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Tramontina: 115 anos depois de quase fechar três vezes, continua com forte presença na cozinha brasileira

Por · 18 de agosto de 2026

Em maio de 2026, a Tramontina completou 115 anos e fez algo que tinha evitado por mais de um século: parou de assinar tudo com o mesmo nome. A fabricante gaúcha de facas, panelas e talheres, presente em mais de 120 países e dona de 22 mil itens no catálogo, dividiu sua marca única em seis. Foi uma decisão e tanto para uma empresa que nasceu literalmente debaixo de uma árvore, numa promessa feita por uma mulher que mal sabia ler direito.

Para entender por que uma fabricante centenária de utensílios domésticos decidiu mexer justamente no que sempre foi mais sagrado para ela, seu próprio nome, é preciso voltar a 1911, a uma pequena ferraria alugada no interior do Rio Grande do Sul, e à história de uma família que enterrou o marido e dois filhos em menos de dois anos e, mesmo assim, continuou batendo o martelo.

Uma família que atravessou o oceano fugindo da fome

No fim do século 19, a Itália recém unificada vivia um dos momentos mais duros de sua história. O país era essencialmente agrário, mas grande parte dos trabalhadores rurais não tinha terra própria para plantar. A miséria empurrou milhões de italianos para fora do país nas décadas seguintes. No Brasil, ao mesmo tempo, a escravidão caminhava para o fim e o governo buscava colonizar terras do sul do país com mão de obra assalariada europeia. As duas realidades se encontraram, e uma onda de imigrantes italianos passou a se instalar no Rio Grande do Sul.

Foi nesse fluxo que a família Tramontina chegou ao Brasil, em 1885, fixando-se na região que hoje é Monte Belo do Sul. Encontraram mata fechada. O primeiro trabalho foi abrir espaço na floresta e usar a madeira dos troncos derrubados para erguer a primeira casa da família na América. Enrico e Dominica Tramontina tiveram oito filhos ali. Um deles, nascido em 1893, foi batizado Valentino em homenagem ao avô, mas todo mundo o chamava de Valentim.

O ferreiro que virou dono de oficina

Ainda adolescente, Valentim passou um ano aprendendo o ofício de funileiro com um irmão. Depois, virou ferreiro, um ofício em alta demanda numa região de terreno acidentado onde cavalos e ferraduras eram essenciais para o transporte e o trabalho no campo. Um primo seu tinha uma pequena oficina de ferraria bem equipada na colônia vizinha de Carlos Barbosa, mas adoeceu e precisou parar de trabalhar. Ofereceu as ferramentas a Valentim, que fechou o negócio em 1910, com apenas 17 anos, e se mudou para Carlos Barbosa.

Um ano depois, em 1911, Valentim abriu sua própria ferraria.

Valentim Tramontina, fundador da empresa, retrato de época. Foto: Wikimedia Commons, domínio público/CC0
Valentim Tramontina, fundador da empresa, retrato de época. Foto: Wikimedia Commons, domínio público/CC0

O momento não podia ser melhor: uma ferrovia ligando Porto Alegre a Caxias do Sul havia chegado à região, e Carlos Barbosa se tornou um entroncamento por onde passava a produção de colônias mais distantes a caminho da capital. A cidade pequena entrou em ebulição econômica, atraindo outras indústrias e criando uma base de clientes para os serviços de conserto e as ferraduras que Valentim fabricava ao lado do irmão Luiz e mais um funcionário.

Os canivetes que salvaram o negócio

Em fevereiro de 1920, Valentim se casou com Elisa De Cecco, também filha de imigrantes italianos. O casal foi morar na mesma casa onde funcionava a ferraria e teve três filhos nos anos seguintes: Henrique, em 1921, Nilo, em 1923, e Ivo, em 1925. Foi justamente em 1925 que a pequena oficina enfrentou seu primeiro grande susto: o principal cliente da ferraria se mudou para Porto Alegre, levando embora boa parte do faturamento.

A saída veio de um produto que a família ainda não sabia fabricar. Muitos imigrantes italianos da região vinham de uma tradição artesanal de canivetes, passada de pai para filho, mas nenhum dos ferreiros da Tramontina dominava a técnica. Um primo de Elisa cedeu alguns moldes e passou oito dias ensinando Valentim e Luiz a fazer canivetes. O produto virou o novo carro-chefe da oficina, ainda que o acabamento rústico obrigasse a empresa a vender barato.

