Sobre o episódio
Ricardo Sastre colecionava rótulos na infância e olhava São Paulo como um outro país, de onde vinham os picolés e os brinquedos que demoravam anos para chegar a Porto Alegre. Aos 16 anos fundou com o irmão uma gráfica digital, cursou publicidade, filosofia e semiótica e só encontrou o design no mestrado. Depois veio o doutorado em Engenharia de Produção, onde descobriu o pensamento lean e o aplicou a um escritório de design deixando a criação livre no centro do processo.
Na conversa, ele conta por que decidiu integrar academia e mercado, depois de ouvir de um lado que era prático demais e do outro que era acadêmico demais, e apresenta sua missão de transformar a embalagem numa área autônoma de conhecimento, com oito eixos que vão da história à sustentabilidade. Fala da gestão à frente da APDesign, da Mudrá, que reduz custo e impacto ambiental das embalagens, e da Embase, centro de pesquisa criado para os próximos 20 anos.
O episódio também revisita a biografia técnica de Lincoln Seragini, escrita por Ricardo, com o triângulo da embalagem ideal revelado pela primeira vez. Sobre inteligência artificial, Ricardo defende que o designer autoral será mais valorizado e deixa um conselho direto a quem começa: não há atalho para o estudo e a imersão.
Trechos em destaque
“A comunicação me ensinou a vender e o design me ensinou a projetar.”
“Aquele espaço era o coração do modelo de negócio do design. Não posso mexer no coração, tem que deixar ele bater.”
“Nosso tempo de vida é menor do que o de uma sacola plástica.”
“No fundo, o desafio do prompt é saber o que pedir. Ele sabia pedir como ninguém.”
“Antes da extração da matéria-prima, a pergunta é se realmente faz sentido ter uma embalagem.”
“A gente precisa da inteligência artificial para recortar uma imagem em 5 segundos. A gente não precisa dela para pensar por nós.”
Capítulos
- 0:00Abertura
- 1:36Da gráfica do irmão à faculdade de comunicação
- 4:21Filosofia, semiótica e a essência humana
- 6:46Sair da indústria e ir para a academia
- 8:31O encontro com o design no mestrado
- 10:43Método, receita e espaço para criar
- 11:38Lean num escritório de design
- 14:56Empreender no design
- 16:59Prático demais para a academia, acadêmico demais para o mercado
- 20:35O lado difícil da academia
- 23:10Os oito eixos do conhecimento em embalagem
- 25:01O trabalho associativo e a APDesign
- 29:50Legado
- 32:55A biografia de Lincoln Seragini
- 38:24O triângulo da embalagem ideal
- 41:42Mudrá: menos custo, menos impacto
- 48:26Projeto namoro e projeto casamento
- 51:06Embase, um centro de pesquisa em embalagem
- 53:49Tirar a embalagem da bolha
- 1:00:11O papel do design no futuro
- 1:06:18Conselho para quem começa
Transcrição completagerada a partir da legenda automática do YouTube, com revisão de nomes
Olá, olá, olá. Bem-vindos ao Trocando a Lente, um podcast cujos temas são negócios, marcas, empreendedorismo e design, e onde a gente busca difundir a importância do modelo de pensamento sistêmico do design e a sua relevância pro futuro das organizações e dos negócios. Meu nome é Gian Franco Rocchiccioli, eu sou host deste podcast. junto com a minha amiga Gisela Schulzinger. Dá um oi pra galera aí.Oi pessoal.Oi pessoal. Oi pessoal.Oi pessoal.E hoje a gente tem a honra de receber aqui o nosso amigo Ricardo Sastre. Ricardo, obrigado por ter aceito o convite.Legal. Obrigado pelo convite, né? Pô, dois sobrenomes difíceis, né?
O que fizinho. Olha, Fiozinhotá quase no escritório de advocacia. Ricardo, se apresenta aí pro povo. Fala um pouco sobre quem é você, de onde você veio, além do do Rio Grande do Sul, né? Fala um pouco da da tua trajetória, certo?Conta você mesmo quem é você.Tá bem. Bom. Bom, sou de Porto Alegre, né? Sou gaúcho, talvez o sotaque entregue, mas talvez.É bom que todo gaúcho começa dizendo isso. Eu sou gaúcho de Porto. É, nãotem uma questão cultural envolvida, né? até recentemente escrevi um capítulo sobre isso no num livro do de uma coleção, né, que o Rio Grande do Sul tem isso muito na cultura, né, das conquistas, enfim, e a gente acaba crescendo com essa característica, né?
Mas enfim, comecei na área gráfica, poucos sabem disso. Meu primeiro emprego foi no escritório de contabilidade, mas com 16 anos o meu irmão me convidou para fundar uma gráfica.Fundar uma gráfica. Não dar uma gráfica, começar uma gráfica de impressão digital que em 1996 isso não era popular, principalmente no Rio Grande do Sul, né? para que vocês não saibam, né? Durante toda a minha infância eu assistia programas de desenho e os produtos eram lançados no Brasil e outros e chegavam em Porto Alegre 5, 10 anos depois.Uau!Era uma distância gigantesca entre o Rio Grande do Sul e São Paulo.. Talvez isso, até comento isso de propósito, isso tenha sido um gatilho para pra minha própria carreira, porque eu sempre olhei São Paulo com uma com brilho nos olhos, né? E eu gosto muito de São Paulo, de verdade, assim, é uma cidade que me acolhe, que me faz muito bem estar aqui, né?
Tanto que você vemdiretotoda semana,sim,praticamente,até a hora que eu ficar aqui de vez, né? E mas é uma cidade que me acolheu muito bem, assim, as pessoas, enfim, né, a própria cidade. E aí a gente teve essa esse universo assim infantil, né, de nossa, São Paulo parece outro país, o os picolés que tem lá não tem aqui, os doces, né, os brinquedos e e isso tudo foi criando o meu imaginário assim de infância que depois culminou nas embalagens e e e nos projetos que foram feitos. E posteriormente eu acabei descobrindo os autores desses projetos, né, que me deixou muito mais feliz.. Mas você estudou design? Não,eu estudei design no mestrado.
.Então eu comecei com indústria gráfica, fiquei 10 anos de sócio do meu irmão e depois mais 6 anos sozinho. Então foram 16 anos. Nesse meio do caminho, eu fui fazer a faculdade de comunicação, né? Eu sou formado em publicidade propaganda.. Porque o desenho industrial era uma faculdade não tão comumque era muito mais voltada pra indústria. E por ter um pai engenheiro, talvez isso tenha me inibido um pouco, porque é aquela coisa, né? Meu pai engenheiro mecânico me jogava embaixo de um carro e saía pelo outro lado correndo..Nunca me interessei por essa parte, né? Apesar de projetar hoje, mas a embalagem é um pouquinho diferente, né? Feito a faculdade de comunicação, eu fiz dois anos de filosofia emendando já. E aí parei para fazer uma pós-graduação na área de semiótica. Então eu tenho uma especialização em semiótica que me ensinou muita coisa dentro da filosofia, principalmente, o ter uma visão um pouquinho mais ampliada, né, do significado das coisas.
E como é que você combina e essas duas perspectivas, essas duas lentes, né? A filosofia, porque eu sou apaixonado por esse tema também, e semiótica também, dois temas. como é que que ganho você teve no teu repertório? quando você se debruçou nesses dois temas,total, a gente amplia a visão do mundo e principalmente a questão humana, né? no HackTown que a gente participou, aque eu amo,a Gisela, eu tava recente, tinha chego, eu cheguei já praticamente no horário da minha palestra..No outro dia eu fui dar uma respirada, abri meu computador embaixo das árvores, a Gisela passou, eu falei: "Gisela, eu vou ver um um uma palestra sobre embalagens inteligentes". Ela olhou para mim e disse assim: "Não, tu não vai fazer isso. Tu vai assistir palestras de outras áreas que não são a tua, porque o o o momento é esse, o evento é isso e tal. E realmente fez muito sentido. Te agradeço já de novo, né, Gian? Eu já tinha te agradecidojá. E aí eu assisti palestras de ano sabático, uma palestra sobre budismo, sobre humor, né? E, e aí a filosofia fez mais sentido ainda, porque por um lado tá todo mundo nessa, nessa correria da de tá por dentro das novas tecnologias. Por outro lado, a gente percebe um afastamento da essência do ser humano. E aí a semiótica, a filosofia, ela encaixa muito bem nisso, porque no fundo o conhecimento é cíclico.
