma coisa, a gente não vai lucrar mais. Nosso plano para o ano que vem é lucrar a mesma coisa, porque esse a gente vai gerar um resultado que a gente quer investir na nossa transição energética. cai asa ações empresa que os acionistas não vão querer. É o que fala a questão do decrescimento. Então, percebe que como a importância da da mudança cultural, então a ganância para mim é assim, ó, gente, é uma coisa, é uma coisa assassina no mundo de hoje. E esse lugar que interdita a gente falar sobre outras métricas, né? Porque daí não é sério. Então isso eu considero perigosíssimo, assim, ó, uma coisa seral killer, assim, a ganância porque ela foi normatizada, né?
É. E tem uma e tem uma base também de competição, né? Mas isso tem a ver com a ganância também. A a base é a ganância. Eu quero mais. Eu preciso, né? Entãonão. E para eu ganhar você precisa perder. Não tem colaboração. Exato. Então isso para mim é a coisa mais perigosa. E o que que era a segunda coisa que tu falou? Até porque com medo. Fala da ganância me dá medo.Quais é? Quais são os vieses mais perigosos?É a ganância para mim. É a questão da ganância. A questão da ganância.Não. E a outra pergunta era como é que você combate os estereótipos de vidente, né? DeAh, o vidente, tá? Vamos pro viidente. Primeiro, eu não combato porque a visão da vidência, do oráculo, eu considero como perspectivas legítimas de muitas culturas,né? Quando a gente vai falar assim, então é assim, a gente combater como tudo que não é comprovável na nossa ciência materialista como algo que deve ser combatido, é uma perspectiva hegemônica, branca, ocidental. Ou tu vai dizer para uma pessoa de terreiro que o cigano não falou nada para uma é uma visão real, uma vivência. Então eu não combato. Essa é a primeira coisa.
.Agora sim, eu considero que inclusive tem uma violência, né, de primeiro que é uma ignorância. Então quando a pessoa ela fala esse negócio de vidente é porque ela não sabe queela não sabe que existe uma ciência que que o futurista ele não tá prevendo nada, ele tá usando métodos científicos que existem há mais de 40 anos, tá? Então essas pessoas falta letramento, primeira coisa, né? E aí quando falta letramento sempre vou respiro lá, vamos lá gente. E aí eu me vejo no mesmo lugar de 20 anos atrás quando os diretores executivos se levam, falavam para mim: "Internet é coisa de jovem, isso aí não vai pegar".E tava eu lá: "Respira, vamos explicar o que é a internet". Tô nesse mesmo lugar dizendo, "Respira". Existe sim. Deixa eu te mostrar. Estudos de futuros. T. Tá.
Existe, tem como estudar futuros é uma coisa que é possível, não é uma coisa de se prever, não é? Então tem uma coisa muito mal, né, resolvida aí. E aí tem uma história que eu acho maravilhosa, é o seguinte, né? Primeiro esse ano, depois eu assisti SXSW, é uma matéria que sai no Fantástico da Amy Webb, que é considerada a futurista mais conhecida aqui no Brasil, embora o que ela faça é um estudo de tecnologias emergentes, não é necessariamente também esse escopo que a gente tá falando aqui,sai lá no Fantástico, né? Vidente conectada. Foi assim que são tão lá. Então, quantos milhões de brasileiros tiveram seu primeiro impacto com uma profissional futurista com nesse lugar? Vente conectada realmente, sabe? Eu acho assim, eu não consigo imaginar outra coisa que não ignorância mesmo, sabe? De uma pessoa falar um negócio desse. O trabalho da Amy Webb, por exemplo, tem um trabalho todo científico, enfim, tem críticas, tem elogios, mas com certeza ela não é uma vidente. Então eu acho que é pura ignorância mesmo, tá? E, mas aí eu falando com a Rosa Alegria, né, que é uma das futuristas, as pioneiras do Brasil, ela fez um mestrado lá em Houston de estudo de futuros lá nos anos 90 e tal,amiga querida,maravilhosa, ela conta, eu falei para ela, Rosa, tu tem que fazer um standup disso que ela ela conta quando há 30 anos atrás as pessoas contratavam ela achando que ela era astróloga, entendeu?
