Sobre o episódio
Gustavo Greco se formou em Direito e Publicidade, chegou a tirar a OAB em direito penal e acabou fundando em Belo Horizonte o estúdio que leva seu sobrenome, hoje entre os mais premiados da América do Sul. Aos 50 anos, com a GRECO completando 20, ele fala do momento de dar espaço às 25 pessoas que constroem o estúdio com ele, de lidar com o próprio lado controlador e de provar que alguém de fora do eixo Rio e São Paulo pode ocupar qualquer lugar.
A conversa passa pela relação com tendências, que ele evita seguir para não contaminar o repertório, pela ideia de que a solução do problema está no próprio problema e pela importância da experiência física num mundo de telas. Gustavo conta como é levar a mentalidade do design para conselhos de empresas, por que acha impossível definir um design brasileiro sem excluir e como o BDA cresceu durante a sua gestão, inclusive na edição online feita na pandemia.
No fim, ele resume seus conselhos a quem começa: não ter vergonha de dizer o que quer, não poupar esforço e honrar cada espaço conquistado. E diz que o que mais o inspira é o que ainda não fez.
Trechos em destaque
“Pior do que repetir o outro é repetir a si mesmo.”
“Não existe design sem escuta.”
“Num mundo cheio de visualidade, já que a gente vai colocar mais uma imagem, vamos ser responsáveis com isso.”
“Definir é excluir. Toda vez que a gente define, a gente exclui.”
“Marca para mim é a diferença. Encontrar essa diferença é encontrar a alma.”
“Se você resolveu estar, esteja.”
Capítulos
- 0:00Abertura
- 2:12Quem é o Gustavo Greco, pessoa física
- 3:32Do direito e da publicidade ao design
- 5:15Quando a GRECO acaba?
- 6:17Tendência sem imitação
- 7:34A solução está no problema
- 10:23Time, intimidade e o cantor da banda
- 13:1050 anos, 20 de estúdio e a hora de dar espaço
- 17:32Um trator de pantufas
- 20:48Belo Horizonte e a ABEDesign
- 23:39Excelência, ousadia e impacto
- 26:12O que o design ensinou sobre o mundo e as pessoas
- 29:13O poder do design
- 32:23O nome na fachada depois de 20 anos
- 34:03A falta da experiência física
- 39:44Tempo, presença e o pai
- 42:50Quatro dias de trabalho, todos presenciais
- 43:48Design nos conselhos de empresas
- 48:41Existe um design brasileiro?
- 52:55Marca é diferença
- 55:03Saber a hora em que é só até ali
- 58:13A história do BDA
- 1:04:28Inteligência artificial
- 1:06:38Conselhos para os jovens designers
- 1:12:39Propósito e o gosto pelo medo
Transcrição completagerada a partir da legenda automática do YouTube, com revisão de nomes
Olá, olá, olá. Bem-vindos ao Trocando a Lente, um podcast cujos temas são empreendedorismo, design, negócios, marcas e um monte de outros assuntos. E onde a gente busca difundir a importância e a relevância do modelo de pensamento sistêmico do design e o quanto isso é importante pro futuro das organizações e dos negócios. Meu nome é Gian Franco Rocchiccioli. Eu sou sócio e head da Pande, uma das principais consultorias de branding da América Latina, host desse podcast, junto com a minha cohost Gisela. Gisela, dá um oi pra galera aí.Oi, pessoal. Tô aqui nesse convite de cohost e hoje nós vamos ter uma conversa incrível com a uma das mentes mais criativas do Brasil.
Eu vou traduzir a mensagem que eu mandei para ele ontem dizendo: "Estou extremamente ansioso por esse papo". Então, aqui conosco, G, Gustavo Greco. Gustavo, obrigado por ter vindo.Eu que agradeço. Super feliz de estar aqui com pessoas que eu gosto tanto que acompanharam minha história aí desde o início, né? Fiquei pensando muito nisso ontem antes devir para cá.Ém, eu fiquei ansioso, mas ansioso nãonão cabe muito entre a gente, né, gente? que vai ser um papo ótimo.Exatamente. E para não tomar bronca do Gabriel, por favor, conta, curta, compartilhe, comenta e se inscreve no canal e aciona. Eu tenho, eu eu tô assistindo o podcast, eu falo: "Assine o sininho das notificações." Minhas filhas falam: "Pai, como você é velho?"Assine o sininho,acione o sininho das notificações. Coisa de velho tentando fazer coisas na internet, né? Então, bora lá, Gustavo. obrigado, como eu tava dizendo, né? obrigado por ter aceitado o convite, como você falou. espero que esse seja um papo delicioso entre amigos, né? Porque mais do queadmirar um um trabalho do outro, Gisela, você a gente também é tem uma história longa aí de convivência, né? É recíproco, você sabe,vários desafios em conjunto. Gustavo, eu queria começar com uma pergunta sobre a tua vida, mas em vez de pedir para te contar, para você contar a tua história, eu queria perguntar quem é o Gustavo Greco, pessoa física?
Olha, esse tá sendo meu tema de análise.É uma vida, né?Porque a gente investi tanto na carreira. Isso foi muito louco você ter feito essa pergunta hoje. A gente principalmente eu, né? você sabe da minha história, o tanto que eu trabalho, tanto que eu gosto do que eu faço. E a pergunta que eu tenho tentado me fazer na análise, faço análise também há muitos anos, não ganhei alta. Isso deve ter um motivo até pro título do podcast. Será que uma ambiente criativa não ganha alta da análise? Mas essa é a minha grande questão, assim, como que eu me apresentaria aqui para vocês? Parece que a gente falou disso, né? E a gente não falou,não falousem falar do meu trabalho. Esse tá sendo o meu exercício atual, assim, isso.Mas eu tenho que dar resposta para não ficar evasivo. Vocês sabem que eu não faço isso. Eu acho que eu sou uma um incansável. a gente lançou agora o manifesto da Greco e GRECO a Greco e o Greco acabam se confundindo, mas são coisas diferentes. Mas tem palavras que a gente usou ali que me definem também assim, a gente termina o o não sei se vocês chegaram a ver o vídeo, ficou bem legal até, a gente termina falando, somos complexos, incansáveis e inconformados. Acho que isso também me me define bem assim.
Ser humanocomplexo, incansado, inconformado.Conformado. Boa. E como é que você se construiu o designer? Eu sei que você nãonão começou por aí, né? Não escolheu essa profissão como a primeira profissão. Como é que foi esse esse trabalho direito e publicidade ao mesmo tempo, fiz os dois cursos. Achei que eu seria um advogado criminalista.nossa,temminha OAB em direito penal é real. pago até hoje, brinco que é meu seguro desemprego. isso aí, né? A gente nunca sabe. eu adorei ter feito direito. Não me arrependo. Faria de novo. Acho que formações diferentes constróem aqui.Deixa eu te fazer uma pergunta disso. O que que você acha que do que você aprende do repertório? Porque a gente chama trocando a lente por isso, né?
Você tem uma lente, eu tenho a minha. E a nossa lente é construída a partir dos repertórios da nossa vida. O que que você acha que você traz pro mundo do design que veio do direito?Direi? Acho que eu tenho uma capacidade de construção de um raciocínio. Acho que eu aprendi isso muito no direito. A fala também algo que eu exercitei bastante. Profunda,emersão profunda. Um escrever é uma coisa que eu adoro também. curso, você escreve muito livro, Gustavo.Pois é, essa é outra coisa que a gente pode falar disso. Tenho trava com isso. Consigo colocar tudo que eu quero no mundo, menos um livro da Greco. Isso temisso deve ter um porquê, né?e minha mãe fala que é o dia que eu acho que eu vou colocar o dia que a Greco vai acabar. Eespero que ela esteja totalmente errada. Espero que a Greco nunca.É, a gente já falou disso. A gente pode falar de fim também. Hoje eu tô numa fase muito analítica, assim, acho que tá um bom momento pra gente bater um papo para além do design.
Eu penso tipo no quando que a Greco acaba, não sentido dee por que acabadesse desse modelo, assim, por isso, por ser um um incansável inconformado e e complexo.e eu quero que a Greco seja sempre algo com esse frescor que a gente tem. Eu acho que vocês também concordam com isso.É, então eu imagino que esse é o momento assim quando eu começar a me repetir demais ou ou ah não conseguir levar pro mundo essa essa novidade, né, que é cansativo também.nossa, é muito cansativo se manter eu não vou querer mais assim, eu quero ter essa vontade de, sabe, de fazer diferente, de não seguir o padrão, de não seguir tendência, de não seguirÉ legal isso que você tá falando. Eu tinha até preparado uma pergunta justamente sobre tendência, né? E tá lá para baixo, mas eu vou fazer agora.