.E a essência ela permanece.Se nós perdêssemos totalmente a tecnologia, nós sobreviveríamos de alguma forma por essa característica humana de adaptabilidade que eu considero a mais a grandiosa do ser humano.. Porque a vida ela vai, né, na sua impermanência, nos seus altos e baixos, nos levando por caminhos, às vezes positivos, outras vezes nem tanto. E a gente se adapta, a gente supera, a gente vive e isso a filosofia nos traz, né? Então, o gancho esse é muito importante.É, a filosofia ela nos dá uma certa humildade, né? Exatamente.Quando você começa a ver que nível as pessoas chegam, quando elasos grandes filósofos, você fala: "Não, eu só realmente eu só sei que nada sei, eu precisei muito para aprender." Aívi eles chegaram nessa conclusão.
Conclusão.Exato. E aí, nesse meio do caminho terminei o a pós-graduação em semiótico e fui fazer um MBA para aumentar a minha indústria. Quando eu terminei o meu MBA, eu queria sair correndo da indústria, porque entendendo as ferramentas da administração, principalmente inovação, competitividade,eu percebi quea minha vida não merecia esse pedaço de vida que a gente destina para uma para um equipamento que custa 10 milhões de dólares..Né? e me limitaria a ter uma contribuição maior. a indústria tem uma função importantíssima. a gente trabalha para as indústrias,tem uma questão social, tem uma questão econômica, tem uma questão que ela tem que ter, ela é importantíssima, mas não para mim com muitos.
Sua matéria prima era outra, né?Minha matéria-pra era outra. ia concorrer direto com o meu tempo de ir além na área acadêmica, que era um anseio, né? a minha família toda de professores.Ah, que legal. É, conheci.É, e pegando o gancho nisso que você falou, né? Você tem uma uma participação acadêmica bastante ativa.Sim.conta um pouco como é que você imagino que seja por por tradição familiar, né? Como é que você foi parar no ambiente acadêmico e que eu, você puder falar um pouco qual é o lado bom e o lado ruim do ambiente acadêmico, né? Porque a gente sabe que não tem só o lado bom, né? tambémsem sem dar nomes.Não, eu confirmo.Isso. A gente pode falar bastante coisa.É isso, eu confirmo.Cheguei no mestrado em design e um professor disse: "Tu é prático demais para estar na área acadêmica". Digo, bom, vamos entender tudo isso, né?
Foi aí que começou. Ah,fala isso para mim.O quê?É isso vai emendar alguma coisa que eu quero puxar aqui de você. E esse professor dava aula de metodologia. E eu nunca falei isso para ninguém, mas eu disse para mim mesmo. Eu vou dar aula de metodologia,eu vou tirar,eu vou tirar esse professor daNão, não, não contexto, né? Mas no sentido de mergulhar em método.Aham. E aí eu fiz o mestrado na graduação, eu conheci a embalagem, que foi depois eu, né, nunca mais saí, nem vou sair dela. E no mestrado eu conheci o design, fiz o mestrado no design. Toda multidisciplinaridade tem a seu lado positivo.Como é que você conheceu o design? Que o que que o que que você conheceu do design? A o tema éteoria. a teoria do design,porque o lado multidisciplinar, ele tem uma vantagem que tu vai tendo olhares complementarese a desvantagem é que cada vez que eu mudei de área, eu tive que estudar mais do que os outros. Então, quando eu entrei no mestrado em design, bom, já o processo seletivo são três livros clássicos do design que tem que fazer uma uma prova escrita linkando os três.
. Então, já ali eu já li e poucas páginas em dois meses e eu comecei a gostar daquilo. Eu digo: "Pô, o design fez muito sentido."Que bicho interessante esse tal design.É, eu digo, nossa, era isso faz muito sentido, porque eu entrei pra faculdade de comunicação pela área criativa..Tanto é que o meu trabalho de conclusão fosse foi sobre embalagem, mas eu gostei muito da disciplina de direção de arte, processos criativos, né? Não, nem tanto a questão de jornal, TV e outras áreas, muito mais a questão de produção gráfica, obviamente, mas o lado criativo da comunicação.Eu digo que a comunicação me ensinou a vender e o design me ensinou a projetar. São complementares e foram essa mistura foi sensacional. O G também é testemunha disso, né, G? É. e esse esse essa mistura do método com com o modelo de pensamento do design, o que que você trouxe do estudo da metodologia quando você viu o design? Como é que foi essa mistura?
Foi o entender a essência dos métodos em si,o a importância, né,que é uma receita de bolo.Quando a gente vai fazer um bolinho de chuva, é farinha, ovos, sal, açúcar, fermento, aí tem o modo de preparo e tal. O método do design é muito similar, só que claro, todas as suas áreas com as suas complexidades. E o método científico, eu diria que a quantidade de farinha tem que ser exata..Né? Oe e como é que você enxerga essa aqui? Eu sempre faço essa pergunta, nunca tive a resposta. Talvez você consiga me dar a resposta. o método ele te dá uma receita,certo?Né? mas eu tenho que eu tenho espaço paracriar, né?Paraa criação, né? No meio da receita. como é que você reconfigura isso para não deixar com que a receita trave o processo criativo, né? Como é que como acontece aí no pela tua visão?
Eu desenvolvi um artigo quando eu tava fazendo doutorado que eu apliquei o Lean Office. Lean Manufacturing é uma ferramenta da engenharia. Eu fiz o doutorado na engenharia de produção, né? O Lean foi outra área que eu mergulhei, eu amei.É maravilha.E o Lean Service é uma área da do pensamento, né, Lean que evita desperdícios nos processos administrativos.Quando eu quando eu conectei com essa ferramenta, eu li vários livros sobre Lean Service. Eu digo, vou aplicar num escritório de design para ver o que acontece.Dá para aplicar isso aqui em outra coisa. É, comecei pelo mapa de fluxo, depois usei outras ferramentas. Quando eu comecei a desenhar o mapa de fluxo, que a gente coloca todas as etapas e áreas envolvidas para entender o estado atual e como a gente pode ser mais enxuto reduzindo etapas. Chegou na área criativa, eu pensei assim, se eu disser para um criativo que primeiro ele tem que abrir o computador, entrar num banco de dados, pesquisar, tarará, tará, que você acabou de dizer, já não tem mais o criativo.
Acabou, acabou o criativo levantou, foi embora.Aí eu percebi que aquele gap era coração do modelo de negócio, do design.. Eu digo: "Bom, não posso mexer no coração, tem que deixar ele bater." E aí o que que eu fiz? Eu fiz um gap entre a entrada e a saída e o resto deixa o universo no meio, né?Então, e a partir da entrega do da área criativa, aí volta o processo que daí é metodológico, né? Ea, passo a passo, criativa cria.Área criativa é um retângulo dentro do mapa de fluxo de valor.Então, como diz Roger Martin, não é o método não é um algoritmo, ele é uma heurística, né? É exe um guia pro processo e dentro deleé um indicativo, né? Porque e esse mapeamento ele serve tanto para que o processo se torne acessível a todos, porque esse essa é uma das filosofias Lean que sejam visuais, né? Mas também ele serve numa gestão de conflitos, porque ah Sara, isso aqui não é responsabilidade minha, isso aqui ficou trancado uma semana aqui, não, não ficou trancado, ficou trancado em ti e tal. Quando tu começa a mapear isso nas indústrias, tu começa a perceber que as pessoas respeitam mais o processo.
.Né? na maioria dos casos, os erros que acontecem de produção que alguém burlou aquelas etapas que não deveriam ter, né? feito de outra forma. E aí, tornando esse processo visual, a gente consegue mapear e dar esse gap pra área criativa..Eu eu e ouvindo você falar, né?Ele fugiu da minha pergunta da universidade,mas eu vou vou chegar,deu uma volta, saiu do assunto. Até eu não me dei conta que saiu, saí junto.Vou chegar nela porque é um assunto que me interessa muito falar sobre isso.Vai lá.Então, tem a escola, né? Eu acho que a gente vai falar, eu sei, a gente já conversou muito sobre isso. mas eu queria trazer, você falou, né? Eu fiz comunicação que me ensinou a vender e eu fiz design, né? Que me você é um empreendedor, né? E a gente sempre fala do design empreendedor, né?