Que é só isso que pode realmente só isso pode então eu acho que tem alguma coisa assim até pra gente. Por isso muitas vezes eu gosto do humor mesmo, sabe? Vamos dar risada então disso, sabe? Da até dessa falta de letramento das pessoas e da falta de respeito também com culturas que acreditam sim na clarividência, né, na possibilidade. Quem é aqui, a gente tá falando na último capítulo da reimaginação radical dos sonhos lúcidos, tem inúmeras histórias de sonhos premonitórios. É isso que também a gente fala quando a gente se propõe a pensar em outras possibilidades de tempo, né, que existem, sim, eu acredito, outras dimensões de realidades na qual o tempo não é essa linearidade que esse nosso corpinho aqui processa. Existem outras frequências assim, onde o futuro pode ser também, né, ele também tá presente, né, nessa espiral do tempo. É um mistério isso, mas eu com certeza não digo que não existe, né? Quem é que nunca foinuma vidente que te disse exatamente uma coisa que aconteceu na tua vida? Tem inúmeras histórias disso. Então a gente vai dizer o quê? A gente vai ser essa ciência materialista, vai dizer: "Isso não existe." E é e essa cultura também nos informa sobre como a gente reage ao futuro, né?
Porque muitas vezes né, que o que eu não explico não existe, né? O que eu não explico não existe exatamente. E aí é uma postura violenta em relação a esse grande mistério que é o tempo, o tempo rei, né? Como é a turnê do do Gilberto Gil, né? é o tempo rei.Tem um coach que eu vi em várias apresentações que é a diferença entre o design e a ciência está fundamentada no fato que o design lida primordialmente com o que ainda não existe. Enquanto a ciência explica o que já existe, os cientistas descobrem as leis que governam o mundo na realidade atual, enquanto os designers inventam futuro diferente da Jane Lidica. Já ouvi issojá.Que é quem falou isso?E aí? Não concordo. Eu acho tem muita ciência que fala sobre o que não existe.É, então, mas eu vejo isso em apresentações de designers também, que aí é uma história e quenossa, tem que estudar melhor, depois me passa essa ref, mas assim, a princípio eu assim, a ciência, os estudos de futuros vai estudar aquilo que não existe.
É muito respeito admiração, sabe? Então assim, eu eu também admiro respeito, não dá para essa afirmação e e e os designers inventam um futuro diferente.Mas dierente do quê? Isso é a perspectiva também. Diferente do que tu tem que te revelar, porque quando tu diz assim, os designers fazem diferente, tu tá te referindo a algum padrão diferente do quê.E se tu não revela esse padrão, tu tá de novo numa perspectiva única.Por isso que na ciência dos estudos de futuros se convencionou, né? Falar futuros. no plural. Éjustamente por causa disso, porque quando eu digo assim, o futuro será assim, o futuro para quemé sua perspectiva, seu viés, tal, mas era essa essa esse tema aqui que eu queria falar quando nós estávamos antes conversando ali atrás de o tema polêmica era esse tema. Eu tô apaixonada por esse match de design com futuros de designers, futuristas, futuristas designers.. Eu acho que é, inclusive, eu vejo com esperança, aí falando bem também agora falando de mercado, tá? Eu vejo que sim, inclusive pode haver um mercado para os designers que se capacitam nas práticas e nos estudos de futuros. Por quê? Porque eu acredito que mais cedo ou mais tarde vai abrir a mente, não é possível, gente, das empresas e vão ter que fazer planejamento com cenários. Eu acho um absurdo uma empresa fazer um planejamento.