Como é que você faz, como é que você enfrenta o desafio de olhar para uma tendência sem mimetizar a tendência?Pois é. a palavra tendência para mim, ela tem um um lado muito bom e um muito ruim. O bom para mim é quando a gente entende essa palavra como uma pesquisa de comportamento, né? A gente trabalha para pessoas, com pessoas. Então, entender as tendências sociais, políticas, comportamentais das pessoas, essa palavra para mim é perfeita. Fundamentalé contexto, né? Ligação com contexto.Quando me falam que a cor do ano é azul e vai ser azul esse ano, olha que incrível.É. Aí eu brinquei ontem, mandaram no grupo a cor do ano vai ser azul índico, que é a nossa cor. Falei pra gente já é há 20 anos. aí eu não concordo porque eu acho que cada problema de design é uma resposta para o problema de design e não por o que o mundo tá dizendo queporque provavelmente para um determinado projeto a cor certa é vermelha, não é azul, né? Então, nesse sentido, eu sou totalmente contra, luto contra dentro do escritório, assim, a gente tem essa conversa frequentemente, tipo, a gente vê muito, né, tá na moda, uma tipografia de alto contraste, todo mundo faz marca com esse tipo de letra..
A gente não vai fazer marca com esse tipo de letra. Essa é a ideia, assim, a não ser que aquilo seja coerente como problema de design pro qual a gente tá fazendo um projeto. Então, é, é isso, assim,é, você tem uma frase que eu gosto muito, você sempre diz, diz: "A solução do problema está no problema."Problema. É,eu gosto dela porque eu tenho uma visão muito parecida com essa, mas eu falo ela de um outro jeito, né? que é eu costumo dizer que as pessoas não encontram soluções porque elas vão em busca de uma solução ao invés de olhar em busca de uma pergunta,né?Porque é mais ou menos a mesma perspectiva. Quando você faz uma pergunta,coisa,aquilo que em tese quando você tá em busca de uma solução é uma barreira paraa solução, na verdade ele é alimento para pergunta, porque quando você encontra uma barreira, você fala: "Opa, eu tenho pergunta nova para fazer", né?
E eu acho que as soluções nascem desse processo. Na hora que você chega na pergunta certa, a solução emerge, né? Por isso que eu gosto muito da sua forma de traduzir isso e de uma investigação. O o quando fala muito, né, pensar fora da caixa, eu acho que o pensar dentro, se a gente imagina o problema como essa caixa, o pensar dentro da caixa é muito importante também. O que que tem ali dentro, né? Que resposta que aquilo me dá? a tipografia tá ala,é sobre a caixa, não é por fora da caixa. E esse olhar que a gente tende a fazer, né? O que que as pessoas estão fazendo para tentar, ah, isso é muito legal, vou tentar fazer igual. Aquilo é resposta para um outro problema de design, não é pro seu, né? Então, exato.É, sou e como é que você faz para fugir disso, né, dentro do teu processo criativo, né? Porque é muito natural quando você começa a observar a tendência, você ser sugado por ela e entender que aquele contexto, eu preciso conversar com contexto, quais foram as soluções. É muito natural e eu acho, eu chamo isso de falta de criatividade, né?
Porque quando você cola na solução já dada, você tá deixando, você tá abandonando a criação, né? Como é que você faz?É, pro meu exercício próprio, eu não sigo nenhum perfil, site de tendência de design. É, é uma maneira de eu não me contaminar com isso. Participo de muitos jures no Brasil e fora. Então, acho que esse é o momento que eu me permito ver o que tá sendo feito por aí, assim,para exatamente evitar, porque a nossa mente, já que esse é o tema, mistura exatamente o repertório que a gente tem com a nossa imaginação e cria novas ideias. Se você fica contaminando esse banco de dadoscom o que tá sendo moda, acaba que você vai, mesmo que inconscientemente usa aquilo, não, e usa aquilo em algum momento, né? Então eu tento evitar ao máximo.
Então eu queria emendar uma uma um uma pergunta em em envolvendo isso, que é tem essa coisa de você ser muito carismático, muito inspirador e ter muito o domínio de do que você pensa, do que você faz? E aí acaba virando que tudo é o Gustavo, né? E e agrego.Só o problema dos talentosos. É exato. Mas eu sei que você tem um trabalho de equipe incrível, incrível. Então eu queria que você falasse um pouco isso, a gente falando de processo criativo e óbvio que fal parece que só o Gustavo Mas então, mas eu sei que você tem um trabalho incrível. Eu eu tenho talvez uma das minhas maiores habilidades seja em compor eformar criativose e ter trazer essas pessoas para perto de mim e umas das outras assim que vocês já viveram momentos lána nossa casa profundamente.
E vocês sabem que diferente. A gente tem uma maneira muito peculiar deconviver, trabalhar. Não significa que isso seja só bom..O ruim também é muito peculiar. porque a gente tem uma intimidade muito grande e isso e outro dia teve uma uma discussão lá na Greco, eu sempre falo que quando eu vou falar em podcast, palestra, tem que trazer verdade pra mesa. Lógico.e essa questão da intimidade veio à tona de uma maneira horrível. Falei, gente, não existe só o bom de uma coisa assim. Se a gente escolheu que é assim que a gente vai se relacionar, a gente tem que saber lidar com o ruim que isso vai vir. Porque ser formal quando convéme muito próximo quando é só bom, não tem jeito assim, né? Entãotem essa característica. e eu falo, eu divido todos os créditos de tudo que eu conquistei até hoje com pessoas que estão comigo há muito tempo.
Isso é uma outra característica também. O feto tá 18 anos lá, né? Tava falando prêmio.18 anos. muito tempo e e e é muito legal. Eu tenho falar para eles é ali, né? Sou grato a todo mundo que tá comigo e acredita no que a gente construiu juntos. Eu brinco que eu sou o cantor da banda e eu vou aparecer mais normal, mas que eu não faço show sem meu guitarrista, minha baterista, meu tecladista. Nós somos realmente um timee não é papo de microfone assim,não. Então, por isso que eu e como você trabalha, além de entender essa junção de um time, a força e tal, a criatividade, né? Porque a Greco é muito, os trabalhos são muito criativos, tal. E obviamente fica ai, não. Então, Gustavo é, mas como você expande essa esse, né, essa criatividade ou estimula essa criatividade no time, né?
Hoje eu eu tava pensando hoje antes de vir para cá, uma coisa que eu gostaria de falar, porque eu acho que esse espaço a gente tem que se vocês brincaram ali que eu me preparo para tudo que eu vou fazer, né? Realmente era um espaço importante que eu admiro, eu queria pensar o que que eu queria falar assim, acho que um momento bem especial assim, né? Eu fiz 50 anos, a Greco fez 20. É muito cabalístico isso, né? assim, um número redondo sempre faz a gente refletir. E eu lutei muito para conquistar um espaço assim e eu tenho consciência disso. e por não estar em São Paulo, a gente já falou muito disso. Isso é um fato, isso não é ah, não existe isso mais, existe isso sim. E durante muito tempo eu eu lutei muito por isso. Agora eu tenho tentado me prestar atenção em mim para eu agora dar espaço para outras pessoas assim.
e isso é muito legal. É mais legal do que conquistar o seu.é mais poderoso, inclusive, sabe? quem pode fazer isso,até arrepiei aqui agora.é incrível fazer isso.É incrível. Tipo assim, e eu e eu eu falo, eu eu tenho muita oportunidade, gente, toda semana, todo dia, exagero, mas toda semana eu recebo um convite muito legal para fazer alguma coisa. então eu eu tenho que ter a consciência de que primeiro isso um lugar de privilégio assim, né? e segundo que que eu dei espaço agora para as pessoas que estão ali comigo poderem fazer, poderem brilhar, poderem ter o nome delas, nesse lugar, porque eu tenho que tomar esse cuidado, senão é isso que você falou,vira o Gustavo. E não é o Gustavo, somos 25 pessoas,imagina. É legal você falar disso, porque assim, na minha experiência, eu já tivesurpresas ruins de boas intenções. O que que eu quero dizer com isso? quem tem a característica empreendedora que nós temos tem uma característica boa que é me entrega um problema que eu vou lá e vou resolver ele, né? Então você tem uma disposição por resolver problema. E o ser criativo, nem todos eles gostam de estar à frente isso, dos desafios, né? Eles gostam muito de ter espaço, mas um espaço preservado, às vezes com receio. E no passado eu tive um sócio que tinha essa característica.
Ele gostava mais de ficar no processo criativo do que ir lá pra frente do cliente. E durante muito tempo eu achei que eu tava fazendo a melhor coisa do mundo, protegendo ele. Então eu falava: "Tudo bem, você não precisa ir, você não precisa se expor, não precisa se sentir nervoso de ter que defender um caminho criativo, eu faço isso por você". E depois de muito tempo eu percebi que eu travei o crescimento dele com uma boa intenção, uma intenção de ajudar, eu acabei travando o crescimento dele, porque quando você ocupa o espaço de alguém que precisa ser dele, você acaba tirando dele o exercício de se desafiar, né? Então deve acontecer a mesma coisa com essas pessoas que você tá dando espaço, né? PorqueMas é o espaço com suporte, né? né? Preservar e abrir espaço. É uma frase até do Ítalo Calvino, Cidades Invisíveis, quando ele descreve o inferno, não vou saber de cor, mas que ele fala que o inferno se existe é o que a gente vive aqui. E é, é essa convivência cotidiana que a gente tem que tentar entender o que no inferno não é inferno.