Não só como um profissional, né, de negócios, mas empreender no design, né, e de fazer opior lugar do mundo para você resolver empreender, como diz, é o pior lugar do mundo para empreender, tal, mas eu vejo que você tem essa, né, e você cavou muito, construiu sua agência. Então, me conta um pouco como foi esse essa decisão, porque às vezes você é muito bom nas coisas, mas empreender tem características específicas, né?Sim. Eu acho que é uma questão muito de perfil, porque eu tive algumas experiências como consultor de mais longa data ou até mesmo funcionário, que não era uma zona confortável para mim.. Quando tu desenvolve um trabalho com um propósito bom e questões internas ou questões ocultas impedem que tu siga, que é o que acontece na maioria das empresas, questões corporativas,nem me fale.
Aquilo me incomoda muito,né?Então, e nas questões corporativas, vamos pro ambiente acadêmico. Responde aí.E então,qual é o lado bom e qual qual é o lado ruim doO empreendedorismo? Ele parte disso, né? De uma questão de perfil e tentar buscar os espaços. E aí eu faço uma brincadeira porque conversando com as pessoas assim, ah, na época tal era muito legal porque a gente conseguia fazer cobrar por um valor X de projeto e tal.E eu digo, pô, eu cada vez que eu chego numa determinada e fase da minha vida profissional, eu perdi aquela fase boa.Chegou na minha vez, não era.Chegou cada vez que chega na minha vez, já é uma fase diferente.É comigo, né? Eu digo, pô, tô chegando atrasado em todas, né? Mas enfim. H, respondendo a tua pergunta, chegando no doutorado, eu tava já, eu mergulhei mesmo na engenharia, porque também foi necessário, principalmente cálculo e coisas,ferramentas mais assertivas.
Muito empolgado com tudo que eu tava vendo, fui aplicar no mercado. O mercado chegou para mim, disse assim: "Cara, tu é acadêmico demais, pelo amor de Deus". Eu digo, "O que que eu faço da minha vida, né? É, foi a primeira pergunta que eu pensei.O acadêmico falou que você é de mercado.Além de chegar atrasado, tô sempre no lugar errado. Tô no lugar errado. Aí e e o que mais se fala no doutorado é o seguinte. Depois que tu entregar tua tese, tu vai ter um um uma ressaca de se meses, um ano. Às vezes,só que teve.Eu tive e nem é o doutorado, foi o mestrado.Às vezes, de repente tu nunca mais vai querer chegar perto. Eu digo: "Bom, vamos testar, né?" Passou uma semana e eu já tava pensando na próxima, no próximo doutorado, no próximo projeto. É, dois doutorados eu não recomendo não, esquece.
Pódc.É. E eu pensei, eu já tava pensando em pesquisa, aí tava assistindo uma palestra completamente aleatória, que eu nem lembro o tema. E aí alguém, o palestrante falou assim: "Ah, eu percebi que eu era pesquisador quando aconteceu tal coisa na minha vida, aquilo, opa, eu acho que eu sou pesquisador, porque se eu cheguei até o doutorado e e eu continuo com essa vontade de buscar conhecimento,eu acho que tá um caminho aí".Aí eu pensei, como que eu fecho isso? E aí que veio um segundo insite que hoje é eu não tenho uma palavra para isso, mas hoje eu não vejo mais a área acadêmica isolada do mercado e o mercado isolado da área acadêmica.Não deveria ser assim, né?Né? hoje eu desenvolvo uma solução mais assertiva. com ferramentas, com métricas, com indicadores, com aquele esse jogo de cintura do mercado que imagina 16 anos eu já tava gerenciando pessoas, já tava negociando, já tava levando calote, cheque sem fundo,né? Isso tudo vai te ensinando, né?
Escola da vida.É escola da vida. E eu digo, né? Eu me criei numa região metropolitana de Porto Alegre, numa cidade chamada Cachoeirinha, aonde tu tinha que segurar o canudinho para não tomarem todo o teu refrigerante, né? também.E essa malandragem ela foie e não é que você conseguia fazer que o cara não botasse a boca, mas pelo menos você tinha o controle, né?Não vai tomar todo, né? Vai tomar fracionado. Então essa malandragem num bom sentido, esse jogo de cintura do mercado, eu vim trazendo ao longo de toda a minha carreira..E aí como duas línguas muito diferentes se falarem, esse foi o grande desafio. Até que caiu essa ficha. E quando caiu essa ficha, eu comecei a perceber qual é a linguagem de um de outro, como eu me porto num lugar, como me porto no outro..
Há duas semanas atrás, eu tava dando uma palestra num congresso de desenvolvimento de produto na engenharia de produção, né, que eu faço parte do Instituto de Gestão e Desenvolvimento de Produto, que a gente discute questões relacionadas a desenvolvimento de produto, enfim, a embalagem ela tá começando a entrar lá,né, de maneira modesta por mim, né, que eu acho que tem tudo a ver. Ao mesmo tempo, participo das associações.Lado aí tem o lado ruim, né, o lado ruim daÉ, o lado ruim da academia. O Gian tá doido para saber o lado ruim da Não, eu tô doido para saber porque eu nunca consegui entrar nesse mundo, né,assim, já não consegui, vou explicar, né? Não é que eu não eu não tentei porque eu acho que esse mundo não é para mim,é a dinâmica política de dentro do mundo acadêmico para mim é insuportável.Vamos por partes.
Vamos por partes. Lincoln, eu sou um cara de fora falando aqui dentro. No Brasil a gente não tem uma valorização do conhecimento de uma maneira geral. Ponto. Nós temos, por exemplo, a minha missão profissional é reestruturar a área de embalagem para que se torne uma área autônoma de conhecimento. Então, é um trabalho aqui de formiguinha, é um trabalho de base. Eu sempre digo que eu estou contribuindo com a sustentabilidade também reestruturando esse conhecimento, porque se a pessoa que vai desenhar uma embalagem sustentável não sabe nem o que que é, quais são as funções de uma embalagem, ela tem que parar e estudar um pouquinho mais.. né? E eu vejo muito isso no mercado. Aí a gente vai pra área acadêmica, a gente não tem uma formação específica, a gente não tem um aprofundamento e por aí vai, né? Tô falando especificamente,só uma doença do mundo de hoje, né? Todo mundo especialista de um monte de coisa que não conhece.
Monte de coisa que não conhece, né?E então nós temos o produtivismo científico que eu sempre digo, não quero dançar conforme a música. A música é essa, né? Entrar paraa área acadêmica e começar a reclamar que tem que publicar artigo não entra.. Porque hoje o sistema funciona dessa forma. Como que a gente muda? Tenho várias iniciativas dentro da área acadêmica para mudar isso. Agora não entra criticando o modelo se tu sabe que é assim que funciona e não vai mudar tão cedo.Acabou de explicar porque que eu não entro.Pois então,é isso.Então, cara, hoje o cenário é esse. Iniciativas como a minha de integrar as duas áreas, pode ser que isso num futuroperfeito,né? Eu estudei numa pós-graduação que se tu não entregar um trabalho prático, tu não sai do doutorado, que é a engenharia de produção da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Pesquisa aplicada, se tu não aplicar tua pesquisa, tu não sai do doutorado, porque são esses pré-requisitos. Tem que publicar um artigo numa revista um, que é a revista top de qualificação, né? A revista internacional.
E tu tem, além de dos artigos da tese, que são divididos em três, tu tem que ter uma pesquisa aplicada. Se tu coloca isso como pré-requisito, tu já começa a trazer soluções pro mercado. Ponto..Aí soluções conceituais da da área acadêmica são muito bem-vindas para áreas que são mais sensíveis, como design, como a embalagem. Ó, ó, olha que eu já tô, eu já tô trazendo a embalagem como área autônoma..Né? Porque são, nós precisamos melhorar o nosso repertório porque é uma área mais nova. Repertório da engenharia, sei lá, tem 100, 200, 300, 500 anos. repertório de design tem 100 anos, 50 anos, 80 anos, dependendo o país, né? A Alemanha acho que é uma das precursoras,própria Itália, enfim, mas no Brasil é muito novo.
E a tua ideia é ter um curso, curso superior de embalagem, é isso?É separado desta forma, porque o design dentro da embalagem ele entra como uma das área de conhecimento autônoma, tá? se vai virar num curso de pós-graduação, graduação, se vai virar em alguma outra algum outro desdobramento, ainda não sei..Né? Hoje eu eu tô seguindo um caminho lento, gradativo e e e sólido..Que é, ó, precisamos reestruturar a área. Eu tenho uma espinha dorsal com oito eixos principais, cada um desses eixos com subeixos.Quais são os? Você lembra dos oito de cabeça? Porque o oito é um número difícil de lembrar. Posso tentar? Vamos lá.Eu sete anões eu já não, eu lembro de quatro.Não, eu nunca soube história que é o resgate, né, que tem uma relação também com esse com esse livro. o conhecimento base, que é conceitos, funções, classificação, etc.