Um canivete Tramontina, o produto que salvou a pequena ferraria nos anos 1920. Foto: Wikimedia Commons, CC0
Um canivete Tramontina, o produto que salvou a pequena ferraria nos anos 1920. Foto: Wikimedia Commons, CC0

Por volta de 1930, um incêndio destruiu o estoque de uma importante casa de cutelaria em Porto Alegre, especializada em facas importadas de alta qualidade. Valentim se ofereceu para recuperar o material queimado e, ao estudar as peças, aprendeu sobre modelos de facas que a ferraria ainda não produzia. Foi o empurrão que faltava para a Tramontina migrar dos canivetes rústicos para as facas.

As três mortes que quase acabaram com a família

O negócio prosperava quando a tragédia bateu à porta três vezes seguidas. Henrique, o filho mais velho do casal, morreu aos 9 anos de sepse. Valentim nunca mais foi o mesmo depois disso, passou a beber, adoeceu e morreu em 1939, aos 46 anos. Um ano depois, em 1940, Nilo, o segundo filho, também morreu, vítima de uma paralisia progressiva, aos 17 anos.

Elisa ficou sozinha à frente de uma família e de uma empresa, com apenas o caçula Ivo, de 14 anos, ao seu lado. Pensou em fechar a ferraria. Decidiu não fechar, para não voltar à pobreza que a família conhecera antes.

A viúva que prometeu ir além da árvore

Antes da tragédia, Elisa e Valentim tinham o hábito de olhar, dos fundos da oficina, para um terreno vazio onde havia só uma árvore solitária. Num dos dias mais difíceis, ela prometeu ao marido que um dia a ferraria seria a maior do Rio Grande do Sul, que a fábrica cresceria além daquela árvore.

Com Valentim e Nilo mortos, foi Elisa quem sustentou essa promessa. Passou a ser a primeira a chegar na oficina de manhã e a última a sair à noite. De tempos em tempos, enchia uma mala com facas e canivetes e embarcava sozinha no trem até Porto Alegre, batendo de porta em porta para vender a mercadoria, voltando no fim do dia com a mala vazia e o dinheiro para pagar os funcionários. Dona de um terreno amplo numa das principais ruas de Carlos Barbosa, dividiu o imóvel em lotes e distribuiu um para cada um dos treze funcionários da época, uma forma de mantê-los ligados à empresa.

Enquanto a mãe viajava, Ivo, que já trabalhava desde criança vendendo pastéis na estação de trem, assumiu o comando da ferraria e descobriu paixão pelo funcionamento das máquinas. Mãe e filho formaram uma dupla natural: ele cuidava da produção, ela das vendas. O arranjo funcionou bem até Elisa descobrir, numa das viagens a Porto Alegre, que a empresa tinha um problema sério. Um fiscal de impostos pediu para ver a mala de mercadorias e os documentos tributários correspondentes, e ela nem sabia do que ele estava falando. A ferraria precisava de alguém que entendesse de burocracia, algo que ninguém na família ou na oficina dominava.

Elisa recorreu a uma amiga próxima da igreja para pedir que o filho dela, um rapaz chamado Ruy Scomazzon, viesse trabalhar na parte administrativa da Tramontina. A família Scomazzon era próspera, dona de uma fábrica de móveis com mais de 40 funcionários, e Ruy tinha se formado em economia em Porto Alegre. Mesmo destinado a assumir o negócio da própria família, Ruy aceitou o convite e, em 1949, passou a cuidar também da contabilidade da Tramontina. Segundo o próprio Ruy contaria depois, a decisão não veio da crença de que a ferraria tivesse um futuro promissor, mas da afinidade que desenvolveu com Ivo.

Duas famílias, um só comando

Em 1954, a empresa registrou seu primeiro contrato social, como Viúva Valentim Tramontina e Companhia Limitada, e Ruy Scomazzon se tornou sócio. A amizade entre as duas famílias se aprofundou a ponto de virar compadrio: em 1955, quando o casal Scomazzon teve seu primeiro filho, Clóvis Tramontina e a esposa foram convidados como padrinhos. Anos depois, em 1959, o gesto foi retribuído quando nasceu Eduardo Scomazzon.