.Preservar e abrir espaço. Essas duas palavras, eu tenho certeza delas. Então, assim, é isso, tipo, e é um exercício para mim. Eu sou controlador, sou centralizador,já tenho consciência disso.É meu lado ruim. E outro dia eu li uma coisa muito legal também, que seus defeitos te fazem interessante.não é só, não só as qualidades, porque senão seria uma coisa meio intediante.. Então assim, é saber lidar com isso. e é um exercício muito grande para mim falar, Gian, faz, eu não vou nem olhar. É assim,ali por dentro eu tô assim, meu Deus, meu Deus, como é que eu não olho, né?Mas eu acho que isso faz parte de um processo de amadurecimento da gente, assim,eu cheguei, é muito legal. E quando de f você sente isso, então todo mundo brinca, por que que você não tá fazendo mais palestra? Por que que você não tá, você deu uma recuada? Eu falei assim porque agora eu tô muito aim de escutarisso.
Eu quero olhar outras coisas, ver outras pessoas, eu não quero mais falar tanto, eu quero ouvir, eu quero. Então assim, né, não passa um pouco desse tempo,a fase da prova, né? Acho que a gente passa muito por is tem que provar, eu tenho que eu ten que se provar o tempo todo, né? E se acreditar o momento vira mais assim,é, mas eu acho que faz parte desse processo de amadurecimento sobre vocêcomo pessoa, né? entender que você conseguiu resolver e que vai e que vai o Gustavo tava falando que a gente tava conversando al quero saber isso que perguntou. Vocês vão contar os bastidornão vou contar porque assim a gente tava conversando ali atrás, né, falando várias coisas, né, como quando a gente se encontra é sempre assim. E aí eu tava definindo o Gustavo. Gustavo é um trator de pantufas, né? Ele passa por cima com muita delicadeza e até um sentimento de abraço, mas ele não deixa de avançar, né? O quenão passo por cima. Só hora que eu passo pelo lá.
Não é, não é, não é um passar por, é isso que, por isso que eu usei a pantufa para definir, né? Porque não é um passar por cima no sentido deatropelar, né?Atropelar as pessoas, né? Se precisar parar, inclusive para, né?Mas é uma você disse, o Gustavo é imparável. É imparável, né? Eu sei o que eu quero, eu vou eu vou atrás do que eu quero. Com o cuidado de perceber que às vezes tem alguém na minha frente, que eu preciso fazer um desvioe se for por cima é com pantufa. para não machucar. É, sem machucar.Mas é isso, assim, eu sou determinado mesmo. Acho que é uma característica mas com esse cuidado, assim, acho que eu construí muitas relações na profissão e isso é um é um aval, né, de que as relações foram bem construídas, né, que não teve essanão. Eu e tem até uma um caso, vou contar, como você disse, vamos aqui para contar tudo para todo mundo, né? houve um tempo que eu era vice-presidente da ABEDesign, o André presidente e o Gustavodiretor,querendo, né, um espaço ali, diretor da da ABEDesign. E a gente e eu tava num momento que o Giovanni, né, uma vez a gente foi almoçar, o Giovanni falou: "Putz, eu vou sair da diretoria". Eu falei: "Que que é isso, Giovani? Como é que você vai sair da diretoria?"Aí ele falou, eu cheguei à conclusão e para mim foi muito boa essa essa fala dele. Ele falou: "Cheguei à conclusão que a gente precisa abrir espaço, que é o que você acabou de falar." É isso,porque a gente tá aqui tampando o espaço dos outros, né?
E aquilo ficou na minha cabeça, né? Então essa era uma parte do meu pensamento naquele momento. Falei: "É verdade, nós estamos aqui há 10 anos, né? a gente tá ocupando o espaço de outras pessoas. Se a gente não der espaço, com a nossa característica, essas pessoas não vão ter espaço." E aí tivemos um almoço, o Gustavo vem para mim e pergunta assim: "Quando é que você vai ser presidente? Quanto tempo você vai ficarfazendo meu plano?"Eu falei: "Mas que foi, Gustavo?" falou: "Não, porque se você ficar 4 anos, eu vou demorar 4 anos para a certeza eu ti".E aquele momento foi uma conversa interessante. O André, a gente fez um podcast aqui até hoje ele acha que eu abandonei ele no no meio do bar. Eu falei, André, eu te entreguei, te entreguei o Gustavo Greco muito melhor que eu, porque no fundo, você me fez pensar naquele momento, eu tava num momento de vida que eu precisava me concentrar mais na minha atividade, junto a isso com o que o Giovanni tinha me falado, com a tua disposição, porque eu vi no teu olho, falou assim, não, eu vou ter que esperar.
Era importante, né? Né, Gian? E hoje eu entendo que muita coisa que rolou comigo ao acaso acabou virando uma responsabilidade. Assim, acho que enquanto uma pessoa que vive em Belo Horizonte e decidiu viver ali, né, porque eu poderia ter me mudado facilmente para qualquer lugar do mundo, né, para trabalhar em qualquer lugar do mundo. E isso é uma responsabilidade muito grande. E com isso eu eu tenho essa obsessão, vou usar essa palavra meio pesada, mas de provar que pessoas de Belo Horizonte podem ocupar espaços que nunca foram ocupados por uma pessoa de Belo Horizonte. Assim, isso já é uma prova disso.É, e isso é uma bandeira que eu comecei a carregar, tanto a discussão que a gente tinha tanto de um tema diretoria regional, quando a gente fala de regionalizar alguma coisa, a gente tá tirando aquilo do principal. Então, exato.
O que não é São Paulo e Rio é regional. E eu brigava, falava: "Não pode ser diretoria regional, é diretor como outro qualquer, né?"Aí eu falei: "Ah, então vou ser presidente aí pra gente um lugar melhor, né?"E não foi a minha primeira e essa não foi a minha primeira experiência com o Gustavo. A minha primeira experiência com o Gustavo, que eu acho que eu foi logo que eu te conheci, eu fazendo a Brasil Design Week em 2011, se não me engano, ou 10, não me lembro qual delas foi,foio Gustavo me procurou, né? Eu disse: "Eu queria, acho que você não tava com stand lá dentro, falou: "Eu queria um espaço na ABEDesign".Isso. Foi.Falei para ele com a nossa filosofia, tudo que a gente quer é gente querendo espaço, é gente entrando.Vem, venha junto conosco.A gente quer isso até hoje, né?E o mundo é dos que pedem, gente. Isso é uma coisa que eu aprendicom a educação, sem passar por cima de ninguém. ninguém é obrigado a saber o que que você quer.
Você tem que me contar e eu vou te falar em que que eu possosem pressa e sem pausa também, né? Exatamente. Assim, você quer, eu quero não ter vergonha de falar o que eu quero. Acho que isso é uma característica minha, assim, não tenho vergonha de falar o que eu quero.E e e falando nisso, a gente tá foi entrevistado aqui e hoje a gente vai junto, né, para um para um,né, para umprolançamento,lançamento do livro de uma pessoa que a palavra legado faz muito sentido, né? O Lincoln, de fato, eu tive essa sorte de trabalhar 9 anos com Lincoln Seragini. E e aí essa coisa do livre ver a reação e vê, sabe assim, a sensação de entender de fato que é um legado, porque o Lincoln tem um legado.Então, como você o que que você acha que você tá construindo, porque eu acho que ainda tá nesse processo, né? Mas eu já vejo coisas em você que eu falo: "Nossa, isso é tão Gustavo Greco, isso é tão de identidade e tal". O o qual que em que lugar você acha? Que tipo de legado que você pensa?
Sim. eu acho que a gente tem essa característica dea gente definiu isso, falar de vocês aqui um pouco porque é importante, me preparei para isso também. vocês foram pessoas muito importantes na construção disso tudo. Vocês sabem disso e eu tenho boa memória também. Além de tudo, eu detesto gente que esquece das coisas.E muito gentil, né? É, não, mas sério, tanto agi quanto você abriram espaço para mim, muitas coisas e apostavam, eu sentia que tinha uma torcida ali, é tipo, vamos dar esse espaço para ver o que que ele vai fazer. Isso rolou,não, eu tô aqui, né? Tô, tô falando aqui um outro espaço, né? Gian foi fundamental lá no início da GRECO, a gente chamou ele para fazer um planejamento, passou um dia, dois dias com a gente, né? E a gente usa muito daquilo, até hoje queria te falar isso aqui publicamente, a maneira de pensar o ano da GRECO, a gente faz todos os anos uma reunião prévia e de apresentação de planejamento que veio de você e a gente definiu palavras ali para responder sua pergunta que era excelência, ousadia e impacto. Então, assim, tudo que eu que eu penso em deixar pro mundo, né, e passa por isso, assim, soluções que aliem essa excelência, né, tipo essa preocupação que a gente tem na formalidade da da coisa, né, assim, da técnica, do fundamento, de todas as respostas, e com um lastro para aquele projeto, ousadia, porque a gente não gosta de repetir o que já foi feito ou o que a a gente foi feito que acho que pior do que repetir o outro é repetir a si mesmo e impacto que causa o impacto financeiro que o cliente
Deseja que e principalmente agora uma coisa que a gente tem se envolvido cada vez mais é no impacto social e político do design, né? Assim, o que que a gente faz na construção de um entorno melhor sem entregar e entendendo o político como da poli, né?Exato. Exato. É essa a palavra. somos seres políticos porque convivemos em sociedade, né?o ooe sem também dar ao design a incumbência de salvar o mundo, porque eu também sou contra design,o designer superherói não existe, né, gente?Não é a última cocada,não, né? Tipo, é,é uma parte,voltando lá no no início da construção do Gustavo Greco, que o design te ensinou sobre o mundo e sobre as pessoas?