Sustentabilidade, que eu chamo de impacto social..eu falo oito. Émateriais, ó. Tô em quatro. Que mais? Questões legais, diretrizzes rotulagem, essas coisas,regulatórios, né? Legais,é, regulatórios tá dentro, né? Jurídico, regulatório, mercado, que daí entra marketing, entra comunicação, design gráfico, né? Projeto,produção também.A produção ela entra em sistema.Sistemaé, fechou. Projeto,sistema, produção, história, conhecimentos básicos, sustentabilidade.Sustentabilidade.pô, eu faleidire de legal,outro lá de de questões legais que eu não não lembro exatamente a palavra que eu coloqueiatórioe materiais. Pronto. Oito.
Materis. Boa. Não me pergunta de novo.Mandou bem.Boa. E você comentou sobre o trabalho da associação, né? você também se jogou no mundo da coletividade, né, do trabalhar em em prol dos meus pares, né? Como é que foi a tua entrada nesse mundo? Quando é que você se atraiu por essa ideia? Eu me lembro para mim muito bem quando foi que eu cheguei à conclusão de que eu precisava me envolver com isso. Mas como é que foi? Como o podcast não é sobre mim, sobre você, como é que foi no teu caso? Eu tive um envolvimento desde adolescente com com formação de lideranças, né? Eu participei da ordem de dos 15 aos 21 anosecomeça fui escoteiro.É,não fui escoteiro, mas é muito é muito próximo. A hora de demolei, muito próxima do do escotismo, enfim..
E e sempre me envolvendo com associações, com questões coletivas de fazer com que uma área cresça ou uma comunidade se fortaleça, né? E quando eu enfrentei todas essas dificuldades de entender, de ter uma área autônoma, não ter uma área autônoma, de não estar na minha vez, né? me dei conta quevocê tá sempre no lugar errado.Sempre no lugar errado. Me dei conta que uma um um pedaço da sociedade, né, que nós como designers nós somos fazemos parte de uma sociedade maior,mas dentro dessa sociedade a gente tem o nosso papel.
Quando ela cresce de maneira ordenada, todo mundo se beneficia com isso, né? Então, sempre me questionaram, por que que tu dá aula? Por que que tu por que que tu mostra os teus métodos? Por que que tu fala muito sobre educação e tal? Por que que tu traz sempre esse olhar, né? Porque eu acho que todos crescem com isso..Não é o Ricardo que vai guardar o conhecimento e que esse conhecimento ele vai ser tem que assinar o NDA para poder ter acesso. Não, eu tô sendo egoísta. É,porque no final o que que eu vou deixar? É, vou deixar dinheiro na conta, sim, talvez, né, ter uma paraa minha família ser mais confortável e tal, mas e o legado?.
E o que que o que que tá o que que me move esse tempo curtíssimo que eu digo, né, que nós nosso tempo de vida é menor do que uma sacola plástica.Pois é.Gostei da referência.Não criticando as sacolas plásticas, né? Tua vida vale, dura menos que plástica plástica.Faz sentido não deixar nada no para mim não faz. Talvez, né? para outras pessoas sim, mas para mim não faz. Então, e eu tenho que aproveitar esse tempo que eu estou aqui para fazer algo de útil pra coletividade.Perfeito.E nesse caso, as entidades de classe funcionam muito bem. E esse foi o trabalho que nós fizemos na APDesign.. Você você foi presidente da ABEDesign? Da APDesign, né? A APDesign durante quanto tempo?
Foram dois anos, uma um mandato. A PD faz 30 anos o ano que vem.Que loucura.É uma das associações mais antigas do Brasil.Luciano foi. Nós tivemos os ápses da APDesign e em virtude de pandemia, enfim, a gente foi perdendo um pouco da representatividade.A própria mudança de plataformas, né? É uma associação de voluntários. Nós não temos nenhuma nenhum funcionário ou nenhum estagiário, enfim, alguém que faça o dia a dia operacional, né? Então, nós assumimos a associação com o desafio de retomar. Ah, qual é o teu plano? Qual é o teu planejamento? Retomar, uma palavra, né? Então, nós colocamos a associação em dois anos num outro patamar. Agora a Júlia Weber tá fazendo e vai fazer um trabalho brilhante.
Ela já tá fazendo,né? tá fazendo um trabalho brilhante de continuidade, porque por que dois anos? Geralmente pelo histórico da associação são dois mandatos cada presidente, né? O Luciano acho que ficou um ou dois, eu não lembro agora, mas a maioria ficaram dois mandatos. Eu ia perder esse fôlego..Eu ia perder esse gás,essa energia, né?Essa energia quedemanda, né? Demanda. Trabalho,demanda muito.No na na organização do Bernancini, eu praticamente parei o escritório..Né? E e aí quando começa a prejudicar a a tua vida pessoal,aí em tudo na vida, né? Quando ultrapassa alguns limites, a gente questiona,tanto em relacionamentos quanto na vida profissional. Ah, tô trabalhando 20 horas por dia. Não, questiona porque tem alguma coisa errada aí,né? E e o trabalho associativo é muito isso, né?
E na tua opinião, qual que é o ponto em que você merece o teu legado comemorado? O que que você precisa fazer? Você é um cara que tá escrevendo sobre a vida de outros, né? e sobre as histórias coletivas, né? Sei que você tá fazendo um trabalho aí para ABEDesign também, além do que você acabou de fazer pro Lincoln, a gente vai falar depois disso, mas como é que chega nesse estágio de você ter um legado que merece ser comemorado, escrito, lembrado, etc? Qual é esse ponto ideal aí?Bom, o novo projeto que é Embase, que é o centro de pesquisa, ele já tá organizado pros próximos 20 anos.. Eu acho que o ápice, se realmente eu conseguir transformar a área de embalagem no Brasil num conhecimento autônomo, eu acho que esse é um legado, né?
eu digo pro Lincoln, né, que quando a gente chegar lá vai ter uma sala com o teu nome e outra sala com o meu.Sensacional. Não, não é, é incrível assim ver você como você organizou, tinha um plano, tem um plano,é,tem um plano e tá tudo. Então assim, porque fazer isso, claro que não é só por isso, mas assim, temtem tem uma razão tão ó, ouvindo você falar tão óbvio, né, da gente já entrar aqui na na questãoé muito louco a pessoa querer virar uma plaquinha de porta, né?Qual o seu objetivo? Mas é isso,mas é que placa na porta significa muita coisa, né?Não é nem o nome de rua, tá? É só a plaquinha na porta.Mas é e é legal pensar isso, né? Como você tá se organizando para construir esse legado, né? E pegando e a coisa da embalagem. Você foi, mirou,né? Acho que a gente pode até entrar aqui nesse nessa temática.
Uma certa história com esse mundo, né? Da embalagem.É. E foi mirou na com alguém que inventou embalagem, né? no Brasil, assim, nesse contexto do design, da estratégia,não, mas eu tô falando da tua história com mundo da embalagem. É um assunto que você gosta, né?Ah, é um assunto que eu gosto também. É um assunto que euexplora aí um pouco o mundo da embalagem. Você que tem uma história longa, ex-presidente da da abre, né?É, foi uma experiência muito legal na abre, mas a mais legal de todas foi de fato, né? E e trabalhar na Lincoln Seragini. Isso foi um privilégio na minha vida..Né? Por tudo, pelo tempo de mercado, pelo meu momento lá. Mas enfim, história não sou eu. como que essa coisa, né, de você tá organizando o seu legado claramente, né, e vai virar essa plaquinha aí. mas como que você vê assim esse esse movimento e como foi o desafio de fazer esse que que eu já te falei, é um feito assim que não dá paranão dá para imaginar. Quem conhece o Lincoln sabe o quanto que isso é, e seria difícil, né? E era o sonho de uma pessoa, né? né? E você conseguir realizar assim, então contar um pouco essa trajetória, né? E a decisão, porque não é fácil fazer o Lincoln falar e de forma consar o que o Lincoln falou difícil.