Isso é querer prever. Não tem plano paranão tem um cenário, não tem dizer assim, olha, exato, não tem um estudo, gente, se for para casa é esse jeito, não tem inteligência antecipativa. Inteligência antecipativa é um hubio Grande do Sul, na URGs, que é pioneira no Brasil, trouxe pro Brasil há muito tempo, que ajuda as empresas a tomar melhores decisões. E aí, que que eu acho? Vai precisar de designers para fazer esses cenários,como diria o Garrincha, vai combinar com os russos para ele, pro futuro vaicombinar com os russos. Então assim, eu vejo que design de cenários, design de cidades inteligentes em em colaboração com ONGs, governo, tem mercado pro designer futurista, pro futurista designer,sabe? Para marcas, nós vamos ter que reinventar essa jornada aí de marcas. Gente, esgotou esse modelo do século XX, né? Então tem oportunidades para designers, futuristas, futuristas designers para desenhar jornadas de marcas, né, cross channel dentro de uma nova realidade, dessa realidade.
Bora juntar os design da ABEDesign parasabe, eu eu acredito nisso, só que ainda nós estamos no meio da desconstrução. É, é, então porque quando nós fizemos a aqui o workshop da reimaginação radical com a Lu, ainda tinha essa história, sabe, de da negação. Eu achei que ainda tinha, né? Por mais que as pessoas foi, foi cheio, todo mundo, né? Teve uma legal. Acho que não é neg a gente continuar nessa nessa pauta, porque nós podemos trazer para uma outra, né, uma nova realidade, uma nova reimaginar, porque não é não se trata do ofício, que é uma delícia, é outro trabalho, gente. Mas assim, ó, fazer essa também na educação, a gente vai precisar de designers, futuristas, futuristas, designers para ajudar nessas pessoas a serem capazes de imaginar, prospectar, projetar, enfim, futuros, antecipar inteligência, antecipativa precisar muito do pensamento de gente, a gente teve um papo aqui com a Gisela falando sobre educação e ela falou um negócio muito interessante, né? Ela recebe na for, por isso que eu te perguntei antes se você tava mirando na formação mais básica, né? Ah, ela disse: "Eu recebo as pessoas na universidadejá deformadas".
Deformadas no sentido assim, uma únicaé muito difícil mudar a perspectiva da pessoa sobrenovas realidades neste momento quando ela já tá lá na no final da formação..E é deveria ser muito mais fácil você começar a trabalhar isso muito cedo, né? Essa capacidade de imaginaçãode futuro, essa visão sistêmica. É, eu tô acreditando nisso. Tanto que até eu vou comentar aqui com vocês e com vocês que estão nos assistindo que a gente tá, tô desenhando com o Teach the Future essa visão de como que a gente, porque eles tiveram uma lançaram uma pesquisa que eu recomendo também todo mundo conhecer que chama da futurofobia à futurotopia, né, que vai fazer um uma investigação sobre o que que os jovens pensam sobre o futuro. E nós estamos aí na futurofobia, eles têm razão de estarem com medo do futuro, né, por toda a questão da permacrise, né? Mas como a gente conduz eles pra futurotopia, para essa ideia do protagonismo, para eles criarem essas profissões, assim como lá no começo da internet, né? Não tinha profissão de social media,tinha que ficar explicando, nós estamos nesse mesmo momento, não tem essa profissão aqui no Brasil, sabe?
Demanda lá no LinkedIn designer de cenários de futuros, mas vai ter.. E nós vamos ter que criar isso. Então eu tô tô nesse trabalho com o Teach the Future pra gente usar a reimaginação radical. Como é que através das práticas da reimaginação radical a gente ajuda os jovens para chegarem nessa formação, né? Ou também os jovens que já estão ali na na faculdade, né? Jan a segunda leva dos J.Qual vez você fala Jzi? Para mim eu já tô tudo velho esse pessoal.É. É. Não, eu também. Mas por isso que eu me dou bem com eles, porque eu sou a tia louca, gente. Eu sou a tia louca, entendeu? que canta umas histórias boa e eu acredito neles. Eu realmente acredito nos jovens e eu tô também me preparando pro Miguel, Aurora, ficarem adolescentes, né? E eu acredito assim, é muito legal, assim, é muito emocionante, sabe? E a reimaginação radical também tá começando a seragora utilizada por professores. E aí eu também tô recebendo feedbacks muito legais, porque isso mostra na pesquisa do Teach the Future, todo medo que eles têm, eles também querem numa se engajar para alguma coisa. estão precisando, gente, da nossa mentoria, da gente dizer, tem um negócio aqui, ó, estudo de futuro, sim, embora, dá para fazer isso aqui, é bom para ti, vamos estudar, eles vão, só que realmente para eles, eles paraa frente, eles só vê em colapso,entendeu?