Bom, o que, o que que eu aprendi? Eu eu tive muita chance, vou voltar nesse assunto. Ah, a gente teve uma palestra que chamava Chance, lembro lá atrás,de conhecer muita gente. o design me levou pro mundo, literalmente, literalmente. oportunidade de conhecer lugares que eu nunca tinha ido de conviver com pessoas, né? Porque quando você tá num júri, por exemplo, você senta do lado do cara ou da mulher que você mais admira no design, de igual para igual ali naquele momento, pelo menos você tá finge fingindo que tá na mesma cadeia,fazendo o cara. Não, você tá, imagina, né? Tipo, eu lembro que a primeira vez que um cara da Wolff Olins foi meu primeiro jurri fora, foi em cana comecei assim, né? o cara da Wolff Olins perguntou: "O que que você acha?" Eu falei: "Eu eu não acho nada.
De tão tenso que aquilo tava para mim, né? É, hoje eu consigo colocar uma banca maior,mas primeira vez, né? Aquilo para mim, eu lembro que eu físico tal, gente, não tô, não é metáfora, eu tive dor de barriga cinco dias antes seguidos. e mas então, o design me ensinou a a entender e sobre pessoas a escutar assim, acho que não existe design sem escuta, não existe porque não é para mim, é para você sempre, é pro outro. Você tá fazendo sempre pro outro. então, sem escuta você vai fazer para si mesmo. E aí eu acho que não é legal quando a gente falando de um trabalho autoral, né, obviamente. Mase sobre o mundo, o que que você acha que a lente do design como é que você navega, é como é que você navega pelo mundo? Ah, eu eu comecei a ver a complexidade das coisas. Acho que isso é muito legal. Isso. O design complexo, né? é um sistema de pensamento complexo. Então, eu acho que ver o mundo sobre essa ótica é muito legal. Além do que todos nós fazemos, né, gente? A gente pega em tudo, cheira, tipo, viajar é muito surreal. Uma vez já falaram comigo assim: "É muito estranho viajar com quem trabalha com criação.
Vocês estão sempre pegando num negócio, esperando um papel e olhando uma coisa de um jeito que não. Como assim você olhou para isso desse jeito, né? Quetem isso, né? num jantar em Buenos Aires, num restaurante que eu fui convidado para conhecer e e tinha uma parede feita de era tipo um tijolo de couro. Quando eu dei por minha, eu já tava cheir cheirando na parede e todo mundo da mesa olhando assim para mim que ninguém nem sabia o que que eu fazia, né? Tipo assim, que que tá acontecendo? O cara tem toque, tem algum problema psicológico, né? A gente tá falando que o design tem um certo poder. Você não diz que é um não é um super poder ou poder absoluto, mas tem um certo poder.Foi. Eu falo muito, né? Poder do design foi quando como eu abri a Bienal quando eu fui curador, né?
Ah, e que poder é esse?Eu acho que é um poder de entender esses discursos e materializar e essas histórias das pessoas, das marcas, dos lugares, né? Marca de lugar, super legal de fazer. e de mesmo quando silencioso fazer o dia a dia da gente melhor. acho que esse é um papel que a gente tem que estar sempre atento assim, precisa daquilo, né? A gente precisa porque é uma pergunta muito complexa em um mundo cheio de visualidade, né? A gente precisa colocar mais uma imagem no mundo. Então, a gente já que vai colocar, vamos ser responsáveis com isso.E como é que você acha que o design ele ajuda as empresas a pensar melhor? né? Eu acho que se a gente para para pensar na própria evolução do termo na história, né, a gente passa ali o design clássico muito ligado à formalidade das coisas, né, como que aquilo é, como que aquilo é executado, como que aquilo vira matéria.
E em seguida a gente tem um momento em que o o design think, o pensamento do designer é estudado e entendido de uma certa maneira. Todos nós resolvemos problemas complexos passando por umaetapas similares,né? Então,eu acho que as empresas começaram a entender que isso é inteligente, interessantee estratégico.Estratégico. E começaram a levar isso para dentro para resultado.Resultado. Mas dá resultado.E design é resultado, né?É resultadoassim. a gente faz muita gente ficar muito rica. É, eu costumo dizer que eu tenho muito cliente que comprou helicóptero e avião, né?É isso.Mas então assim, nessa trajetória, o design foi se tornando ao longo do tempo cada vez mais um instrumento estratégico, né? Ele foi mergulhando dentro das discussões de negócio com uma com uma perspectiva completamente diferente.
como é que você acha quena tua cabeça, né, em que momento deu essa virada de chave? falou: "Opa, pera aí, porque eu acho que você, como todo designer, começa no gráfico, exercitando seu talento apenas gráfico, etc." Aí você vai apurando a tua sensibilidade para entender os efeitos da vida.Eu eu costumo dizer quetoda hora eu me faço, eu tento me jogar para baixo, eu falo assim: "Isso que você faz tem alguma importância mesmo? Será que mudar a identidade de uma empresa vai mudar a vida? É só uma coisa externa" e vai, né? Então, num primeiro momento que eu me faço pergunta, me dá uma me dá uma baixa, aí eu começo a pensar e falo: "Não, pera aí, eu já vi isso acontecendo milhões de vezes." Então, quando é que foi essa virada de chave para você? Assim, você consegue, você tem consciência?Você tem uma consciência de quando? Ah, não sei, acho que não, Gian. Acho que foi um processo mesmo, assim, foie é legal porque à medida que a gente vai amadurecendo na própria empresa, o nosso lugar ali também vai mudando muito, né? Embora eu seja um cara que faço muito questão de tá muito perto das soluções, dos testes, os dos dos, adoro essa parte e me forço a não, porque senão a gente perde, fica só olhando planilha, né? Isso é um risco.
É.e mas não é uma empresa que leva o meu nome e isso muda muito, né? eu tenho que tá ali, tenho que saber o que que tá rolando ali. E, e eu gosto, eu gosto dessa parte. Ontem a gente tava pela primeira vez muito louco em 20 anos, a gente colocou a palavra GRECO na fachada da casa.Ah, é.Nunca tinha. E a gente ontem, caiu na real,que foi a primeira vez em 20 anos. É simbólico, né? Você demorar 20 anos parase assumir na rua, sabe? Tipo assim, é um é o design é muito simbólico assim.É. E foi emocionante. Aí todo mundo, porque a gente brinca que a gente é suricato, sabe aquele bispo que um levanta, levanta aí, levanta todos lá na GRECO. É assim, aí sempre alguém tira a foto, tira a foto do momento suricato e manda no grupo suricato. É uma coisa que a gente sempre faz. Delícia.
e aí todo mundo parou para ver a fixação do parafuso. É. E a se a baseline tava alinhada com o muro. Foi muito legal assim. E ótim chegou lá.Ótimo a gente parar para fazer isso.Acho ótimoainda parar para fazer isso, sabe?E é, eu queria uma pergunta assim, aproveitando isso, porque Gustavo, você é uma referência muito forte pro pessoal jovem, assim, eles ficou feliz com é muito forte. Toda vez que a gente bota você em contato com não só estudante, mas a galera mais jovem mesmo, sempre é uma alegria, uma referência. Eles saem muito inspirados, né? Sempre muito bota em outro patamar aqui.
É, e eu recebo muito esse retorno. É muito legal.Então, o que que você tem, que que é esse mundo hoje? A gente falando, né, desse design que é estratégico e esse entendimento e tal, o que que você acha que eles precisam não só estudantes, tá? Tô falando dos jovens designers que tão aí construindo suas agências, seus escritórios. O que, quais seriam as principais observações pensando no dia de hoje, o design hoje, né?É, eu acho que a gente tem hoje uma questão muito complexa, que é a falta da experiência física..A gente acha que a gente experimenta tudoonline e tem coisa que não é online.. eu dei uma palestra outro dia, eu falei o mundo, como que eu falei na palestra? O mundo físico e o mundo, não, o mundo digital e o mundo real. Minha irmã é psicanalista, chama Helena.
Ela é doutora em em em tem doutorado em psicanálise. E ela me ligou, falou: "Eu amei a palestra, mas você falou uma coisa muito errada. o digital é real. Eu falei o físico, eu falei o digital e o real. O digital é real. Então assim, é uma realidade, né? Eu amo essação. Masque que é real?É o que que é real. A gente pode fazer três podcasts sobre isso, mas a experiência das coisas, tipo, a gente sabe o tamanho, o corte, a o o a fibra do papel, a a gente foi formado desse jeito, o teste da cor. outro dia me ligaram com o problema de um uma produção que a gente tá fazendo aqui, de um dourado que tava ficando amarelo, e eu falei, tem que colocar vermelho. Aquela aquela resposta pra pessoa que me ligou suou muito estranho,não fazia o menor sentido,mas e era isso que tinha que ser feito, porque a gente testou, a gente cortou dedo na no estilete, a gente, né, a gente testou papel e tanto que tem uma oficina na Greco até hoje que a gentefaz questão de fazer teste protótipo lá.