Isso, é isso, né? Não, e transformar e segurar ele para que tenha uma organização. Claramente você que é todo com método e, né, claramente isso te ajudou, né, independente do Lincoln, você foi driblando o Lincoln para conseguir chegar. Mas falar um pouco desse processo.Ah, foi um trabalho muito gratificante pegar o livro. Deixa eu, Claro,deixa eu aproveitar para ver. Vai falando aí. A embalagem é legal que a gente a gente mergulha em outras,tinha que ter uma embalagem, né, doTinha que ter uma embalagem. H, é legal a embalagem que a gente mergulha em outros outras áreas de conhecimento. Falei da do do Lean, falei de economia circular, a gente estuda outras outros temas que o próprio design editorial que eu dei aula por muitos anos, ele ele veio com tudo na voltou com tudo na minha vida, porque eu amo design editorial.
.Né? E como lincar o design editorial com a embalagem? Tá aí. tem um penso inclusive todo o método de construção do livro tá no apêndice..Porque é umtodo o design, né, que se utilizou, pensamento do design.Primeiro que o método de concepção do livro foi publicado no congresso de design do ano passado em Manaus, no PID, e tá aí disponível para quem quiser fazer uma uma biografia técnica. E e todo o conceito visual, como que a gente chegou nas cores, na no grid, enfim, também tá ali, porque é um livro de professor designer para outro professor designer. Como não mostrar como fazer? É quase impossível não ter esse essa contribuição, né? Lincoln com Antoninho Marmisão.
É maravilhoso.Tem um depoimento da Gisele emocionante aí.Tá, tá no livro.Tem o meu também.Também tem o teu. Tem, nossa, é, é,é que é um privilégio mesmo, né, como você falou.Bom, como que eu geri o Lincoln, né?Nós começamos primeiro, teve uma algumas conversas para viabilizar, né, para ele aceitar escrever. Foi foi uma iniciativa minha. Eu procurei o Lincoln, se professor, eu quero reestruturar, quero começar a pesquisar sobre por onde começou o design de embalagem no Brasil. E cheguei no teu nome, que eu já lhe conheci através das revistas e tal durante toda a minha carreira. Eu sou um privilegiado porque os meus ídolos encadernados hoje são meus parceiros, meus amigos.
Então aquilo, né, por isso que eu fiz aquele gancho com os picolés lá do do Brasil, é que o que eu via nas revistas especializadas na embalagem marca em Banils e Pec outras e nos próprios poucos livros que tinham sobre o tema, eu vislumbrava esse esse mundo. Imagina ele desenha a embalagem do Nescal, imagina tá desenhando uma embalagem que tá dentro da minha da minha dispensa, né? E aí tu conhece a pessoa pessoalmente, conhece a pessoa de verdade e começa a conviver e trocar ideia e trocar conhecimento e aprender muito com essa pessoa. E é uma troca muito rica, muito valiosa, né? Eu sempre digo que eu tô numa troca de bastão por uma questão de cronológica, né? tô na metade da minha carreira e e aí acho que o acho a maior forma de organizar o livro foi o a espinha dorsal sumário que foram feit na primeira semana de trabalho. A gente definiu, né? Conversando com o Lincoln durante muitas horas, eu percebi que tinham três eixos principais. o eixo do Lincoln promotor, que é toda a experiência dentro das indústrias, tem o o eixo educador, porque desde o início da carreira ele se preocupou em ensinar e fazer as pessoas crescerem.
.Não só atuar como profissional, mas ele sempre levoutodo mundo a crescer junto com ele,independente. E é muito legal, isso é uma coisa que eu levo pra minha vida. Ele não teve tempo para pensar em coisas negativas, assim como eu também não tenho.E não treinou a mente para pensar nisso, né?E eu também não tenho esse tempo de pensar em coisas negativas, porque a gente tem um trabalho pela frente..E ele foi levando, foi fazendo e e aí tem a terceiro eixo que é o realizador, que foi o a o empreendedorismo dele que vai até hoje, né? Mas esse irando e ir fazendo, quando eu mergulhei no conteúdo, eu reestruturei a linha de pensamento do Lincoln, que ele teve essa ambição desde a embalística, nos anos 80, que já era uma uma forma de de estruturar um conhecimento, transformar a embalagem numa área autônoma, passando pela criategia, que foi uma segunda tentativa dele de transformar a embalagem numa área autônoma, chegando no design científico. Eu tive o cuidado de trazer o que que ele quis dizer com design científico. Se vocês lerem o livro, vai tá dito o que que é a ciência, como é que ela se estrutura, porque não, eu não quero nenhum tipo de conflito com a área acadêmica,lógico,porque o Lincoln ele é um acadêmico sem a formação específica, porque é a essência, né? é, é esse anseio em tornaré um educador sem ser, sem ter o título de professor.
Exatamente. Então, isso tá na essência, se eu conseguir trazer pro livro, né? E e aí ele lendo o livro, ele disse assim: "Nossa, primeiro eu não sabia que eu fiz tudo isso e segundo não consegui entender até agora como é que tu estruturou isso."Não, ninguém consegue entender como é que você conseguiu.Ninguém não. E 500 páginas, eu que escrevo livro, sei o capaz de estudar. E numa conversa, numa conversa super informal, ele me falou de um, ah, tu sabe que quando eu fiz o case da Fiorela, eu criei o triângulo da embalagem ideal. Digo, o que que é isso, Lincoln? Ah, é uma relação entre o valor real, que é o produto, o valor percebido, que é a embalagem e a questão de custo financeira, que as três coisas têm que andar em paralelo, senão nada acontece. Eu falei: "Onde é que tá isso?" E ele: "Ah, nunca falei para ninguém, né? Nunca escrevi, nunca. Então vamos botar no livro mais uma contribuição.
Legal,né? E eu fui atualizando.Então um trabalho quase de arqueologia, né? Porque você foi cavando no no Lincoln.Eu fui atualizando questões monetárias da época, fui trazendo esse olhar. Ah, nos anos 80, quando ele começou a agência, a inflação tava galopante, né? depois dos anos 90, que era década perdida, enfim, eu fui trazendo esse recorte para entender como que ele contexto, né, como ele contexto,como ele navegou nesse contexto e e eu fui atualizando esse conhecimento porque ele é um conhecimento rico, ela é de base, ela é essência, precisava pequenos a pequenas atualizações para que se tornasse um livro de consulta atual. Só que o Lincoln ele sempre foi à frente do seu tempo, né? Então, eu sempre digo para ele que ele ele diz assim: "Bah, e hoje será o que eu falo no olha, na pior das hipóteses, tu vai estar igual, tu vai est no tempo,né?" Mas não, ele, né? Ele sempre teve um pensamento à frente e hoje ele já tá querendo construir tecnologia de inteligência artificial pro mundo doaté até engraçado o porquê, né? O Lincoln ele passou a vida inteira, segundo ele, né? a descrição dele, ele passou a vida inteira criando com a mão dos outros. Então, ele não é designer, mas ele era um bom diretor de criação. Então, ele pedia pras pessoas fazerem as coisas. Aí ele descobriu que a inteligência artificial, ele não precisa mais da mão dos outros, né?
Então, ele tá encantado com a inteligência artificial. Ee ele veio deslumbrado falar comigo sobre isso, né? Eé, conta essa história aqui.E aí ele, ah, porque eu coloco no prompt, ele arruma, aí eu peço para fazer tal coisa, ele faz. Aí eu peço para ir para tal caminho, ele vai.A inteligência artificial é fantástic.É fantástico. Eu digo, Lincoln, não é inteligência artificial, são 60 anos de carreira que tá conduzindo. Isso não éfazend 60 anos você tá fazendo promp pros outros fazer fazer com a mão, né?Muito bom. Muito bom.E é verdade, né? Porque no fundo o desafio do prompt é saber o que pedir. Ele sabia pedir como ninguém.Como ninguém. Treinou isso uma vida, né?Nossa. Então, faz muito sentido, né? Só que claro, é o ineditismo dessa facilidade hoje, né? Só quem recortou imagem no no na varetinha lá no Photoshop é que sabe o que a gente tá fazendo aqui,não? E indo ponto por ponto para fazer o recorte, né? Tem a ferramenta do seleciona e corta 5 minutos, 5 segundos.
O próprio e próprio editor de imagens do do Mac já recorta o fundo.Uma coisa impressionanteno celular, né? Você já consegue fazer figurinha. fala um pouco mais da saindo um pouco do livro, né? Que hoje tem o lançamento do livro lá na SPM. fala um pouco da da tua iniciativa. Você falou rapidamente o que que você quer transformar e Embase, né?Embase,Embase, desculpa. Embase. Falando de embalagem.Isso. Mas tá, tá tem relação.É a, a Embase.Bom, a Mudrá design, que é a minha empresa, né? Ela nasceu com a missão de desenvolver embalagens ideais, né, com menor impacto ambiental. com com esse olhar sistêmico.Ela nasceu com essa missão.Nasceu com essa missão de com esse olhar sistêmico, porque atuando na indústria, atuando em agência, atuando em, né, em todas as pontas, eu percebi que as soluções elas são fragmentadas.