Elisa Tramontina morreu em 1961, e a empresa passou definitivamente para as mãos de Ivo, então com 36 anos, e Ruy, com 33. Ivo, de poucos estudos formais, ficava mais no chão de fábrica, próximo dos funcionários. Ruy cuidava das áreas administrativa e financeira.

A sede da Tramontina em Carlos Barbosa (RS) hoje, a mesma cidade onde Valentim abriu sua ferraria em 1911. Foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
A sede da Tramontina em Carlos Barbosa (RS) hoje, a mesma cidade onde Valentim abriu sua ferraria em 1911. Foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Nos anos seguintes, a dupla ampliou a fábrica original de cutelaria e abriu novas unidades: uma forjaria em Porto Alegre, depois transferida para Canoas, em 1959, uma fábrica de ferramentas em Garibaldi, em 1963, e uma fábrica de talheres em Farroupilha, no início dos anos 1970, depois que a empresa recebeu por engano um lote de aço inoxidável excedente do Japão e decidiu aproveitar o material.

A Tramontina fez sua primeira exportação, uma carga de facas para o Chile, em 1969. Nos anos seguintes vieram uma fábrica de materiais elétricos e, em 1982, uma fábrica de equipamentos agrícolas e de jardinagem. O modelo de gestão criado pela dupla nessa fase segue até hoje: cada fábrica opera como uma empresa independente, com metas e processos próprios, sob um escritório central que aprova os planos e define as diretrizes gerais.

O vendedor que ensinou a velha ferraria a vender

Em 1980, Clóvis Tramontina, filho de Ivo, voltou a Carlos Barbosa depois de se formar em administração de empresas. Passou por vários setores da companhia sem se destacar até chegar à área comercial, então pouco desenvolvida. Um de seus primeiros movimentos foi provocar o próprio tio: enquanto o supermercado Zaffari boicotava fornecedores que também vendiam para o rival Carrefour, Clóvis defendeu que a Tramontina deveria vender para os dois, e para muito além de Porto Alegre.

A entrada da marca nas grandes redes de varejo não foi simples. Depois de diversas tentativas rejeitadas, Clóvis conseguiu um pedido da rede de lojas Mappin de 10 mil baixelas em três tamanhos diferentes, um volume que a fábrica não tinha capacidade de produzir naquele formato. O episódio seguinte foi ainda maior: um pedido da rede Pão de Açúcar de 1,2 milhão de talheres, equivalente à produção de um semestre inteiro da fábrica, para entregar em poucas semanas. Os pedidos forçaram a Tramontina a expandir sua capacidade produtiva, mas também geraram excesso de estoque em alguns itens.

Para escoar esse estoque, Clóvis propôs uma ideia que a velha dupla à frente da empresa recebeu com desconfiança: anunciar na televisão. Mesmo relutantes, Ivo e Ruy toparam, e o primeiro comercial da Tramontina foi ao ar em 1983. O estoque zerou rapidamente, e a empresa passou a investir com regularidade em publicidade.

A ferraria vira multinacional

Em 1986, a Tramontina deu dois passos que mudariam sua trajetória. Abriu uma nova fábrica de utensílios de madeira, que depois passaria a produzir também móveis para jardim, e inaugurou um escritório nos Estados Unidos, batizado inicialmente de Lasso Corporation, com o objetivo de colocar a marca no maior mercado consumidor do mundo. Até então, a presença internacional da empresa era tímida e concentrada na América do Sul.

A grande conquista dessa estratégia veio em 1989, quando a Tramontina entrou no Walmart, então a terceira maior varejista dos Estados Unidos, vendendo panelas, facas e utensílios de cozinha. A parceria cresceu junto com a rede, que se tornaria a maior varejista do mundo, e a Tramontina se tornou uma de suas principais fornecedoras internacionais. Em 1990, a empresa também passou a vender para a Costco.