Qual que é a proposta para ABEDesign? falou, "Vamos fazerjuntar os design para pensar o futuro,o que ela o que ela propôs ali."É, e marcas,eu desde o começo da Lena Bearne com a Gi, com a Gisela Shozinger, né? para a gente falar G que alguém tá assistindo sabe quem é a Gi.Quem não sabe quem é a GI, assiste o episódio da GI do Valente.E E aí a a minha ambição era levar o design paraa cadeira do marketing dentro das universidades, né? Do marketing administração de empresas para para queentão transversalizar, né?É transversalizar. Aí agora no nosso papo, eu já tô pensando, putz, será que nós temos que colocar na pré-escola, no ginásio, em que ponto nós temos que colocar para desse papo nosso aqui?
Como que nós podemos influenciar na grade para também não chegar deformado, como você disse, e como a List como que nós podemos, né, além de avançar para gerar negócios, que épara administração, marketing, quem contrata os designers também para para os jovens chegardeixar, não, pros jovens chegarem tambémentender um pouquinho mais do que queé processo design, format. Vamos discutir isso aí. Isso é muito legal.Não, nós não vamos discutir nada agora porque eu acabei de olhar o horário e hoje eu tenho que ir.É, não, não. Hoje,gente, passou. Não tô acreditando.Quanto tempo deu aí?Passou muito rápido.1:40100:20, gente. Fala do seu livo. Fala do seu livro.Vou dar o meu livro. São Momentos de Abá que nem é o livro. Isso aqui é a caixa edição limitada. você vai receber,ó,com a arte do nosso designer André Barbosa, que não é só uma ilustração, gente, faz parte de todo con,toda a construção dotoda a construção. Tá aqui os objetos,passa para cá o teu livro que eu também quero.
Então você vai receber o meu livro.Eu quero trocar as lentes.Trocando a lente.Mas o meu não veio com essa caixa maravilhosa, hein?Pensamento estratégico. E E caixa rasa. Lindo demais. ser adesivos. Eu já recebi.Tem, é para realmente a gente também se reencantar com a beleza, né? Como que a gente, os designers podem ajudar demais isso. A gente precisa reencontrar a beleza de cenários futuros onde a gente queira viver, sabe?Que quem é que vai fazer isso, gente? São vocês designers.Vocês designers. Venhaos de futuro.Pra gente finalizar, qual que é o legado que a Luba Bazanella gostaria de deixar pro mundonas pras pras gerações do futuro?Olha aquela assim, ui, tô toda arrepiada.
Que que eu gostaria, né, gente? assim, nesse tem uma coisa bem humilde que eu sinto ultimamente assim que eu que eu gostaria, sabe, de me manter saudável e conseguir me sustentar para continuar fazendo o que eu faço, que eu acredito muito mesmo nos que que as pessoas quando colocam o futuros na mesa, elas tomam melhores decisões no presente. E eu sinto que as pessoas não ainda t dificuldade de entender isso até por uma série de questões assim sistêmicas, né? Então eu quero assim, sabe, tipo, quero conseguir ficar firme e forte aqui para poder continuar fazendo. E o legado é assim, eu eu trabalho muito com letramento, né? Não foi uma escolha, foi sem querer. Assim, eu não, eu não rezo para convertido. A coisa que mais me, que me, me falam é assim: "Então, Lu, olha só, a gente adorou, foi no teu workshop, porém nossos clientes aqui, eles são super caretas, são super conservadores. E eu falo: "Me dá os caretas conservadores,são eles que eu gosto,porque eu gosto deles mesmo. Realmente assim, até por essa integração com o passado e tudo, eu quero falar com as pessoas, né, que realmente quero quero ajudar esse lampejo futurista acontecer, né? Eu eu acredito nisso e eu acho que a gente precisa fazer isso, a gente precisa estar disposto. Então eu gostaria de deixar esse esse legado, né, que muitas pessoas e eu acho que é isso que é o a doação do livro, né? É muito trabalho, é uma coisa assim que, né, tu faz, é uma doação mesmo que é para todo mundo. Eu falo: "Vai, gente, usa como que faz, me conta". Sabe? Porque eu acredito que a gente vai ter que fomentar inclusive essas novas profissões aí dos designers para ter para todo mundo. É uma mentalidade de abundância assim, né?