.Porque a indústria de de embalagem, quando eu tinha minha indústria, eu queria vender aquilo que o meu portfólio oferecia, só que às vezes o cliente queria uma embalagem flexível, trabalhava com embalagem em papel. E aí eu sempre indiquei parceiros, mas tem muita indústria que quer adaptar..Por exemplo, uma etiqueta adesiva em grande volume em offset talvez não faça sentido, porque a a produção flexográfica ela é mais econômica, mais viável, né? Cada caso é um caso. E eu percebia que as indústrias às vezes não conseguiam oferecer uma solução fora daquilo que ela já tinha, que foi muito do anseio do próprio Lincoln em tirar a embalagem dentro da indústria e levar para um escritório autônomo para poder ter esse olhar, né? E aí eu vejo que a indústria de de invaso também tem um olhar um pouco mais limitado. As agências oferecem soluções mais fracionadas como design gráfico, conceito, né? Eu queria oferecer uma solução de ponto a ponto. Num primeiro momento da extração da matéria-pra o descarte. E hoje eu digo que antes do da extração da matéria-pra é se realmente faz sentido ter uma embalagem, né? Que eu acho que esse é o esse é o é o ponto um do do tipo de sustentável, né?
Precisa da embalagem. Então, e aí a Mudrá nasceu com esse objetivo, fazendo muito projeto estrutural para para agências de design gráfico, para, né, empresas de design gráfico, para indústrias de embalagem que chegam num limite, falta aquela visão mais ampla, me contratam para fazer um projeto estrutural com esse olhar todo, né? Mas ao longo dos anos a gente foi mudando um pouquinho.É questão também de olhar pro ciclo todo da embalagem e ver a eficiência do processo.Exato. E a relação da embalagem com a máquina, a relação da embalagem consumidor,o descarte,o descarte, né? A relação da embalagem na cooperativa, enfim, né? Então, todos esses pontos nós, isso foi desenvolvido na área acadêmica.. todos os métodos, ferramentas, tanto na mestrado, doutorado e pós-doutorado, foi sendo desenvolvido e está sendo desenvolvido sempre ferramentas para melhorar esse olhar, para ampliar esse olhar e tornar acessível, né, que o conceito da Mudrá é simplificamos a complexidade.
.através de ferramentas visuais, né? E aí ela foi amadurecendo e hoje a Mudrá Design é uma empresa de consultoria, de redução de custo e impacto ambiental. Se eu colocar impacto ambiental na frente de custos, eu vou ter dificuldade de vender a consultoria.Mas como eu tenho um pressuposto pressuposto de que redução de impacto ambiental reduz custo, então tanto faz.Aí você vê que é sintomático, né? Eu preciso botar o custo antes do impacto ambiental porque as pessoas se preocupam mais com isso também.Exato. Aí tem todas as questões e do mundo corporativo que a gente tá muito acostumados, né? que é aquela questão, ah, vou ganhar no sucesso, ah, mas eu não vou abrir meus números para ti, então tem queEntão pagaaí,mas eu não queria pagar.
É sempre um jogo de cintura, né? E são os desafios, né, do do processo.Mas enfim, e aí nesse meio do caminho, por estar produzindo muito, eu já eu já tenho outros livros. Eu tenho livro sobre inovação, embalagem de papel. Eu tenho livro sobre sistema produto, serviço sustentável.Gente, Ricardo, você é uma máquina, né, gente do céu,olha que eu faço coisa, mas o Ricardo,eu tenho publicações acadêmicas, o meu currículo Liss, por incrível que pareça, ele é gordinho.Gordinho,é gordinho. No só no pós-doutorado foram oito publicações.É gordinho. Tá engordando ainda, né?Tá engordando. Esse ano é um ano sabático. Eu não publiquei nada na área acadêmica. exatamente. Para focar no livro e para ver outros projetos, mas enfim. todas as todas as publicações, palestras, aulas, cursos, não cabia no portfólio da Mudrá.
.E aí começou: "Tá, mas o que que tu faz, né? O que que tu faz efetivamente?" Eu digo, iui, tô com problemade autodefinição.Ups.Tô com um problema aí de branding, né? Identidade. Ups.Não sou especialista.Mas esse é um problema bem comum, né? A grande maioria das pessoas não consegue se autodefinir. Consegue definir todo mundo que tá no entorno. Ah, impressionante.Mas se autodefinir é muito difícil.E aí eu digo, não, eu vou na virada do ano, eu tomei essa decisão. Eu vou enxugar o portfólio da Mudrá, só consultoria. Se entrar projeto estrutural vai entrar dentro do diagnóstico, né? E outras áreas, design de serviço, enfim, vai entrar dentro desse diagnóstico inicial. Porque se eu não me aprofundar no projeto de embalagem, eu não vou conseguir reduzir impacto ambiental, né?
Desenvolver um projeto estrutural específico, não vou conseguir chegar numa solução..Né? Semana passada nós ganhamos um um prêmio da ABRE na categoria ouro desenvolvendo projetos estruturais para uma microempresa extremamente sobedida, porque são pedras.. E essas pedras elas são orgânicas e eu precisava entender até onde ela variava para poder desenvolver embalagens com encaixezinho, com, né, dentro da realidade de uma microempresa que vai produzir 100, 200, não tem volume, né,300 peças.Criamos etiquetas, tags, uma série de coisas. Foi uma linha super completona. Projeto bem profundo que continua, a gente tem recorrência nesses nesse nesse cliente, mudou a vida dele,ele agregou valor, ele a o a autoestima, a categoria, né, do de produtos teve um um upgrade porque nós mergulhamos no universo, não foi, ah, eu preciso um projeto estrutural para esse copo, né?
Então, a Mudrá, ela enxugou o portfólio para trazer sua solução muito mais profunda, muito mais robusta. Ah, isso vai demandar tempo? Não, porque a linguagem de mercado não tem esse tempo. A linguagem acadêmica sim..Né? Projeto Tinder, projeto namoro, deixa pro mercado. Projeto casamento, área acadêmica é muito bom. Então, quando eu vou prospectar uma indústria que é um projeto de longo prazo, nossa, a área acadêmica ela encaixa como uma luva.E aí,e você viu esse contraste, né? posso ter os dois dentro do mesmo ambiente.E nosso, a gente tem tanto profissional na área acadêmica que tem um trabalho magnífico, incrível, que precisa desse espaço.É que não tem no Brasil, né, a cultura, eu sempre falo, a gente não usa a forças de Porter,o cara tá lá em Harvard, a grande maioria das de todas as as os templates aí, as referências que a gente tem, que a gente usanasceram na academia. Qual que é a diferença, né? Isso é muito da escola americana. Vai pro mercado,lá é orientado ao mercado.
Ela é orientada ao mercado aí e super acadêmico, mas é orientado pro mercado. Então, todo professor é um profissional. Tanto é que as referências que a gente tem são essas pessoas,né? Por quê? Porque sãoacadêmicos que só na academia que nasce essas coisas, no mercado não vai nascer, que tem método que ensina você a pensar. Esse foi o grande ganho que eu tive lá do mestrado. E aí, como que vira pro mercado? O americano, a escola americana não, ela já nasce e já é pondo no mercado. Então não tem essa diferença, sabe? Ah, então dentro eu consigo, mas não é fora. E fora não é, mas é dentro. Então, né, é uma é isso, isso é uma cultura assim.Essa é uma das coisas que me sempre me incomodou na academia de você ter uma desconexão,é,com a realidade, né? tem umano sentido só para explicar pros acadêmicos não me matarem, né? Não é desconexão com a realidade, é a desconexão com o uso final. Então eu tenho uma teoria que é perfeita, maravilhosa, etc. Aí você pergunta assim: "Mas serve para?" Então isso aí não é um problema meu, né?então tô exagerando, né? Sim, sim. Não, tanto que hoje tem o mestrado profissional,né? Porque já se entendeu isso que você pode e o doutorado que tem tem as pessoas que têm orientação pro mercado e é isso que vai fazer diferença, porque é importante ter o conhecimento organizado que fica lá depositadoe as pessoas têm acesso à publicações e tudo mais. Mas e o mercado, né, como é que faz para para acontecer, para fazer sentido? É uma iniciativa. Nós fizemos o ano passado com a com a ABRE, com a Associação Brasileira de Embalagem.