Em 1991, depois de quatro décadas à frente da Tramontina, Ivo e Ruy escolheram seus sucessores: Clóvis assumiu a presidência, e Eduardo Scomazzon, filho de Ruy, a vice-presidência. A transição teve seus atritos com a geração anterior, mas a dupla soube conduzir o processo, numa repetição da mesma dobradinha que os pais haviam formado décadas antes. A estrutura societária também foi formalizada: duas séries de ações com participação igualitária, uma para cada família, mantendo a empresa sob capital fechado e controle 100% familiar, arranjo que segue em vigor até hoje.

O breu que virou palco

Em 2000, Clóvis criou o primeiro setor de marketing da história da Tramontina, uma mudança cultural e tanto para uma empresa de Carlos Barbosa, região conhecida pela discrição e pela desconfiança em relação à autopromoção. Uma das primeiras parcerias relevantes foi com a companhia aérea Varig, que passou a servir talheres Tramontina a bordo. Mas foi a publicidade na televisão aberta, com peças voltadas ao público feminino nos intervalos de novela e ao público masculino nos intervalos de esporte, que deu à marca uma projeção nacional inédita, junto de slogans que se tornariam populares.

Com a indústria nacional perdendo competitividade para os produtos chineses, a Tramontina respondeu aumentando a escala de produção de seus itens mais vendidos, na tentativa de se aproximar dos preços da concorrência asiática em volume, ainda que precisasse importar alguns itens de menor relevância no portfólio. A produção nacional, que antes parecia uma desvantagem de custo, virou um trunfo durante a pandemia de covid-19: enquanto concorrentes dependentes de importação enfrentaram desabastecimento, a Tramontina manteve o fornecimento e viu sua receita crescer cerca de 50% no período, beneficiada também pelo consumidor voltado para casa.

Como uma faca de churrasco conquistou o berço da cutelaria

A internacionalização da Tramontina seguiu avançando em mercados historicamente difíceis para uma marca brasileira. Nos Estados Unidos, a empresa se tornou uma das líderes em vendas de panelas. Na Alemanha, considerada o berço mundial da cutelaria, a estratégia de entrada apostou na cultura do churrasco brasileiro, com degustações de picanha no espeto em feiras e eventos como a Ambiente, em Frankfurt. O espeto se tornou um dos itens mais vendidos da marca no país, que hoje conta com mais de 500 pontos de venda para a linha de churrasco, e as facas Tramontina estão entre as mais vendidas do mercado alemão.

O estande da Tramontina na feira Ambiente 2026, em Frankfurt, no berço mundial da cutelaria. Foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
O estande da Tramontina na feira Ambiente 2026, em Frankfurt, no berço mundial da cutelaria. Foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O capítulo em aberto

A saga não fechou. Clóvis Tramontina deixou a presidência da empresa em 2021, ano em que a companhia bateu a marca histórica de mais de R$ 10 bilhões em faturamento, impulsionada pelo crescimento da pandemia. Eduardo Scomazzon, seu vice-presidente e amigo de longa data, assumiu o comando, mantendo a lógica de alternância entre as duas famílias fundadoras. Mais recentemente, Marcos Tramontina, da nova geração da família, assumiu como CEO da operação, com Eduardo Scomazzon na presidência do conselho.

Duas mudanças recentes marcam a fase mais nova da história da empresa. Em março de 2025, a Tramontina inaugurou sua primeira fábrica fora do Brasil, numa joint venture com a indústria indiana Aequs na cidade de Hubballi, rompendo com mais de um século de produção concentrada no Brasil. E, em 2026, ao completar 115 anos, a empresa decidiu dividir sua marca única em seis: Tramontina Primia, voltada para hotelaria e gastronomia, além de Oniq, Althea, PRO (uma marca já existente havia 26 anos, agora com identidade renovada) e Master, que chegam de forma escalonada até 2028, mais a rede de lojas próprias T Store.

É a primeira vez em mais de um século que a Tramontina abre mão de assinar tudo com um único nome, justamente a lógica que sustentou sua identidade desde os tempos de Elisa vendendo facas de porta em porta. O movimento aposta que a segmentação vai aprofundar a relação da marca com públicos cada vez mais específicos, sem diluir a confiança que o nome Tramontina construiu ao longo de cinco gerações.