Ol cortou o dedo anteontem, fazendo isso e,a gente, então, eu acho que falta um pouco isso assim, como que a abandonar a tela é muito importante, gente. Eu sou zero contra o digital, acho que a tecnologia é fundamental, mudou a nossa vida para pior eem muita coisa também, masé importante sair daquilo um pouco. Eu fui dar uma palestra na no evento da Ana Couto, no Rio e eu foi no Museu do Amanhã..E tinha uma frase na parede que eu achei sensacional: "Sai da tela e vai pro mar". Ali eles têm mar, né?.Tão mais legal às vezes ir pro mar mesmo, não é? Assim, e eu acho que é isso, assim, a dica é, não tem que abrir mão de uma, não é uma coisa ou outra.
Com o tempo também eu tô cada vez mais querendo ser e também e não, eu não tenho que me definir sendo aquilo ou aquilo, posso ser também. É isso.e eu acho que falta isso assim, tipo essa experimentar as coisas com sentidos mesmo, assim, como que isso toca na E aí a gente volta eu cheirando a parede, né, assim.Então, mas eu queria pegar, você trouxe o digital e era a minha próxima pergunta, você fala muito sobre a materialidade e sobre a importância do físico, do toque, da sensibilidade, porque no fundo a nossa experiência de realidade, ela nascedessa combinação de sentidos, né? vai tudo para tudo vai virar sinal elétrico pro neurônio. Então eles têm uma importância. Como é que você enxerga o papel do design nessa transição pro mundo digital? E aprofunda um pouco mais quais são os riscos, né? você tava andando pro lado social, impacto na nossa vida, mas quais são os riscos riscos pro design, né? Para pros designers que estão em formação, porque eu tenho uma grande preocupação, né?
Eles quanto menos experiência eles têm com essa materialidade, com a intencionalidade, né, do toque e o papel daquilo na experiência, como é que você enxerga, quais são os riscos disso na formação? Eu acho que tem um risco, um risco, um risco da superficialidade,porque a gente sabe hoje facilmente você consegue se convencer de que você sabe muito de um monte de assunto, porque aquilo tá muito disponível, muito rápido, muito resumido e no fundovocê não sabe nada de nada.Sabe nada de porque a gente no fundo não sabe nada de nada, né?mesmo sabendo muito, a gente não sabe nada. então acho que essa questão da superficialidade, acho que isso de não experimentar as coisas é muito bom a sensação física, né? eu não sou um estudioso dessa questão digital porque me foco muito aindana materialidade, né? e diz que até menos sexo, tá? Tá, os jovens estão fazendo, né? Eu acho que passa muito por isso assim deda do do físico, né? E o físico é muito bom, né? Muitoimportante. Então acho que dois pontos. Acho que é essa superficialidade em nesse nessa era que a gente tá vivendo. Acho que uma perda de tempo, porque é bizarro, né, gente? Eu eu nado três vezes por semana. Às vezes 40 minutos de natação demoram a passar porque às vezes tá cheio de coisa. 40 minutos na tela é em um piscar de óleo você perdeu40 minutos vendo nadanão e você não temé ou um monte de coisa que você não fixou nada, né?
Exatamente. Então assim,acho que essa questão do tempo é uma coisa que eu sou muito ligado ao tempo.mas o tempo de Einstein é o tempo de B,o o tempo da o tempo das coisas mesmo assim, quanto tempo aquilo vai me tomar, quanto tempo eu consigo fazer aquilo? Eu gosto de jogar com o tempo assim, conseguir fazer, sabe? E e a gente perde muito tempo com um tempo que depois vai nos fazer muita falta, né?Exato.Perdi meu pai, meu padraço em sequência. E aí a gente pensa o o quão esse tempo de convivência é fundamental assim. E o o fazendo aqui uma o quão eu ter nos últimos meses do meu pai, eu sabia que a gente ia entrar em legal uma coisa muito íntimas, ter convivido com ele em todos os tempos que ele me pediu, combinei com a Greco, falei: "Ó, nesses três meses agora, eu três meses eu não sabia porque durou três meses. esses próximos meses agora eu, a única coisa que ele vai me ligar, falar: "Eu quero ir ao banco, eu vou largar tudo que eu tô fazendo, vou lá com ele e volto, vou ficar emocionado e volto para fazer o que a gente tem que fazer e não vou dar satisfação aqui." falei para, chamei todo mundo, falei:"A melhor decisão que você tomou namelhor decisão. Eu tenho zero culpa de qualquer coisa assim.
E e as memórias de dele me pedindo para ir ao banco ele fazer um saque de 260. ele não precisava de mim ali, ele queria minha companhia assim. Ebom, eu já me arrepio todo. Então,então com perder o tempo,não perder esse contato com isso, né? Porque senão fica na tela. perde isso. É assim, tem gente que tá dentro da casa e se comunica com o pai, com a mãe, não desce para falar. Ontem, é tão importante, só um exemplo, eu tava querendo resolver um problema lá na SPM e tal e eu mandei uma mensagem e a moça virou para mim e falou assim: "Você tá na escola?" Eu falei: "Tô, eu vou aí". Gente, de verdade,acendeu umNão, eu achei tão Como assim ela? Eu falei, você vem pessoalmente,tipo assim, não vem não. Dá até medo, né?
Não, entendeu? E ela tava dispon ela, ela veio até mim para resolver, mas ela quis, entendeu? Presencialmente, físicamente ela apareceu e vem com loucura. A gente começa a se surpreender com a pessoa encontrare a gente começa a ficar preguiçoso com isso. Concorda? Ah, eu não vou lá.Ah, não precisa ir.Ah, eu ligo, eu mando WhatsApp, eu mando um áudio, né? Outra coisa que eu não faço mandar áudio. Você já deve ter percebido, não mando o áudio. É. Eu mando só quando a pessoa manda para não ser às vezes eu falo: "Não, vou escrever".Mas às vezes eu tenho preguiça de escrever muitopois é, mas tipo assim, um exercício para mim éimportante assim, sabe? E e eu acho que a gente tá vendo esse mundo do e do desespero também, né? E isso tá muito ruim.
Como é que tá o a questão do home office lá para vocês?A gente é zero home office. É, até nisso a gente é fora doA gente tem uma coisa muito legal. A gente agora faz parte de um movimento global que chama Four Day Week, que a gente só trabalha quatro dias na semana..Sexta-feira a gente não trabalha.É mesmo.A gente qu em vez de falar sexto, a gente fala quintou.só para ser diferente, entendeu?E é uma decisão que a gente tomou juntos. E para isso, e por todas as questões que eu falei da experimentação, do tátil, do exercício de protótipo, a gente decidiu é 4 dias 100% presencial.Eu tenho eu tenho receio dessas decisões, porque assim, minha experiência com as tecnologias, né? Surge o e-mail, você fala: "Poxa, o contato ficou mais fácil, surge o WhatsApp, agora a gente vai ter mais tempo para fazer as coisas". Na verdade não, você começou a fazer, vocês não acham WhatsApp desesperador?
Desesperador. Eu acho desesperador todas as tecnologias, porque no fundo elas vão se multiplicando e aí tem gente que hoje que te manda e-mail, WhatsApp. Enão, e você não sabe onde tá a mensagem, você não sabe mais ondemensagem. Mensagem de voz, sinal de fumaça. Fala, gente, qual que eu presto atenção, né? Eu eu agora tô com uma mania de contar quantas conversas eu tive no dia. Tipo 80 conversas, assuntos diferentes.Como que você lida bem com 80 assuntos diferentes ao longo de um dia cheio de outros assuntos, né? Quebom, voltando aqui pro tema do design que, né, a gente já daqui a pouco virou cozinha de casa aqui, né, comercial. não, nada ruim de ser assim, mas só pra gente não perder o foco da das perguntas aqui. eu ouvi você falando sobre a tua transição para mesas aonde você não tava acostumado, que eram são as mesas de negócios, conselhos de administração e etc. Eu também vivo isso bastante com intencionalidade, né? Eu empurrei o design para dentro dessa discussão, no meu caso, né? como é que você vê a disciplina do design contribuindo para esses para esses lugares onde em tese o tema do design é um é um tema muito muito estranho, estético.
Primeiro acho super legal. Toda vez que eu recebo esse convite, acho a pessoa que fez o convite inteligente, porque levar a disciplina design para mês de negócio é uma das decisões mais inteligentes que uma empresa pode fazer. Então assim, não por ser eu, sim por ser alguém representando a nossa profissão,por ser essa mentalidade, sabe?Essa mentalidade, sabe?O que eu me forço, Gian? É, é porque eu já me peguei logo no início de tentar me travestir daquelas pessoas, tipo assim, ah, tô no meu de negócio, então eu tenho quefalar negoci, sei lá se existe esse termo.Não, eu tô ali por não ser aquilo, né? Então, hoje eu me lido assim, eu vou ser eu da maneira que eu penso, do jeito que eu trabalho, porque é isso que precisa levar para ali. Senão eles estavam chamando um auto executivo de um outro lugar.
então eu custei, eu ficava tenso, né? Tem palavras que eu não sei, não sei mesmo. às vezes eles são, ah, eu falar, deixa eles lá falando, daqui a pouco eu vou falar, daqui a pouco eu vou falar de Zês aqui também. Quero ver quem vai entender.Mas tem uma palavra que para mim ela é assim, tem muito esse sentido. Você tá com designers e daí você fala assim: "Então, e quanto foi o Ebitda?"É,dá uma coisa assim primeira vez que eu vi essa palavra, eu falei: "Meu Deus, eu vou,eu acho ela emblemática". Falou: "Que que é Ebitda" da?Aí você fala: "Parecido com Semic é prêmio da onde, né? Esse prêmio é da onde?"É, mas para mim essa palavra é bem, né? Porque ela é tão de negócio, né? É. E aí,então, mas mas tem uma uma questão curiosa, né? Porque não sei se você tem essa sensação, às vezes eu fico com a sensação que eu tô explicando algo que para nós é muito natural, como a gente olha pros problemas.