Fizemos uma cartilha com os 23 cursos de pós-graduação em design, suas linhas de pesquisa, áreas de atuação e os trabalhos publicados em embalagem com hiperlink..Essa cartilha ela é ela é disponível, ela tá na na rede, né? Ela é grátis e ela traz ela um primeiro passo que se isso vai continuar possivelmente pela Embase de uma 55% da área de conhecimento no Brasil e no mundo, a embalagem tem uma relação direta. Por que não fazer essa cartilha com as engenharias, com a agronomia?Então, mas descreve a base para quem não conhece o que que é a base? Bom, transformando a Mudrá numa consultoria e tendo todo esse trabalho de publicações e nesse nesse contexto assim, nesse meio do caminho, nós sentimos a falta de reestruturar esse portfólio e separar as coisas. E aí surgiu a base, que é um centro de pesquisa privado de embalagem, que busca reestruturar a área de conhecimento e trazer um corpo de especialistaspara contribuir do mundo. Não,não especialistas,tanto do mercado quanto academia,para que possa hoje eu tenho um, até na minha apresentação eu coloco exatamente essa figura. Hoje eu tenho uma espinha de peixe, sol, esqueleto, com só um quadradinho pintado que eu considero a biografia do Lincoln Seragini. Tá lá na na aba história. Bom, ele se enquadra em todos os eixos, né? É uma exceção, mas eu coloco na aba história pelo pela trajetória.
Mas em 2045 o peixe vai est gordinho, porque é esse corpo de especialistas, porque esse trabalho não é um trabalho feito por uma única mão..Né? E o nosso o nosso ah compromisso é com o conhecimento. Esse é o compromisso. Compromisso maior é esse. Dentro de uma espinha dorsal bem definida, onde o design editorial instrucional e a oratória tão transversal a esse eixo, posso desenvolver projetos editoriais? Sim, tá dentro do contexto da Embase, mas a gente tem a responsabilidade com a estruturação da área da embalagem. Então, a Embase nasce com esse objetivo. Não é ser concorrente de ninguém que está no mercado, é ser um agregador, porque temos muitas iniciativas no mercado de de transmissão de conhecimento sobre embalagem, de desenvolvimento de materiais sobre embalagem,tá separado,né? E não, a gente quer agregar isso, a gente quer somar,não, não nasc intenção de concorrer com ninguém. Tanto que esse processo ele vai acontecendo lentamente. Eu já tenho uma lista de oito próximas publicações.
Legal,né? Esó as publicações é que não sabem.Inclusive tem a próxima que eu já tá estruturado para escrever o ano que vem, que é não vou dar spoiler, mas é uma primeira primeiro esforço de fazer um livro mais acessível para tirar a embalagem da bolha da embalagem.. É, é quase um livro didático sobre embalagem. SãoDefine melhor isso. Tirar o design da bolha da o o tirar como é que éa embalagem da bolha da embalagem, né?Embagem. Tá. É mais ou menos a analogia, né? Eu sou músico e toco instrumental. Música instrumental. Geralmente o músico instrumental ele vai tocar para outros músicos.Entendi.Né? e a embalagem ou as áreas elas acabam produzindo pra própria área.
Agora, quando eu ofereço palestras para outras áreas do mercado.que até aconteceu recentemente, eu não vou citar as áreas para não, né, não ser antiético, mas eu ofereci uma palestra sobre embalagem numa área que não é da embalagem, que tem tudo a ver com a embalagem. Eles disseram que não era relevante. E aí, nesse mesmo evento contrataram um famoso para falar sobre um assunto completamente aleatório.Contrataram um cara para fazer piada no palco.Exato. E eu digo, pô, não, né? Por que que a embalagem não sai dessa bolha? Porque todos os profissionais da embalagem eles relatam muito isso. Nossa, a embalagem é uma área muito pequeninha, a gente não consegue expandir e tal. É, eu eu falei, fiz essa brincadeira porque no fundo tem uma ponto de vista, né? Porque por que que contrata uma pessoa para fazer piada e não contrata uma pessoa para fazer falar da embalagem? O cara da piada captura mais atenção, né? Então isso é uma autocrítica, né?
Se o teu assunto não vai pra frente, o problema tá em você, não tá no pra frente.Agora talvez seja um bom, talvez seja uma boa oportunidade, tá? Começar a fazer piada sobre embalagem. Foi rápido, hein? Você foi rápido. Essa você mandou bem.Standup sobre embalagem, ó.O G que é mais carismático poderia protagonizar. Eu ajudo a escrever as piadas.Mas sim. então esse próximo livro, porque é muito ah, eu tentei, mas não deu certo. Tentei, mas não. Cara, se eu bati na porta errada, eu vou tentar bater maneira diferente..Né? A gente, nós filósofos olhamos sempre, né, que o próprio Confúcio diz que para mudar a humanidade tem que mudar nós mesmos.É,então, pô, tá errado, tá, mas como é que eu faço diferente para acertar? Então, esse livro que possivelmente seja lançado no meio do ano que vem, é uma espécie de lições de embalagem que eu aprendi no cotidiano.
.Né? que vai tentar aí vai ter toda uma estratégia de como chegar, vai tentar tirar a embalagem da bolha da embalagem.Legal,né? chegar dar uma, por que não dar uma palestra sobre embalagem e séries iniciais se eles estão ali convivendo com a embalagem, muitas vezes até brincando ou até a embalagem servindo como material didático.. Quem nunca fez um carrinho com embalagem de creme dental? Exato,né? O próprio Lincoln, ele nasceu dentro de um armazém e os brinquedos dele foram embalagens. É.E e essa embalagem, ela convive com conosco desde a hora que a gente nasce até a hora que a gente morre. Que até eu ouvi isso, eu achei muito interessante que nós temos duas embalagens, né? A primeira é o útero e a segunda é o caixão, né?
. vai embalado.Então, se a gente tem esse contato com a embalagem desde o nascimento até a morte, por que que ela não tá em outros eixos, né? Então, o projeto do ano que vem, do meio do ano que vem, é exatamente esse, é fazer um livro com uma linguagem super acessível. Conforme eu vou contando uma história, eu vou levando conhecimentos básicos sobre embalagem e no final ele vai terminar com uma pilha de embalagem vazia. Pronto, já dei o spoiler. Dar spoiler, acabei de dar o spoiler.Enfim, e aí são oito publicações que vai reconstruindo, né? Como que eu como eu digo assim, eu não vou fazer um livro de Aia sobre embalagem. A gente já tem, a gente tem grandes livros de embalagem..Né? O Celso Negrão fez livro, o Burgel, Fábio Mestriner.
H bom, eu eu o Moura Bzato tem um livro de containerização, o próprio Berg Miller que fez um livro muito legal, né? O achei um livro com a pesquisa do Lincoln do da Dixoga sobre embalagens de regiões de todas as regiões do Brasil, embalagens vernaculares, eu posso dizer assim, o bambu lá na Amazônia, o Porongo no Rio Grande do Sul. Esse livro é incrível, né? Porque todo alguns entrevistados me falaram, tem que ler aquele livro do Dixy Toga. Aí eu achei dois exemplo, do Lincoln. Digo: "Nossa, eu tive acesso". Inclusive a capa desse livro tá aí no livro..Livro incrível. Foi publicado na década de 80, né? Então, não é não é esse objetivo de pegar a embalagem, fazer um compêndio de A, Z, não. É através de publicações ir construindo essa essa base.
E da onde veio o nome?O Embase foi muito engraçado que eu tava fazendo uma imersão, eu tava pensando num nome, né? E aí eu tava fazendo uma imersão numa cidade do Rio Grande do Sul chamada Três Coroas, perto do templo budista. Foram três imersões nesse lugar para acelerar o livro do Lincoln, né? Daí eu conseguia fazer só isso e foi.já já tinha feito isso no doutorado, enfim, né? E aí lá nesse lugar tem uma uma salinha pequeninha no meio do mato, oitavada com um tatame e uma poltrona, que essa sala chama Casa das respostas. Eu tava buscando o nome e aí várias, né, uma lista enorme de nomes e tal. E aí eu tava lá nessa casa das respostas meditando de olho fechado e eu digo, tem que ter emba no nome por causa de embalagem e tal.