Compartilhamento de conhecimento é sempre uma mentalidade de abundância. Então esperogenerosidade,de generosidade eu espero. E aí é uma confiança também que é uma grande um grande remédio para minha ansiedade, né? é confiar que se eu tiver colocando meu conhecimento, meu trabalho, minha energia no mundo, eu vou conseguir então, né, fluir e as coisas vão acontecer. Porque realmente assim, eu acho hoje meio até ridículo, por exemplo, fazer um planejamento de carreira. Que carreira, amor? Que trabalho, que empresa, que que futuro, todas as profissões hoje estão em momento pivotal,né? Então assim, aquele planejamento que a gente fazia de ficar linearzinho,né? Não acredito mais nisso, né? mas continua acreditando na sensorialidade, na arte, no reencantamento, na espiritualidade, na educação, né? Tudo isso para que a gente possa construir esse esse mundo. E eu, uma coisa que eu tenho falado muito também, que é o seguinte: vai demorar mais tempo do que eu imaginava. Eu achava assim que a gente ia fazer a transformação e bora lá. E hoje eu vejo assim, transformação sistêmica leva décadas, né? Então eu também tô nesse lugar assim de uma certa resignação, sabe? Por isso que eu entendi que não é 100 m, é uma maratona.
Então vamos ficar juntos unidos, né?Se se retroalimentando,exatamente em comunidade, né?Então faz o jabá completo aqui. Onde é que as pessoas completo radical? Issoé da Bambual. Eu quero agradecer sempre muito a Bambual, né? Por ter acreditado nesse projeto. E pode comprar no site da Bambual. Enfim, tem na no no link da Vamos colocar o link. Isso, coloca o link e depois me conta. Acho que é um excelente presente de Natal, assim, de ano novo, que no final do ano as pessoas estão mais propensas, né, a pensar nos futuros..Então, que bom que pense que você requer reimaginar para 2026 e use a reimaginação radical.Muito bom, Gabis. Mensagem final pra galera.Pô, mensagem final, Lu. Muito obrigada, Lu. Nossa parceirona. Ó, desde Gramado, acho que em Gramado, acho que foi a conexão maior, né?
Foi a conexão maior ali em Gramado no E quero agradecer muito a suagenerosidade em compartilhar seu tempo e conhecimento conosco, com a Bigne também. Gian, muito obrigada mais uma vez. Adoro esse bate-papo aqui.Esse esse passou rápido demais também não imaginei. Foi muito louco. Pessoas também, gente. Passou, não sei para mim. Eu tava aqui, fui se olhar no relógio, tá na hora de ir embora. Vamos. Você que aguentou até aqui,um beijo no seu coração. Assista, se não entendeu tudo, assista de novo. Nãoqu hor de podcast.Entendeu tudo, melhore assim.Não.E ó, eu queria deixar um recado pra sua cunhada. Se você não entendeu dessa vez, você não vai entender nunca mais.Entendeu melhor. Agora eu falo, eu gosto de comer que é uma história engraçada. Mas a a questão é quem chegou até o final é porque curtiu. Vai curtiu.
Obrigado. Obrigado.Aí você já que chegou até o final e curtiu, compartilha. Conta para amiguinho. Fala meu p legal para caramba aqui.É isso aí. Então para você que ficou até aqui, um beijo no coração e até a próxima. Valeu,