Sim.E eu vejo a pessoa olhando pra minha cara assim, ela literalmente não tá entendendo um nada, nada. E eu sempre me pergunto, o que faz uma pessoa não entender uma coisa que para mim é tão clara? E a minha resposta para mim é falta repertório. Então, eu sempre me coloco o desafio, né, diferente de você falar: "Não, eu dan senão vou começar a falar o design". eu falo, não, eu preciso entender o lado de lá e eu tenho que fazer a ponte do que eu sei, porque eu tô entrando num ambiente,Claro, claro, claro. É, não,mas assim, mas tem um momento da discussão que ela é técnico financeira, por exemplo, da instituição. Eu não vou eu não vou saber aquilo melhor do que eles. Então, assim, deixa eu entrar na hora que o assuntovier pro meu lado,deixa eu jogar na minha posição ali no campo, né? Porque não dá para chutar e catar gol ao mesmo tempo, né?
Não dá. É, eu acho que ée isso é muito legal e é muito eu adoro, acho muito legal. Eu adoro. agora, tipo, quando eu tenho participado de alguns conselhos e para mim é sempre um dia muito legal..De aprender também, de ouvir e de muito. É, e eu lembro a um pouco também.A G foi convidada uma vez para participar do conselho e ela me ligava, falava assim: "Mas é muito diferente". Por quê? Porque a gente tá acostumado a ser contratado para dar respostas. E sim, você não tá lá para dar respostas. Você tem que ouvir. A coisa que eu mais aprendi é que numa reunião de conselho todo mundo fala muito pouco.E de não levar para casa tudo para fazer depois também é um exercício que a gente leva não, porque a gente, eu já ficava, se eu vou fazer, não tem que fazer nadanão. E a escuta, a escuta, como a gente tá sempre vendendo alguma coisa, a gente fala, fala e aí uma escuta assim, uma coisa, aí vem a palavra.
É, é. E são pessoas e muda tudo aqui.E a palavra é algo que eu também sou apaixonado, assim, o poder da palavra, né? É,é. E você tem,você tem esse talento, né, de costurar bem as palavras,escolher bem as palavras, costurar bem as palavras, colocar as palavras nos lugares certos. muito feliz ser percebido. É algo que eu treino bastante. Vamos, vamos falar dos prêmios,né? Que é um lugar onde você tem uma atuaçãonada de braçada,nada de braçada, internacional,nada de braçada. nos representa muito bem nesse nesses ambientes. você que participa de muitos prêmios, tanto nacionais quanto internacionais, que características você vê do design brasileiro que são relevantes,é, relevantes no sentido de relevo, né, que se destacam as outras culturas. Eu fui chamado para dar uma palestra em Paris paraa Fedrigoni, aquela, para quem não conhece, é uma super empresa de papéis especiais da Itália. Eles têm um prêmio que chama Top Awards. Eles me chamaram pro Júri, fizeram um evento em pares, meses depois do Jurri, me convidaram para falar no evento e pediram para falar sobre design brasileiro.
. E aí eu fiz um recorte da dos projetos que foram destaque da da Bienal, que essa minha da Casa Rex foi a curadora dessa última edição.eeu liguei para ela, falei: "Ah, tô querendo apresentar alguns?" Senão, claro, fica à vontade. Fiz uma seleção da seleção porque eram 100, eu queria levar só 15. Aprovei com ela, obviamente, montei a palestra para mostrar um pouco dessa diversidade e pluralidade da solução de design do Brasil. Mas eu não queria fazer só isso, né? Eu queria estudar um pouco para apresentar alguns números, dados e tal. E aí eu eu cheguei num ponto que foi muito legal, foi muito legal porque eu abri a palestra com a abertura de vale tudo, porque tem um Brasil div Galta cantando super legal, né? Aí já deu aquela,já joga uma energiana plateia que eu também sei parceiro e tipo para falar desse Brasil que é também.
Então assim, eu peguei um um monte de informações de pesquisas que mostra que somos um país de contradições..né? a gente tem pequena parte do Brasil ganhando um monte de dinheiro, grande parte do Brasil ganhandopouco dinheiro,pouquíssimo dinheiro, né? a gente tem a maior parada LGBTQ a a mais do mundo e o país que mais mata essas pessoas do mundo. Então assim, esse país de contradições, o que para mim se torna impossível definir um design brasileiro. e aí também coloquei alguns alguns pontos. O em para que lado é bom e para que lado é ruim. É bom porque a gente tem uma identidade nacional. Quando eu falo design escandinavo, vocês imediatamente pensam em algo.Quando eu falo uma tipografia suíça,então isso é legal se a gente conseguisse definir um design brasileiro. A gente consegue com isso políticas públicas, né? A partir do momento da construção dessa identidade, a gente consegue ter um orgulho daquela produção nacional. O lado bom, o lado ruim, toda vez que a gente define, a gente exclui.
.Isso eu achei muito legal quando eu fiz essa pesquisa. Definir é excluir. Então, se eu falo que o design brasileiro é isso, tudo que não é isso não é design brasileiro.E aí eu começo a excluir uma série de linguagens emergentes que são fundamentais, mas desconhecidas, porque até então não é, e eu digo que não é..eu começo a fazer com que a gente muitas vezes recorra a clichês, né, que só é brasilidade, o que é super colorido, divertido, alegre e tal. Então, foi muito legal porque eu mostrei esses dois pontos e terminei mostrando os projetos. então hoje eu penso isso, assim, é legal e não é definir o design brasileiro, mas para não ficar sem resposta, eu acho que uma vez eu tava em um júri e falaram assim: "Ah, isso é ideia de brasileiro, aí eu já levantei que que que tá acontecendo aqui nessa mesa?" Não, não é um elogio assim.
Que preconceito é esse? E o que que era uma ideia deEra uma ideia inteligente com uma pitadinha de bem feita. Aí eu fiquei feliz.Ah, bem feita.Bem feita. é importante.É, e eu achei legal essa definição. Então, acho que, mas é difícil definir, né? Porque um país gigantesco com influências originárias e do exterior gigantescas..E, né? É, eu acho,ou seja, você falou, falou, não disse nada,não. Falei muita coisa.Tô brincando. Falou, falou, falou, falei, falei a resposta isso. Não tem um designão. Somos também.Somos também. Exato. Boa.o que que para você, a gente fala bastante de que o design, você falou da materialidade, que é a parte sensível do design, mas tem a parte intangível do design, né, que é a tal da alma, né? como é que você acha que o design ajuda a revelar a alma das coisas, né? Você você é um mestre nisso de olhar alma. Ee eu acho que é tipo isso assim, eu falo que marca para mim é a diferença. E por isso, mais uma vez, a gente volta lá na pergunta do do da tendência. Na tendência não há diferença, é todo mundo fazendo igual.
Marca para mim é, eu consegui identificar o que faz agir diferente do Gian..E é nisso que a gente vai, a alma para mim tá aí, assim, é nisso que a gente vai trazer à tona para que ela seja escolhida no lugar de você ou vice-versa, porque é uma competição marca é a mais lembrada, né? A mais lembrada é a escolhida, né? Se a gente for resumir aqui.então eu acho que é encontrar essa diferença que é a alma. E aí como que isso se manifesta, que cheiro que ela tem, que gosto que ela tem, que som que ela faz. o que que a gente vê e como que a gente toca, né? Então,e como que a gente torna as Claro para as pessoas entend para as pessoas entenderem.Claro.
você falou um pouco sobre o teu processo de liderança do time e aquilo que você valoriza, mas como é que você pensa quando você vê a evolução do design? O design precisa se renovar constantemente, né? não precisa, não pode ficar de olhos fechados para aquilo que tá acontecendo no contexto. Como é que você na Greco faz isso, né? Como é que você traz a renovação pro teu time criativo?É, eu fico pensando comigo, é um pouco triste que eu vou falar assim, mas eu fico um exercício assim, é só isso que você consegue, eu, eu comigo mesmo assim, você só consegue chegar até aí.Eu sou assim também. mas é só até aí mesmo. E sabendo que é muito importante pro design também, saber a hora que é só até aí mesmo, porque o design pode ser um processo sem fim se você entra naquela noia de na acabar, é que tá semprefaltando alguma coisa. Isso também eu consigo ter essa praticidade. Ontem mesmo a gente tava fazendo, a gente tava querendo fazer um vídeo de fim de ano da Greco. Aí contratei uma escritora que eu acho super legal, a Marcela Dantes para escrever o texto pra gente. Era um vídeo, o texto veio lindo de um vídeo que talvez seria mais um vídeo de fim de ano. Aí já meincomoda. Eu falei, gente, se a gente fizer uns cards com as frases mais legais, isso vai ser muito mais curtido de eu te mandar um post de fim de ano, compartilhar com uma frase. Aí a Marcela me fala: "Mas e o vídeo?" Eu falei: "O vídeo não vai ter mais". Então assim, é, é,escreveu baita texto.