E eu digo, mas também tem que ter base, né? Porque a base aí pam a primeira era em basa, né? E aí eu perguntei pro mestre e o Lincoln disse: "Embase aparece bazar se não dá e tal". Aí eu falei: "Tá Embase". Opa. base tá interessante. É.E aí eu pedi para ele uma ajuda para desenhar a marca e a marca eu, né, eu diria que essa marca é do Lincoln Seragini. Eu tenho privilégio com assinatura do Lincolnde ter uma marca com a assinatura do Lincoln Seragini.Isso que isso que é ter um plano, né?E como é que você enxerga o papel do design no futuro? O que que você tá na tua perspectiva dentro desse contexto que você tá mergulhado? Que que você acha que o design tem de contribuição para dar pro mundo de hoje paraa frente? Eu acho que o a principal contribuição nossa, primeiro que o design ele cai bem em todas as áreas porque eles ele tem um método, ele sabe como fazer, independente, a gente se apropria do conhecimento do nosso clientee o o designer sabe como estruturar isso. Ele é formado, ele é, né, ele é desenvolvido para isso, ele tem o perfil para isso. E mais do que nunca, eu acho que a maior contribuição do designer é exatamente o lado pessoal humano. Eu tava num evento que a gente promoveu pela APDesign, que foi o primeiro fórum de design circular.
. Eu tava num painel e a Júlia teve uma um insight muito legal que sabe essas aterriçagens que tem nos eventos de fazendo uma síntese a cada palestra, foram dois ilustradores, um de manhã e outro de tarde. Conforme os painéis iam desenrolando, o ilustrador ia fazendo uma síntese através de mapa mental, de desenhos de gráfico. Aí me fizeram uma pergunta sobre essa questão da inteligência artificial na interferência com o design gráfico, né?.E aí eu disse assim: "Olhem o cartaz do do ilustrador que fez o projeto de manhã e olhem o que fizeram de tarde. Coloquem um do lado do outro. Esse é o papel do design, porque são entregáveis diferentes. Esse olhar o esse lado humano, esse lado do desenhar, esse lado do pensar, do individual, dessa bagagem que nós somos, é própria, é nossa.
.Né? Tu teve as tuas experiências? Tu teve as tuas experiências? Eu tive as minhas, né? Comentei um pouco. H, o olhar da indústria gráfica, ele não vai sair da minha carreira. Quando eu vou desenvolver uma embalagem, eu vou ter o olhar, porque tá dentro do meu da minha formação. Aquilo que veio da minha família, ah, para quem acredita, aquilo que veio já de uma outra de uma outra encarnação, né? Isso, isso é próprio. E se o designer conseguir explorar isso de maneira inteligente, cara, não tem inteligência artificial que bata. A gente precisa da inteligência artificial para recortar uma imagem em 5 segundos.A gente não precisa dela para pensar por nós. E essa é uma preocupação que eu tenho como um desafio, principalmente na área da educação, que quem serão os próximos pensadores de uma maneira geral, quem tá estudando para isso? quanta gente tá deixando de pensar, de exercitar o pensamento.
e que se não exercitar esse músculo não vaise fortalecer, né? E quanto quanto conhecimento a gente vai perder daqui paraa frente, né? E não sei se vocês lembram disso, com certeza sim, já estavam no mercado quando entraram os computadores em 95, 96 ali que começou o Corel Drop, G Maker e outros softwares, o mercado recebeu uma explosão de areal, times e outras fontes.Essa explosão teve um processo de padronização. Ao mesmo tempo, surgiram empresas de design desenvolvendo fontes particulares para gerar valor. Que que vai acontecer agora? Cíc, né?Exato. O designer autoral vai ser muito mais valorizado do que antes. Eu acho que o designer tem um futuro brilhante pela frente.
Eu também acho.É uma palavra, uma palavra de esperança sempre brilhante. Agoraagora a gente precisa, a gente precisa auxiliar, né, como participantes de associações que além da APDesign, eu estou na ABRE, na ABEDesign, né, em trazer isso, levar isso, dar essa confiança, dar esse ponto de vista e fazer com que realmente a área do design ela cresça, porque a oportunidade ela vem, ela está aí, ela vem, né? E e o que eu falo que eu tô perdendo o time brincadeira, tá? Porque eu até me considero um privilegiado que eu nasci sem o computador e me adaptei. Isso é legal.É,né? Porqueé, a gente teve esse privilégio, nasceu sem o computador.Eu também. É,exatamente. O Sim, fiz ligações. Consegue enxergar melhor o que você perde, né?. Você só t essenão. E eu só sei fazer pensando. É, eunão tem assim como, né, que eu vejo os meus alunos assim, eles não, eles estão, eles não pensam, eles não pensam assim, né? Não tô falando todos, né? Tem que tomar cuidado aqui. É uma visão assim geral. Tô falandoo estudante com esse recurso, né? Claro queo contraste das gerações que você tá vendo?
Exato. Contraste e como cada vez menos. Isso é claro que sempre terão aqueles que surpreendem, mas é muito fácil, muito rápido, né?E aí resolve. Então eles não sabem pensar.E quando a gente avalia os prêmios, esse essa autoria e ela é evidente nos prêmios, no nos nos cases de sucesso.. Quando o designer leva essa essência projeto, eu acho que faz toda a diferença. Não é aquele copia e cola, nem o vou o aproveitar os 70% de planejamento e deixar os 30% de criatividade de lado, né? Eu vou levar um pouco de mim para aquele projeto. E aí, cara, são projetos incríveis,principalmente no design gráfico, né?
E você que é do mundo acadêmico, que conselho você dá pros teus pros teus alunos e que conselho você daria para as próximas gerações sobre o design?Eu acho que não tem outro caminho senão fazer calo na bunda. Não tem outro.Senta a bunda na cadeira e deixa formar calo, né? Deixa a forma cala. É muito difícil tu ser um especialista e um profissional semergir. Essa imersão, ela é fundamental. Lendo o livro do Gian, já li. Muito bom. Eu percebo isso. Eu percebo o quanto tu leu de livros para poder chegar nesse resultado..Porque é isso, é calo na bunda, não tem outro caminho, né? o as próprias filosofias, né? Eu particularmente me me identifico muito com o budismo.
Budismo é repetição e de novo e de novo e de novo e de novo. Porque a essência do budismo ele tá estruturado em aprende, contempla e medita. O aprender absorver uma coisa nova. O contemplar é dar uma uma reorganizada nessa nesse conhecimento. E o meditário é deixar a cabeçalivre. Porque o os os meus dois momentos incríveis de insightes é no banho e no avião.Eu também tenho no banho. Eu falo pra minha mulher, se alguém passasse aqui faz cara, é loucotomando banho.Porque eu fico falando, desenhando no box assim, ó, pensando.Tá aí uma nova oportunidade já da gente desenvolver.Tem a mautica. Não tem a maêutica que é andando, né? desenvolver artefatos para conseguir desenhar no banho.
Já tem, né? Tem as canetinhas de banho.É. E mas é isso. Acho que o recado principal é esse. Não tem como escapar,não tem atalhode fazer calo na bunda. Não tem.É,né? Porquea vida não tem atalho, né?E a gente vai e vai fazer de novo. E vai fazer de novo, vai fazer de novo, porque é isso.Bom, estamos chegando no fim do nosso podcast. Queria deixar aqui uma declaração. Primeiro te agradecer por cumprir uma promessa que eu não fui capaz de cumprir.e falo isso e não em meu nome, mas em nome de todas as pessoas que admiram o Lincoln Seragini e e assim a gente sabe o trabalho que dá fazendo um livro desse, a dedicação que você teve, o a competência com que você fez. Então fica aqui o meu agradecimento e de todas as fale por você ter feito isso. Agradecimento também por por aceitar participar do podcast pela segunda vez. Você teve aqui no podcast do Lincoln, fez uma participação especial entrando online aqui. mas eu te agradeço por ter se disposto a vir pessoalmente para fazer esse bate-papo. Quer dar uma mensagem final aí? Ah, de dizer para Ricardo assim que impressionante. Eu não te conhecia tanto assim, né? E hoje eu tive oportunidade, obrigada por essa oportunidade de ver uma pessoa que ampliou tanto, né, a minha percepção sobre eu já achava incrível o seu trabalho, né, mas entender todas as meandros que tem dessa pessoa que é você,né, conhecer mais pelo lado profissional e é encantada.
Obrigado. Bom, aquilo que eu comentei que eu conheci meus ídolos fora da encadernação, né? Então vocês dois são, né? São eles.Que é isso? Agradeço. Não sei se eu mereço tanto, mas agradeço a gente.Carlos, obrigado por de novo, né, pel por esse papo. Foi muito gostoso. E para você que ficou aí nos assistindo até agora, um beijo no coração e até a próxima.