O que a Tramontina ensina

A trajetória da Tramontina é, antes de tudo, a história de uma promessa cumprida sob a pior circunstância possível. Elisa jurou que a ferraria cresceria além daquela árvore num dos momentos mais sombrios de sua vida, tendo acabado de perder o marido e dois filhos. Não tinha estudo formal, não tinha capital, tinha apenas a recusa de deixar a família voltar à pobreza que já conhecia. O resto da história, os canivetes, as facas, os fiscais de imposto, o sócio recrutado por meio de uma amiga da igreja, é a consequência prática dessa recusa.

A empresa também ilustra bem como uma marca centenária lida com o próprio peso. Por décadas, a Tramontina resistiu a mudar de cara: uma cultura avessa à autopromoção atrasou a criação de um setor de marketing até o ano 2000, e o nome único da marca permaneceu irredutível por 115 anos, mesmo com o portfólio se espalhando por facas, panelas, ferramentas, móveis e carrinhos de golfe. Ao mesmo tempo, cada movimento de expansão, dos canivetes às facas, da ferraria às fábricas múltiplas, do mercado interno ao Walmart, sempre foi feito sem perder de vista o que a marca já sabia fazer bem. A decisão de 2026 de dividir o nome em seis marcas é o primeiro momento em que a Tramontina aceita correr um risco oposto e deliberado: mexer, em nome de crescer, no ativo mais antigo e mais protegido que a empresa possui, o próprio nome.

Perguntas frequentes

Quando e por quem a Tramontina foi fundada?

Em 1911, em Carlos Barbosa, no Rio Grande do Sul, por Valentim Tramontina, filho de imigrantes italianos que abriu uma pequena ferraria depois de comprar as ferramentas de um primo doente.

Por que a empresa quase fechou nos anos 1930 e 1940?

Entre o fim dos anos 1930 e 1940, a família Tramontina perdeu três pessoas em sequência: o filho mais velho, Henrique, aos 9 anos, o fundador Valentim, aos 46, e o segundo filho, Nilo, aos 17. A viúva Elisa chegou a pensar em fechar o negócio.

Quem salvou a Tramontina depois da morte do fundador?

Elisa De Cecco Tramontina, viúva de Valentim, assumiu sozinha o comando da ferraria, vendendo produtos de porta em porta em Porto Alegre e mantendo o negócio funcionando com a ajuda do filho caçula, Ivo. Em 1949, recrutou Ruy Scomazzon para organizar a parte administrativa, decisão que originou a sociedade entre as duas famílias que controla a empresa até hoje.

Como a Tramontina virou uma multinacional?

Com a entrada nas redes americanas Walmart, em 1989, e Costco, em 1990, seguida pela expansão comercial e publicitária conduzida por Clóvis Tramontina a partir dos anos 1990 e 2000. A empresa hoje exporta para mais de 120 países e, desde 2025, também produz fora do Brasil, numa fábrica na Índia.

A Tramontina é uma empresa de capital aberto?

Não. A Tramontina é uma empresa de capital fechado, com 100% do controle nas mãos das famílias Tramontina e Scomazzon, sócias desde 1949.

Quem comanda a Tramontina hoje?

Marcos Tramontina ocupa a posição de CEO, com Eduardo Scomazzon na presidência do conselho de administração, mantendo a tradição de comando dividido entre as duas famílias fundadoras.

Qual é a novidade mais recente da Tramontina?

Em 2026, ao completar 115 anos, a empresa dividiu sua marca única em seis: Tramontina Primia, Oniq, Althea, PRO, Master e a rede de lojas T Store, rompendo pela primeira vez com mais de um século de identidade de marca única.

Ficha da marca

  • Marca: Tramontina
  • Fundação: 1911, Carlos Barbosa (RS), como ferraria de Valentim Tramontina
  • Fundadores: Valentim Tramontina e Elisa De Cecco Tramontina
  • Setor: utilidades domésticas, cutelaria e ferramentas
  • Controle: capital fechado, 100% famílias Tramontina e Scomazzon
  • Presidente do conselho: Eduardo Scomazzon
  • CEO atual: Marcos Tramontina
  • Faturamento em 2025: R$ 9,6 bilhões
  • Funcionários: mais de 10 mil
  • Presença: mais de 120 países
  • Itens no portfólio: mais de 22 mil
  • Capítulo em aberto: primeira fábrica fora do Brasil (Índia, 2025) e a divisão da marca única em seis marcas, iniciada em 2026 aos 115 anos

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