Aí ela me respondeu: "Eu admiro muito a sua prática". É o é o trator de pantufa. Agora você entendeu.É tipo isso.Virou outra coisa e tem que deixar virar, entendeu? É.Ah, super importante. Eu acho que esse esse nível de critério, né? Aliás, a a pergunta constante não é nem o nível de critério, a pergunta constante. Será que é só isso que eu consigo fazer? Pode tá no topo, né? Pode ser. Tá todo mundo dizendo é espetacular. Tenho que confessar que eu fiquei muito envaadecido com eu ouvi o podcast do André inteiro, né? E e quando você falou o jeito GRECO de fazer as gente assim, tem nada que aquece meu coração mais do queouvir.
Então, mas é que é isso que é legado, né? Que eu fiz a provocação para você. Às vezes você quer botar em palavras, mas tem uma construção que é isso, é a gente perceber uma coisa que não dá para definir se é excelência, se é o que você construiu, né? É o jeito de fazer, é o jeito de falar, é o jeito. Todo mundo consegue identificar se um projeto nossa, que a cara da Greco, issoeu recebo várias vezes quando alguém tá aí um juras, esse trabalho éé isso. Então é,não posso responder.É, mas não tem uma definição. É difícil definir, né? Como você falou, definir você. Então acho que tem muito disso, né? Você é parte do seu legado isso, né?Entrando no BDA, né? você teve uma participação importantíssima que eu defini daquela forma.
Adorei. Obrigado.quando você recebeu o BDA, né, ele tava num numa fase de desenvolvimento, uma mudança de formato e aí veio uma pandemia, né, fazer, você já tinha feito o anterior? Eu tinha feito alguns, né, porque na verdade eu não era presidente, mas desde a eu tava num numa diretoria que começou a cuidar de relações internacionais, lembra? E as premiações eram dentro dessa diretoria e aí o André me e você me deramaté uma foto tradicional, né? É, sempre me deram a incobça de meio que cuidar do BDA junto com vocês, claro. Mas eu lembro que 2015, eu acho que eu apresentei pela primeira vez..Que foi no Vou lembrar agora. Eu e André fizeram uma IED no IED.
Ah, foi no IED. Isso. Isso.Foi no IED. Acho que foi a primeira vez que eu apresentei o BDA. Aí depois teve um ano que foimuseu da casa brasileira.Mas aí já era.Ebac. Ebac.Ebac. Aí depois a irmã do André apresentou um ano, então eu fiquei tipo, não vai, volta pro Rio Semana Rio.Isso. Aí a gente fez um que foi2018, acho que foi semana Rio.É 19 icônico na Museu da Casa Brasileira.Espetacular.O ano anterior que foi naque foi o ano que eu assustei Rana do Rio,não foi num espaço aqui em São Paulo,que era tipo um coworking com a a ABEDesign até lá.Foi. É. Não, mas esse foi, ah, foi 18, tá certo. Foi no Secretaria de Desenvolvimento.Isso. Eu lembro que esse ano foi o ano que eu assustei assim, porque até então a gente tinha cerimônias muito legais, a sala cheia, masnão lotado, né?
É, esse ano eu falei, acho que esse prêmio virou assim, porque lembra lembra?E 2018 foi o primeiro que a gente cobrou inscrições para fazer. cobrou inscrições e esse ano eu apresentei mesmo assim. É,eu lembro que você tava com a jaqueta prateada.Isso não, prateada foi no ano seguinte, foi na19que foi mais louco ainda porque a gente fez 18, foi muito sucesso e uma noite legal.19 tomei até um susto quando eu cheguei19eu lembro da exposição, o jeito que foi exposto os trabalhos da fila de vou contar a história dessa fila, que ela é muito legal.eu eu tava gerindo, né? junto com o time da ABEDesign. Sempre gosto de falar, gente, nunca sou eu, Gustavo, sozinho.Isso.e o telão tava dando defeito. E uma característica que eu tenho é eu passo a apresentação inteira antes de fazer ela, independente de onde eu tiver.
.E a Camila, que erafalou: "Não vai dar tempo". falei, não vai abrir a porta enquanto não passar a apresentação inteira, porque não vai aparecer um projeto faltando um um quarto da imagem e era o que tava rolando.Exato.E o tempo e eu não tinha ido. A sorte foi que eu cheguei de mala direto no evento. Esse esse esse caso é muito legal. Acho que eu nunca contei ele assim publicamente. E aí eu eu ia ter que ir no hotel tomar banho e voltar. Não ia dar tempo, eu já tava tipo assim, o que me importava era o evento. Então assim, se eu ia tomar banho ou não, não era um problema.Aí por isso que deu uma fila muito grande na porta, porque eu não deixei abrir a porta.É, Camila tá dando fila na porta. Aí eu falei: "Olha, isso é muito legal.
A fila virou,dobrava o quarteirão."E aí foi muito massa. Só que eu tava acabado, virei pro museu, falei: "Onde que eu posso tomar um banho?" Não, aqui não tem banheiro de chuveiro. Como assim, né? Museu da casa brasileira. Não, tem um tem um banheiro na guarita da de segurança.Ah,foi a cena mais legal, porque a fila começou a entrar e formar uma fila dentro. Aí saio eu de banhozinho tomado da guarita.Cabelinho molhado da guarita.Jaquetinha prate do gente.E aí,e aí foi o foi o mais legal, né? Assim, o mais legal que a gente achava que seria até aquele momento.É exato.Porque depois disso vem pandemia, eu e Lud, que era vice-presidente. Essa era a pergunta, eu queria que você falasse e baita sucesso, uma expectativa enorme pro ano seguinte, enorme,um dinheiro importante para ABEDesign que a gente não pode deixar de falar isso.
Veio pandemia, como é que foi esse processo doNão vamos ter BDA esse ano. Eu falei, gente, é impossível, financeiramente inviável para ABEDesign não terBDA. E além do que como que a gente vai depois do ano mais legal, não tem, né? Mais legal até então, importante dizer. aí a gente decide fazer online, que ninguém nunca tinha feito, a gente não tinha feito um monte de coisa online até então, né?Nada era online. Nada era online.Nada era online,não. Só as reuniões que já estavam um temp.E aí tinha que ser de um jeito muito legal e foi muito legal, né? o jeito que a gente produziu.E uma lição incrível desse ano, a gente teve 600 pessoas em 2019 achando que aquilo era o máximo que a gente teria num BDA e descobre que online a gente teve 5.000 pessoas assistindo a ao vivo.
e foi muito emocionante. ano seguinte a gente repetiu de novo e aí ele ainda cresce, eu saio, e ele aí depois vai na sala São Paulo sul. A gente não imaginava nunca ter um BDA lá, né? Então assim,e com a sala lotadae sala lotada e um sucesso assim. Então é esse processo de construção, né, de pessoas que assumem o que você vem, né, o Gabriel agora que leva esse primo. Então assim, é muito legal a gente teresse processo,tipo, como chama aquela corrida que você passa revezamento.Revzamento. Issonão. E é legal que não tem uma expectativa de ser um padrão, né? Toda vez tem uma expectativa de, já me falaram isso, que que vai ser o BDA esse ano. Então, todo mundo acha e talvez a coisa que a gente fala: "Ah, isso foi um problema e tal, mas para as pessoas o BDA tem uma expectativa que não é só o ganhar o prêmio, mas o que vai ser esse é um evento, é um acontecimento mesmo, né?
Teremos super legal esse ano de novo, né, gente? Teremos. Bom, falando de futuro, agora, como é que você vê a transformação do Nós estamos com a inteligência artificial caindo na nossa cabeça,né?o que eu não me assustoé nem outro dia me perguntaram o que que eu achava disso. Eu falei: "Eu não tenho que achar nada sobre isso. Eu tenho que saber como que eu vou lidar com isso, porque é pedir para não chover. Tem jeito.Não,não. Incontrolável. É,assustador. Acho que tem questões éticas e que são complexas ainda, né, na geração de imagens, por exemplo, é de autoria de quem aquilo, né, a partir do momento que ela que ela buscoubusca coisa que já existeno mundo, mas com todas as vantagens de certos processos ágeis que a gente não vai deixar deusar por um purismo até artificial, né?é que não cabe mais.
Não cabe mais. Então, e é igual à vida, assim, é, é saber lidar com que, não é, não aquela frase, né? Não importa o que a vida faz de você e sim o que você faz com o que a vida faz de você. Exato.então acho que se aplica muito bem a isso.e é uma coisa nova. Não tenho muito, acho que ninguém sabe, talvez grande estudiosos, mas outro dia eu vi uma coisa super legal que ela não resolve.E eu tô usando isso muito nas nessas respostas. problemas complexos, empatia não tem. e criatividade. Criatividade no sentido de criar é gerar algo novo. Éisso.Ela não gera algo novo, ela gera mistura de que já foi criado. Então a gente ainda pode se dizer e até o nome da desse podcast, as mentes criativas ainda são as nossas, assim,porque não tem criação, tem como é ele gera, ele é generativa, né? Ah, táém. É, eu acho, eu acho que vai evoluir. Eu, eu parto o meu pensamento sobre isso. É,ela vai evoluir até fazer coisas que a gente faz, mas ela nunca vai nos substituir,não é?
Por quê? Porque ela precisa de uma ação para ela.É, e tem aqueles cenários apocalípticos, né, que é que elas vão dominar o mundo enão, eu acho que tem até esse risco, né, quando você começa a dar autonomia,é um pouco aflitivo mesmo.Aflitivo, né? Masvou parar de falar, senão a gente vai começar a ter crise de ansiedade.Gustavo, pra gente tá caminhando pro final, né? Que mensagem você daria pros jovens designers, assim como foi o Gustavo há um tempo atrás? como é que eles falou muita coisa legal aqui que eu vou resumir. Primeiro, não tenha vergonha de falar o que você quer. segundo, não poupe esforços para fazer aquilo que você quer.Vai atrás, né?Vai atrás. pede e quando conseguir paz direito. Não é um trocadilho com o início da minha formação, mas isso é muito importante para mim assim, se eu falo uma frase que é se você resolveu estar, esteja não ocupa um espaço só por ocupar e depois despreza aquilo que você quis tanto aquilo, né?
Eu já eu toda vez que eu recebo um convite de um lugar que eu quis muito estar, eu cuido daquilo com muito, muito carinho, porque aquilo foi tão importante numa época que na minha cabeça era impossível. Por que que quando é possível a gente fala: "Ah, vou lá fazer mais homem, vou lá só para fazer o que eu tenho que fazer". Então, esse rigor de quando você me chama para dar uma aula na SPM, eu preparei aquilo para aquele momento. Quando você me chama para est aqui, eu não tô pensando em nada a não ser estar aqui, porqueé um R que você quis tanto, não é assim? eu tô no comitê do museu da casa brasileira agora do prêmio, que é até legal falar que começa com o aquele concurso cartaz incrível e a todos os alunos da SPM todos os anos participem. Vários já participem. e era uma coisa que eu queria muito assim. Então, e eu não faço o blazer também não. Tipo assim, quando eu chego, eu falo pra pessoa: "Nossa, eu nem acredito, assim, já pensei tanto que eu sabe, eu acho importante eu dizer isso assim, quando você fala lá no início da nossa conversa, o Gustavo me pediu um espaço." Eu tive que pedir muito espaço.
.Mas depois eu euhonrei esse espaço, né?É. Não, eu eu fiquei com orgulho de ter te dado aquele espaço por porque eu não teria eu não teria feito que o Gustavo espaço,muito grato a vocês dois, assim, deixando público aqui esseagradecimento e há muita gente que me deu espaço, então acho que agora eu tenho que dar espaço, né?É. E essa essa definição que você usou, né, de desejar muito sem ter e continuar preservando esse desejo depois que você tem. A filosofia, né, define isso quando fala de amor, né? Eros é o amor por aquilo que você não tem, é que é o amor desejante e filia a capacidade de amar aquilo que você já tem, né? né? Então bem isso, são duas perspectivas da mesma coisa e que a tendência natural é que depois que você já tem, você deixa de amar porque você já tem e é uma grande burriço, né?
Sofremos todos aqui de design filia, entãodesfilia filia.Bom, quer fazer uma pergunta final pro Gustavo?Não, eu quero dizer uma coisa pro Gustavo, queele sabe, você sabe admiração gigantesca assim, né? E quero dizer onde que você me impactou muito. Eu aprendi com você valorizar tudo que aparece para você. Pode ser uma coisa muito simples. A pessoa às vezes é blazer em relação à aquilo ou acha que aquilo não não é muito, não é o que é legal. Legal é o que o outro está fazendo. Mas você transforma qualquer coisa que chega para você num tá. Então isso aqui vai ser um acontecimento, pode ser uma aula, pode ser um,né, sabe assim de valorizar, mas não é só valorizar, é acreditar, fazer daquilo um negócio, aí da vira grande, porque às vezes você tá fazendo as coisas, ah, não, não, isso aqui não é, né? Você vai se acostumando com a vida, vai achando que não, isso é mais uma coisa. Não, você trans Então eu sempre lembro disso, Gustavo, isso é muito inspirador.
É o clipse do basset, né?É o clipse do Eu ia falar agora. Eu preciso contar isso. Eu sou apaixonada pelos meus cachorrinhos. Eles já faleceram e eles são dois bazinhos. E um dia o Gustavo me falou que tinha um presente para mim e ele tinha viajado sei lá para onde, nessas viagens dele,Budapeste.Budapeste, vai vendo.E um dia ele chegou para mim e falou assim: "Eu tenho um presente". E aí eu vi ele angustiado para me dar o presente. Falei: "Gente, mas um né? Como assim? Ainda mais vindo do Gustavo. Gente, eram clipes, era uma caixa, tem até hoje de clipes de basset,que o clips é em formato de basset, gente.Então, tipo assim, é esse cuidado que a gente tem com as pessoas, sabe? Eu podia ter visto esse clipe. Ah, lembrei dai.Deixa o clipse lá nai para ela pelo correio.
Ganhei a chicrinha que eu ganhei de presente, de café, que eu ganhei de presente quando eu fui lá na Greco ajudar vocês a repensar o planejamento e etc, tal. Até hoje são, acho que quatro ou seis chicrinhas que você me deu, tão lá num lugar especial. E aí é um pouco isso, né? Não é um presente, é um cuidado, né? Cuidado,é diferente, né? Porque a gente recebe presente o tempo todoque não fica na nossa vida, né? E acho quee às vezes você vê uma coisa super até caro que você não lembra quem te deu, não é?É porque o cuidado ele fica dentro da gente, não fica fora.Então, mas é que é isso que eu queria te dizer, né? É sempre olhar o o trivial e aquilo que eventualmente a gente não e eu sempre lembro disso, falo assim, ah, não tô dando muita importância para uma coisa, eu falo: "Será que é se eu tô aqui, né? E se eu fui chamada para fazer issoescolhido, né, gente? Isso é muito sério, isso é escolhido para alguma cochira muito as pessoas. Muito sério,sempre, né?
Muito sério.Bom, última pergunta minha. Você quer falar mais alguma coisa?Não é isso.qual que é o teu propósito de vida e o que te inspira? Eu sei, a gente fala muito de propósito dos outros, né? Qual que é o teu?É, eu acho que o meu propósito hoje é fazer do meu entorno algo melhor assim, sem sem pretensão nessa fala, embora proposta tem que ser pretencioso, né? tem que ser ambicioso, né? eu quero isso, assim, quero tornar o o lugar de trabalho mais agradável, o o a minha as minhas convivências pessoais melhores. Eu tô muito preocupado com isso, assim, acho que a gente vive num mundo de muito mal-estar, então tô muito ligado a isso, assim, tem que ser bom, tem que ser legal, tem que ser cuidado. E o que me inspira é sempre o que eu ainda não fiz. Eu eu tenho essa essa busca assim, tipo, não fiz ainda, eu quero fazer, quero ficar com medo, eu quero ter medo de fazer as coisas, eu gosto de ter medo de fazer as coisas.
Para você que não sabe, ele tá com medo hoje em dia porque ele tá fazendo uma coisa muito legal, com uma uma tecnologia nova aí.É, tem. Eu gosto de sentir medo. Eu gosto de sentir medo de apresentar um projeto que eu acho que o cliente talvez não vai gostar. Eu gosto disso. Eu eu eu me sentiria muito mal em ter a certeza, porque hoje é fácil pra gente fazer um trabalho que o cliente fala: "Ah,já sei que ele vai gostar, né?Tá bom, não, tá bom. Ah, tá bom, não dá, gente. isso me mata.É, tá bom, não tá bom, né?É, é. E eu queria fazer um apelo aqui pra câmera dois, uma marca de óculos patrocinar esse podcast, gente, porque tá passando da hora, ó. Tá passando da hora. Bora lá. A gente teve o apoio, né, da Ótica Ventura no começo, que foi o são esses óculos da abertura aqui. Mas a gente quer novos óculos,novos óculos, novas lentes pra gente botar no podcast. Bom, Gustavo, obrigado primeiro por ter aceitado tá aqui com a gente nessa mesa.
Tem algumas poucas pessoas tem meu sim definitivo. Vocês são duas delas, talvez continue nas duas mãos.Para vocês terem consciência também dessa escolha. Não é à toa. Ele ele já tinha me falado isso. É verdade isso que ele tá falando. Não é aqui agora, né?É, já falei com algumas outras que sabam que é verdade.É bom. Então, antes de dizer tchau, eu queria te dar meu último livro, Trocando a lente,que dá nome para esse podcast. vou fazer assinatura agora, ainda não assinei, é, tá em branco ainda.E renovar o convite que eu te fiz antes da gente começar o podcast para você fazer uma a sua sobrecapa assinatura Gustavo Greco pro meu livro,convidando osmaiores designers do Brasil e do mundo, né? Porque estão todos no Brasil, os maiores do mundo.
É verdade. Concordo.Esse é um deles a fazer, né, uma sobrecapa e e é um presente para outros entrevistados, né? Então, faça com carinho de sempre.Muito obrigado.Obrigado por ter dividido conosco todas essas histórias. E para você que ficou aqui até agora, um beijo no coração e até a próxima. Ciao. Ciao.


